Edson Correia de Lima Feijó
O MAL-ESTAR NA CIVILIZAÇÃO HOJE: Uma releitura do clássico freudiano aplicada ao contexto atual
Resumo
Esta dissertação analisa o mal-estar contemporâneo a partir de uma releitura da obra O mal-estar na civilização (1930), buscando compreender como a tensão estrutural entre sujeito e cultura se mantém ao longo do tempo, ainda que assuma feições distintas no século atual. A problemática central consiste em investigar como a sociedade contemporânea, marcada pela cultura do desempenho, pela fragilidade dos vínculos e pela valorização intensa do autocontrole emocional, transforma a busca por bem-estar em exigência normativa, aprofundando sentimentos de insuficiência, ansiedade e exaustão. A pesquisa tem como objetivo examinar essas novas formas de sofrimento à luz dos conceitos freudianos de renúncia, sobrecarga pulsional e conflito psíquico, articulando-os a autores que refletem sobre a subjetividade atual, como Byung-Chul Han, Zygmunt Bauman, Paula Sibilia, Christian Dunker, Joel Birman e Vladimir Safatle. Metodologicamente, desenvolve-se por meio de uma leitura hermenêutica e crítica de Freud e de um diálogo interpretativo com esses pensadores, formulando a hipótese de que o mal-estar contemporâneo emerge justamente da tentativa de atender ao ideal de equilíbrio emocional permanente. Estruturalmente, organiza-se pela contextualização da obra freudiana, pela análise das manifestações atuais do sofrimento e pela avaliação das contribuições e limites da teoria de Freud diante das exigências do nosso tempo. Conclui-se que compreender o malestar contemporâneo implica reconhecer que a vida humana é atravessada por tensões inevitáveis e que amadurecer consiste em acolher os próprios limites, evitando interpretar a vulnerabilidade como falha, mas como expressão legítima da condição humana.