Seleção 2026: padrão de resposta da prova escrita

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PADRAORESPOSTA PPGCOM- Edital 2_2025.pdf
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                    UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS​
INSTITUTO DE CIÊNCIAS HUMANAS, COMUNICAÇÃO E ARTES
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM COMUNICAÇÃO
EDITAL Nº 02/2025 - PROPEP-CPG/UFAL/PPGCOM (SELEÇÃO ALUNO
REGULAR)

[QUESTÃO GERAL]
Como as concepções de comunicação apresentadas por França & Simões (2016) e por
Muniz Sodré (2014) contribuem para compreender a Comunicação como ciência e,
simultaneamente,

como um fenômeno social, relacional e histórico? Analise

convergências e especificidades entre as duas abordagens e explique como os autores
definem o objeto da comunicação.
Padrão-resposta:
A pessoa candidata deve enfatizar que compreender a comunicação exige abordagens
que considerem tanto sua dimensão relacional quanto seu papel na constituição do comum. A
complexidade do campo demanda reflexões que superem modelos instrumentais,
reconhecendo a comunicação como processo social que articula sujeitos, práticas e modos de
convivência e organização de um comum que envolve justamente partilhas e experiências
com vistas a transformar uma realidade - e construí-la. Nesse sentido, os textos de França &
Simões (2016) e de Muniz Sodré (2014) oferecem perspectivas complementares e ao mesmo
tempo inovadoras para pensar a Comunicação como campo de conhecimento e seu objeto,
aquilo que a particulariza para além de uma visão superficial como uma área interdisciplinar.
A pessoa candidata deve, em algum momento, fazer correlações aproximando e
distanciando os autores. Para Vera França & Simões (2016), o objeto da Comunicação é
relacional, constituído nas interações e nas práticas cotidianas que produzem sentido. É
social, portanto, e possui uma dimensão histórica que é basilar para a compreensão do
fenômeno. Essa concepção dialoga com a noção de Muniz Sodré (2014), que entende a
comunicação como organização do comum, sustentada por vínculos, afetos e modos de
presença compartilhada. Ambas as perspectivas convergem ao enfatizar que a comunicação
funda o social, mas divergem no foco analítico: enquanto França & Simões (2016) se
debruçam sobre a constituição do objeto e os desafios epistemológicos do campo, Sodré
(2014) desloca o olhar para a dimensão ontológica da comunicação como base da vida
coletiva. Assim, a comunicação é simultaneamente processo relacional e expressão do

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comum, articulando microdinâmicas de interação e macroestruturas simbólicas de
convivência.
As contribuições de Sodré (2014) ampliam o debate ao introduzir a transversalidade
epistemológica, mostrando que a comunicação não pode ser reduzida a nenhum regime
disciplinar estável ou materialidade específica. Sua ênfase na densidade simbólica do comum
complementa a atenção de França & Simões (2016) às práticas interacionais e aos desafios da
definição do objeto. Se França & Simões (2016) problematizam “o que é” o objeto
comunicacional, Sodré (2014) desloca o problema para “o que a comunicação faz”, isto é,
constituir coletividade e produzir vínculos.
É desejável que a pessoa candidata conclua sintetizando que aproximar essas
perspectivas fortalece o campo da Comunicação, permitindo entendê-lo tanto a partir de sua
definição epistemológica quanto como dimensão constitutiva da vida social.

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[LINHA 1]
Com base na discussão sobre cosmopolítica (Hui, 2020) e plataformização (Poell,
Nieborg & van Dijck, 2020), de quais maneiras as plataformas digitais têm
reconfigurado a relação entre técnica, cultura e vida social? Em sua análise, considere
aspectos estruturais (como infraestruturas, modelos de funcionamento, lógicas políticas
e enraizamento social) e/ou conceituais envolvidos nessa reconfiguração.
Padrão-resposta:
A pessoa candidata deve enfatizar que compreender as tecnologias digitais
contemporâneas exige integrar dimensões técnicas, econômicas, políticas e epistemológicas.
As plataformas reconfiguram práticas sociais e institucionais, operando como infraestruturas
que moldam modos de produção, circulação e interação. Poell, Nieborg & van Dijck (2020)
demonstram que a plataformização envolve regimes privados de governança, padrões
algorítmicos e lógicas de extração de dados que afetam diretamente a organização da vida
social.
A pessoa candidata deve propor articulações entre os autores. Enquanto Poell,
Nieborg & van Dijck (2020) descrevem como as plataformas estruturam ecossistemas
sociotécnicos baseados em dependência infraestrutural e assimetrias de poder, Yuk Hui
(2020) argumenta que essas tecnologias expressam uma cosmologia técnica específica
(moderna e ocidental), orientada pela eficiência e padronização. Ambos contribuem para
mostrar que a plataformização não é neutra, mas resultado de racionalidades técnicas
hegemônicas.
Também deve apontar convergências e diferenças. Os primeiros enfatizam as
dinâmicas materiais e econômicas das plataformas; já Hui (2020) destaca a dimensão
filosófico-epistemológica, propondo a tecnodiversidade como alternativa à monocultura
tecnológica. Juntos, revelam que compreender as plataformas exige olhar tanto para suas
estruturas quanto para as visões de mundo que as sustentam.
A pessoa candidata pode indicar exemplos práticos, mostrando como análises de redes
sociais, aplicativos ou serviços digitais podem articular efeitos materiais da plataformização

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(visibilidade, vigilância, governança) com a crítica de Hui às cosmologias técnicas
dominantes.
É desejável que a pessoa candidata conclua sintetizando que integrar esses autores
permite compreender a plataformização como fenômeno sociotécnico e, ao mesmo tempo,
como expressão de uma visão de mundo particular, posicionando a Comunicação como
campo privilegiado para analisar disputas sobre técnica, poder e modos de vida no
contemporâneo.

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[LINHA 2]
A partir das discussões de Fiori (2024) e Spivak (2010), explique como a concepção de
poder é fundamental para compreender as dinâmicas e fluxos globais de comunicação e
informação em um contexto marcado por intensas disputas geopolíticas e discursivas
que reforçam estruturas de dominação e subalternidade. Em sua análise, discuta as
proximidades e distanciamentos entre as perspectivas dos autores, apontando os
impactos das dinâmicas de poder na produção, circulação e consumo de informações a
partir de narrativas totalizantes.

Padrão-resposta:
A pessoa candidata deve demonstrar como as dinâmicas de poder incidem sobre os
fluxos globais de comunicação, impactando as macro e micro-estruturas das sociedades a
partir de práticas organizativas no sistema global de expansão e exploração, mas também
através de linguagens, epistemologias e subjetividades de grupos marginalizados. Mesmo
partindo de tradições teóricas distintas, Spivak (2010) e Fiori (2024) constroem uma
abordagem crítica aos processos de dominação e subalternização a nível macro e micro das
sociedades, dialogando com a tradição marxista, mas indo além dela.
Nesse sentido, é preciso apontar as abordagens gerais sobre os autores e a
interconexão entre eles, especialmente no que diz respeito à compreensão sobre poder e
desigualdade como produtos historicamente construídos pelos grupos dominantes, o que é
intensificado pelo capitalismo. Se, para Fiori (2024), o poder se ancora em macro-estruturas
que funcionam a nível global, ainda que não atuem só na dimensão econômica (mas
igualmente política), Spivak (2010) se ocupa em pensar o funcionamento do poder como
discurso que incide sobre as micro-estruturas que atravessam os sujeitos através da linguagem
e processos de subjetivação.
O subalterno surge como uma representação de um ente colonizado, historicamente
situado às margens do sistema colonial e, por extensão, capitalista, não sendo possível
compreendê-lo fora das dinâmicas de poder e comunicação que o produziram - e continuam a

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produzi-lo - historicamente. Para a autora, o subalterno só pode falar à medida que sua voz é
traduzida pela lógica dominante colonial. No âmbito da comunicação, vemos isso
constantemente ser traduzido através de narrativas hegemônicas que constroem o sujeito
subalterno como um outro universal, estranho à “civilização” eurocêntrica.
Espera-se que as respostas explorem os diferentes pontos de vista dos autores naquilo
que contribuem para os estudos de comunicação, demonstrando como a interdisciplinaridade
da abordagem comunicacional (mas não só ela) que se vale de leituras como essas possam
explicar as disputas globais de sentidos e poder que naturalizam as perspectivas dominantes.
De um lado, a partir das macro-estruturas do poder global (Estados, hegemonias, sistema
capitalista), de outro, trazendo as micro-estruturas de poder e linguagem que operacionalizam
processos de silenciamento e colonialismo epistêmico
As pessoas candidatas devem, no mínimo, identificar: quem domina o poder global
controla narrativas; quem ocupa posições subalternas tem sua fala mediada, deslegitimada ou
apagada; entender como síntese que a comunicação é um instrumento e efeito das relações de
poder global.

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