Mirella Thalita Santos Teixeira
O problema da natureza humana e da razão para o entendimento das desigualdades entre homens e mulheres na sociedade: uma contraposição de Wollstonecraft à filosofia de Rousseau
Resumo
Este trabalho investiga, a partir das filosofias de Jean- JacquesRousseau e Mary Wollstonecraft, a problemática da definição da natureza humana e suas implicações na desigualdade entre os sexos. Rousseau defende que a submissão feminina está relacionada à natureza, de que as mulheres foram feitas como seres dependentes e que, por isso, sua educação deve seguir esse princípio. Com isso ele justifica uma separação de papéis sociais baseado em uma suposta inferioridade física feminina. Wollstonecraft, por outro lado, critica essa concepção e argumenta que as mulheres devem se desenvolver intelectualmente para exercer plenamente sua racionalidade, autonomia, conquistar sua independência e se tornarem seres úteis na sociedade, isto é, boas cidadãs. O objetivo desta apresentação é apresentar a crítica da autora britânica ao pensador genebrino, explorando como sua filosofia reformula e desafia concepções naturalistas sobre gênero em pleno século das Luzes. Mostrar a contestação da filósofa no que se refere a associação entre força física e inferioridade feminina, enfatizando que a razão é um dom divino compartilhado por todos os seres humanos e que deve ser cultivada igualmente em homens e mulheres, pois com o aperfeiçoamento da razão os seres humanos se tornam seres virtuosos, adquirem conhecimento e participam ativamente na construção da sociedade. A pensadora inglesa, ao vincular sua defesa da educação feminina aos ideais iluministas, desafia a exclusão das mulheres das instituições públicas e questiona as estruturas patriarcais que restringem sua participação na vida política e intelectual. Dessa forma, esta investigação busca evidenciar como Wollstonecraft não apenas rebate os argumentos do filósofo genebrino, mas, também, propõe uma reconfiguração da própria noção de cidadania e do papel das mulheres na sociedade. Em um contexto mais amplo o presente trabalho contribui para um debate contemporâneo sobre a permanência de ideias naturalizantes e sua influência na construção de desigualdades estruturais presentes na atualidade.