Espelho da Prova de Conhecimento Específico

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EDITAL 3_SELECAO MESTRADO_PROVA CONHECIMENTOS ESPECIFICOS_ESPELHO.pdf
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                    UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO
COORDENADORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA
MESTRADO EM HISTÓRIA
EDITAL Nº 03/2018-PROPEP/UFAL/PPGH
PROCESSO SELETIVO PARA CURSO DE MESTRADO EM HISTÓRIA – 2019.1
PROVA DE CONHECIMENTOS ESPCÍFICOS
ESPELHO

Questão Geral (todos deverão responder): Durante os anos de 1990, a ideia de que a
história vivia uma “crise” parece ter se tornado parte das convicções comuns de muitos
historiadores. A solução da “crise das certezas” ou da “crise dos paradigmas” implicaria
necessariamente questionar as próprias ideias de certeza ou de verdade. No entanto, ainda
hoje parece que a ideia de “crise” não foi abandonada nem tampouco resolvida pelos
historiadores, suas reflexões e pela historiografia que produzem. O que está no centro desse
debate é a possibilidade do conhecimento histórico. Como a historiografia, a partir da
bibliografia sugerida, aborda a questão do conhecimento histórico?
ESPELHO: identificar a “crise das certezas” e as soluções apresentadas a partir da
“condição pós-moderna” da historiografia como a “virada linguística, a “virada
cultural” ou a “virada interpretativa”; as soluções apontadas pela historiografia não é
unânime; é possível questionar a ideia de “crise da história”, colocando sob suspeição
tanto o diagnóstico quanto as soluções – aqui a ideia-conceito de tempo é fundamental;
incerteza e ceticismo ligados às possibilidades do conhecimento da História; através dos
conceitos de tempo, perceber as leituras da crise das ciências humanas em suas
ambiguidades e riscos, tanto no campo da história da sociedade quanto no campo da
história da cultura; anos sessenta: marca a ruptura epistemológica q se caracterizava
pelas análises das estruturas sociais e das relações sociais – inflexão das condições
materiais para percepções, símbolos, significados, rituais... daqui a diversidade de
abordagens é determinante; essa ruptura na história social se dá através do
reconhecimento de novos personagens e, consequentemente, dá origem ao interesse pela
história de grupos sociais, marginalizados, e gera críticas aos modelos deterministas,
que vai também originar uma versão mais radical dessa ruptura, como os pósestruturalistas ou os chamados estudos “pós-modernos”; ruptura q está ligada a
aproximações com outras áreas da ciências humanas: linguística, estudos culturais,
antropologia, os estudos literários e, com menor peso, a psicanálise; Roger Chartier –
salienta q houve uma expansão da área da História, quebrando as unidades e identidades
das grandes tradições historiográficas (q se traduz na perda de confiança nas
quantificações; no abandono dos recortes clássicos dos objetos; critica de noções como

mentalidades ou cultura popular, categorias como classe social, modelos de
interpretação (estruturalista, marxista...); Robert Darnton: mundo social como resultante
do trabalho simbólico; Carlo Ginzburg: descrição densa; Hobsbawm: história vista de
baixo e a emergência de novas abordagens das condições materiais.
Questão Específica da Linha História Social: A partir da bibliografia sugerida,
indique e justifique como teórica e metodologicamente a história social informa e
organiza o seu projeto de pesquisa.
ESPELHO: A prova deve constar de uma avaliação sobre como é feita a articulação de
determinações históricas e suas respectivas hierarquias (classe, raça, gênero) numa
explicação e compreensão históricas ancoradas na História Social. O candidato deve
deixar claro como a história social e suas ramificações compreendem o relacionamento
entre as diferentes esferas de análise e da própria experiência humana em sociedade, tais
como cultura e política. Espera-se que o candidato desenvolva as principais questões
teórico-metodológicas que dominam a bibliografia indicada, a saber: STARLING,
Heloisa M.M. e SCHWARCZ, Lilia. Brasil: uma biografia. SP: Cia das Letras, 2015. A “herança rural” e o passado colonial, marcado pela mão-de-obra negra escravizada e a
grande propriedade monocultora; análise sobre os desafios e a violência enfrentados
pelos e contra os negros de origem africana; pós a abolição em 1888 —liberdade
conquistada que não garantira a conquista da igualdade; história marcada por um
passado escravocrata q impõem impasses para o exercício da cidadania; desigualdade
social; Estado brasileiro organizado pelos interesses de uma elite política
patrimonialista e patriarcal; identidade do povo brasileiro; democracia é constante
construção. ANDERSON, Benedict. Comunidades imaginadas. Reflexões sobre a
origem e a difusão do nacionalismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2008. – ideias
de nação e cultura: Nação é um artefato, uma construção cultural; nação como narrativa
capaz de articular passado, presente e futuro, estável e homogêneo, pertencimento
comum, “uma comunidade imaginada”; "nação e a consciência nacional": sistemas
culturais anteriores à modernidade; cultura como expressão de experiências de minorias
políticas; nacionalidade cultural,
estruturas sociais e relações de poder;
autorepresentações de grupos sociais e conflito. THOMPSON, Edward Palmer.
Costumes em Comum. Estudos Sobre a Cultura Popular Tradicional. SP: Cia. das
Letras, 1998. - história vista de baixo; Marx e marxismo; formação da classe operária
inglesa; cultura popular; costumes em comum; o mudanças na relação do trabalho e o
tempo de trabalho; relações de trabalho como objeto de pesquisa; lazer do trabalhador;
experiência de classe. HOBSBAWM, Eric. Sobre História. São Paulo: Companhia das
Letras, 1998. história social; trabalhadores; história vista de baixo e a emergência de
novas abordagens das condições materiais e da vida dos trabalhadores e pobres.
Questão Específica da Linha História Cultural: A partir da bibliografia indicada,
conceitue os termos “prática” e “representação”, problematizando seu lugar no âmbito
da história cultural e discutindo as questões epistemológicas principais que a justificam
como perspectiva peculiar no campo da historiografia.
ESPELHO: O candidato (a) deve dissertar sobre a relação da história cultural com as
áreas que lhes dão suporte teórico (sociologia, antropologia, filosofia), na perspectiva de

mostrar a influência que este quadro teórico tem quanto a formulação de problemas
históricos, método de análise de documento e escrita da história. Devem destacar-se a
partir desta proposição: 1- a relação que se dá, dentro desta perspectiva historiográfica,
entre as práticas culturais e o universo mais amplo da sociedade (política, economia,
social); 2- a relação entre o quadro teórico e a tomada de consciência, por parte do
historiador, de problemáticas serem abordadas na documentação; 3- métodos de análise
da documentação, principalmente no que tange a questão dos lugares de fala que
sustentam os discursos apresentados pelos documentos e/ou por aqueles que produzem
o discurso historiográfico (destacam-se as questões levantadas pela história póscolonialistas e de gênero, as quais questionam a própria figura do historiador como
lugar de fala, ao levantar questões como: há diferença entre uma história escrita por um
homem ou por uma mulher? Há diferença entre uma história escrita por um europeu ou
um latino americano?); 4- Por fim, espera-se que o candidato defina, a partir da
bibliografia indicada, conceitos-chave para a história cultural como os de Prática e
Representação.