Programação - Forúm IX PPGH 2026.pdf
Programação - Forúm IX PPGH 2026.pdf
Documento PDF (574.7KB)
Documento PDF (574.7KB)
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
INSTITUTO DE CIÊNCIAS HUMANAS, COMUNICAÇÃO E
ARTES
PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA
PROGRAMAÇÃO - XIX Fórum do PPGH-UFAL
Horário
Terça
Quarta
Quinta
A
s
16/Junho
17/Junho
18/Junho
Definir
14h-18h
Mesa de Abertura;
Apresentação
Apresentação de
Reunião
Elias Veras (PPGH);
de trabalhos. (
trabalhos. (Sts: 8; 9)
Discente
(Definir) FAPEAL; Walter
STs: 4; 5; 6)
Mathias (PROPEP);
Andreza Lins
Representação Discente Turma 2026.
Mediação: Profa. Dra.
Irineia Franco.
Palestra de Abertura:
“Fazer História: desafios
da pós graduação no
Nordeste” - Profa. Dra.
Patricia Melo (UFAM).
Mediação: Profa. Dra.
Irineia Franco
19h-21h
Apresentação de trabalhos.
Apresentação
Palestra de
(STs: 1; 2; 3)
de trabalhos.
Encerramento:
(ST:7)
“Passados presentes:
em defesa das
histórias e
historiografia de
trabalhadores e
trabalhadoras.”-Prof.
Dr. Marcelo Goes
“A pesquisa
histórica na
pós-graduação:
alegrias, desafios,
propósitos”-Prof. Dr.
Anderson Vieira;
Mediação: Profa.
Dra. Ana Paula
Santana
Simpósios Temáticos [Sala a definir]
Terça Feira (16/06)- 19:00- 21:00
ST 1-Coordenadora -Flávia Maria de Carvalho
1) Flávia Maria de Carvalho
Título: "Senhor D'Aquém e D'Além Mar"; uma revisão crítica sobre os "domínios"
portugueses em Angola (século XVII)
Resumo:A comunicação tem como objetivo apresentar um panorama dos estudos que venho
realizando sobre as sociedades da África Centro Ocidental, com ênfase nas relações de
poder estabelecidas entre as elites políticas locais e os conquistadores portigueses durante a
segunda metade do século XVII.
2) Denivan Costa de Lima (Denis Angola)
Título: “Movimentos que falam: a atuação do Mestre Caveirinha na trajetória da capoeira
em Alagoas (1980-2000)”
Resumo: Este trabalho investiga a trajetória da capoeira em Alagoas e analisa criticamente
a atuação do Mestre Caveirinha entre as décadas de 1980 e 2000. Parte-se da compreensão
da capoeira como espaço de disputas simbólicas, memória e identidade, atravessado por
tensões raciais e políticas. A pesquisa utiliza história oral e fontes documentais, dialogando
com autores como Beatriz Nascimento, Stuart Hall e Alessandro Portelli. Destaca-se o papel
de Caveirinha na institucionalização da capoeira local, ao mesmo tempo em que se
problematizam questões de branquitude, legitimidade e memória.
3) ESTHEFANY SANTOS DA SILVA
Título: Memória urbana e apagamento da cultura afro-brasileira: uma análise dos nomes
das ruas nos bairros do Prado, Ponta Grossa, Levada, Trapiche e Bom Parto em Maceió
(AL)
Resumo: A cidade, enquanto espaço social e simbólico, constitui-se como um importante
suporte de memória. Os nomes das ruas, longe de serem neutros, expressam escolhas
políticas, culturais e históricas que revelam quais sujeitos e acontecimentos são dignos de
reconhecimento público. Em Maceió, especialmente após o Quebra de Xangô, observa-se
um processo histórico de repressão e apagamento das manifestações afro-brasileiras, que
impactou diretamente a visibilidade dessas culturas no espaço urbano. Tal fenômeno levanta
a hipótese de que a memória oficial da cidade — expressa, por exemplo, na nomeação de
ruas — pode reproduzir esse silenciamento. Nesse sentido, investigar os nomes das ruas de
bairros populares como Prado, Ponta Grossa, Levada, Trapiche e Bom Parto permite
compreender como a consciência histórica coletiva é construída, disputada e, muitas vezes,
excludente
4) Luciana Juvêncio Silva
Título: Terra negra e palmarina: a luta antirracista em Alagoas na década de 1990
Resumo: Na segunda metade do século XX, o estado de Alagoas tem seu histórico marcado
por articulações e estratégias que visavam a representatividade negra através de entidades
que integravam em seu discurso a superação do racismo através de práticas
político-pedagógicas. A década de 1990 sucedeu um período fértil na história brasileira,
com relação à criação e avanço dos movimentos sociais, especialmente na década de 1980,
como a criação da Associação Cultural Zumbi (ACZ). Devido ao fim da organização em
1992, o presente trabalho tem como objetivo historicizar as lutas antirracistas alagoanas na
década de 1990, investigando as diferentes esferas de atuação, com a finalidade de analisar
as continuidades e ramificações em torno da visibilidade negra de forma política em
Maceió/AL.
5) Paulo Victor de Oliveira
Título: Braz Caroatá e as ambivalências da cidadania negra em Maceió no pós-abolição
Resumo: Esta pesquisa analisa os processos de inclusão cidadã da população negra no
imediato pós-abolição em Maceió – AL, a partir da trajetória biográfica de Braz Caroatá.
Tipógrafo negro, participante ativo das irmandades católicas de homens de cor, das
associações de trabalhadores e das militâncias abolicionista e republicana, Caroatá construiu
redes de sociabilidade que lhe garantiram visibilidade e legitimidade pública. Com a
Proclamação da República, ingressou no Comissariado de Polícia, onde exerceu funções que
incidiam diretamente sobre o mundo do trabalho, da religião, da cultura e da vida familiar
da população negra maceioense. Sua atuação foi marcada tanto pela busca de inserção social
dos emancipados quanto por iniciativas moralizadoras. O estudo de sua trajetória permite
identificar os “termos de inclusão” formulados naquele contexto republicano. Permite
também compreender a agência de lideranças negras que, ao pretender assumir a tutela dos
emancipados, reproduziam práticas disciplinadoras e, ao mesmo tempo, contribuíam para
definir os contornos das expressões culturais consideradas legítimas. A pesquisa combina a
reconstrução micro-histórica da trajetória de Braz Caroatá, realizada por meio da técnica da
ligação nominativa de fontes, às abordagens da história social, articulando experiências
individuais e estruturas sociais. O estudo dialoga com a historiografia do pós-abolição,
especialmente com os debates sobre racialização, cidadania negra e moralização social no
contexto republicano. Nossa hipótese é que a trajetória de Caroatá ilustra simultaneamente
as estratégias de ascensão social da elite negra de Maceió e as contradições de uma inclusão
cidadã estruturada sob práticas de tutela e moralização. Essas práticas abriam brechas para
reconhecimento social e político, mas também reafirmavam hierarquias raciais e restringiam
a plena cidadania dos setores populares negros.
6) Rayane Cristina da Silva
Título: A INCOMPLETUDE DA ABOLIÇÃO: trabalho análogo à escravidão e
permanências estruturais no Brasil republicano, com foco no Agreste de Alagoas
(1980–2010)
Resumo: O presente estudo busca, a partir do tensionamento da abolição formal da
escravidão no Brasil, ocorrida em 13 de maio de 1888, analisar como as estruturas sociais e
econômicas consolidadas no cenário nacional contribuíram para a permanência e adaptação
das formas de exploração do trabalho no meio rural brasileiro, especialmente na região
Agreste de Alagoas, no período compreendido entre 1980 e 2010. Para tanto, a pesquisa
mobiliza uma revisão bibliográfica fundamentada nos debates sobre pós-abolição, trabalho e
cidadania desenvolvidos por autores como Sidney Chalhoub (2011), Angela de Castro
Gomes (2018) e Regina Beatriz Guimarães Neto (2018). Partindo dessas discussões, o
trabalho pretende aprofundar as reflexões acerca da permanência de formas de trabalho
marcadas pela precarização, coerção e violação da dignidade humana. Tais relações de
exploração encontram sustentação em dinâmicas sociais historicamente construídas,
atravessadas pela discriminação, pela servidão por dívidas e por práticas paternalistas
estabelecidas entre trabalhadores rurais e proprietários de terra. Dessa forma, a pesquisa
busca contribuir para os debates do tempo presente acerca do pós-abolição e do trabalho
análogo à escravidão no Brasil republicano, destacadamente em Alagoas, evidenciando a
permanência e a contínua reformulação de mecanismos históricos de exploração laboral no
recorte temporal indicado.
__________________________________________________________________________
ST 2- Coordenador-Anderson Vieira Moura
1) Anderson Vieira Moura
Título: A historiografia da Abolição em Alagoas: limites e tendências
Resumo: A historiografia alagoana da virada do século XIX para o XX sempre tratou a
Abolição e o movimento abolicionista de forma muito tangencial. Quando muito
associavam o fim da escravidão com o fim da Monarquia. Ao longo do século XX, tais
temas seguiram negligenciados com raríssimas exceções. Somente nas primeiras décadas do
século XXI que o abolicionismo ganhou destaque em nossa produção, mormente por meio
do PPGH da UFAL. O intuito dessa comunicação é traçar uma linha interpretativa acerca
dessa temática na produção alagoana, buscando aproximações, distanciamentos e
tendências, para, no fim, entender a Abolição enquanto movimento social, cultural e político
e a sociedade que “surgiu” imediatamente depois.
2) WILLAMES DE SANTANA SANTOS
Título: ““GUTE, GUTE, GUTE” – A TRAVESSIA DO SERTÃO PELA VOZ DE JOSÉ
CATARINO: UMA ESCUTA SENSÍVEL DE HISTÓRIA ORAL ENTRE BAHIA E
SERGIPE””
Resumo: O artigo “Gute, Gute, Gute – A Travessia do Sertão pela Voz de José Catarino”,
morador do povoado Podoroso da cidade de Itabaianinha/SE apresenta uma narrativa de
vida marcada pela oralidade, pela experiência da seca e pela migração sertaneja no Nordeste
brasileiro. A partir da entrevista com José Catarino, realizada e degravada pelo autor, o
trabalho busca compreender como a memória individual se entrelaça à história coletiva das
populações rurais nordestinas, revelando práticas de sobrevivência, solidariedade e
resistência diante das adversidades climáticas e sociais. Com base em referenciais da
história oral e da etnografia, a pesquisa propõe-se a valorizar as vozes e experiências
populares como fontes legítimas de conhecimento histórico, preservando fragmentos da
cultura sertaneja e da vida camponesa em suas dimensões simbólicas e cotidianas.
3) João Vitor Romão de Castro
Título: Do Movimento Escola Sem Partido à Lei nº 7.800/2016: neoliberalismo,
conservadorismo e o ensino de história em Alagoas (2016-2023)
Resumo: A pesquisa analisa redes neoliberais-conservadoras no Ensino de História
(2016-2023), focando no movimento Escola Sem Partido e na Lei nº 7.800/2016 de
Alagoas. Usando História do Tempo Presente e análise de conteúdo, investiga como esses
grupos, articulados a um projeto autoritário, influenciaram o debate educacional, a
legislação e a formação docente. A lei alagoana exemplificou a tentativa de impor uma
visão moralizante e negacionista. Conclui-se que o movimento, amplificado pelo digital,
ameaçou os fundamentos democráticos do Ensino de História.
4) Lucas Martírio de Araújo
Título: Samba e as escolas de samba em Maceió (1979-1989): Ditadura, polissemia e
território.
Resumo: Este trabalho investiga as escolas de samba em Maceió entre 1979 e 1989,
entendendo o samba como experiência cultural, política e territorial, e não apenas como
gênero musical. A pesquisa analisa jornais impressos para mostrar como essas agremiações
foram retratadas em meio à ditadura e à transição democrática, destacando conflitos,
silenciamentos, disputas com o poder público e a força das identidades negras e populares
nos bairros e nas ruas da cidade.
5) Érica de Oliveira Santos Ferreira
Título: ENTRE A TERRA E A SOBREVIVÊNCIA: Memórias e experiência dos
Trabalhadores rurais de Palmeira dos Índios
Resumo:Palmeira dos Índios constituiu-se como município de forte base rural, marcada
pela produção agrícola e pelas relações entre trabalhadores rurais, terra e trabalho. Entre as
décadas de 1950 e 1960, em meio ao discurso de modernização difundido sobretudo durante
o governo de Juscelino Kubitscheck, a cidade buscava afirmar-se como moderna, enquanto
invisibilizava as experiências e condições de vida desses sujeitos. O trabalho rural garantiu
sobrevivência familiar, construção de sociabilidades e permanência no campo diante da
precarização e da ausência de políticas públicas. Nossos aportes teórico-metodológico estão
embasados nos pressupostos de Foucault (1979), Benjamim (1996) e Albert (2005).
6) Alex Benedito Santos Oliveira
Título: A Pastoral da Pesca em Alagoas é a formação dos núcleos educacionais de
trabalhadores em Alagoas. 1982 a 1992
Resumo: Este estudo aborda o período de 1982 a 1992 na historiografia brasileira e
alagoana. Sua importância reside na compreensão da reconstrução de sujeitos históricos no
espaço de participação política popular dos trabalhadores durante e após a Ditadura Civil
Militar. Mediante a análise das Escolas Comunitárias de Pescadores, organizadas pela Igreja
Católica e pela Comissão Pastoral dos Pescadores, com a implementação das escolas de
alfabetização, examinaremos as atividades dos grupos políticos de pescadores gestados pela
atividade pedagógica.
__________________________________________________________________________
ST 3- Coordenadora- -Roberta dos Santos Sodó
1) Roberta dos Santos Sodó
Título: O topless na política
Resumo: Esta proposta de comunicação é voltada ao debate da performance do topless em
tempos recentes. Atrelado aos movimentos feministas da década de 1960, que
reivindicavam entre outras coisas a liberdade sexual das mulheres, o topless reforçou o
debate em torno dos direitos corporais – acentuado após o final da Segunda Guerra Mundial
e pela criação da engenharia genética na década de 1970. No Brasil, a performance teve
mais alcance somente no período de redemocratização e, do ponto de vista global, é até hoje
utilizada como forma de chamar atenção para pautas políticas, utilizando o pudor social,
relativo ao corpo nu das mulheres, em especial dos seios, como uma estratégia de
visibilidade e criação de "lugar de aparecimento" para pautas feministas ou protestos que
carregam o ponto de vista específico das mulheres. Para fomentar essa discussão e sua
pertinência atual, o trabalho de análise histórica tem se apoiado na pesquisa documental e
bibliográfica, assim como nos debates feministas interseccionais.
2) Lucas Fernando da Silva Soares
Título: O ALINHAVAR É O MERGULHO NO COURO CANGACEIRO DAS
MARGENS DO RIO SÃO FRANCISCO AO CENTRO URBANO DE MACEIÓ
Resumo: O presente artigo propõe compreender a aparência cangaceira como uma
expressão artística e cultural, analisando-a não apenas como produtora de sentidos, mas
também como resultado de práticas criativas desenvolvidas por sujeitos ligados ao universo
do cangaço, como cangaceiros, ferreiros e artesãos do couro. O estudo destaca as
experiências socioculturais desses indivíduos e a construção de identidades culturais
compartilhadas por meio da confecção de peças em couro. A pesquisa apresenta um recorte
de campo sobre as heranças e procedências da costura do couro, desde o bando de Lampião
até a permanência dessa tradição nas ruas de Maceió.
3) Paula Santos da Silva
Título: Mulheres, militância e repressão na ditadura empresarial-militar
Resumo: A ditadura empresarial-militar brasileira (1964-1985) consolidou um rearranjo
político entre Estado autoritário, empresariado industrial e latifúndio, preservando estruturas
históricas de repressão social. Nesse contexto, o patriarcado, historicamente reconfigurado
no capitalismo, adaptou-se às necessidades do regime, aprofundando mecanismos de
controle e violência contra as mulheres. Consideradas desviantes por desafiarem a ditadura e
os papéis tradicionais de gênero, mulheres militantes tornaram-se alvo de repressão política
e moral. Assim, capitalismo, patriarcalismo e autoritarismo atuaram conjuntamente no
silenciamento da participação política feminina.
4) Igor Ribeiro dos Santos
Título: ANARQUISMO NO NORDESTE: BREVE ANÁLISE HISTORIOGRÁFICA
Resumo: O objetivo desta comunicação é apresentar como a experiência anarquista no
Nordeste da Primeira República é abordada na historiografia brasileira. O movimento
operário brasileiro, de modo geral e, em especifico o anarquismo do período de nosso
interesse, tornou-se objeto de estudo da história na década de 1970; antes disso tinha apenas
os escritos dos próprios militantes e os primeiros estudos sociológicos sobre o tema, esses
dos anos de 1960. Em meados de 1990, a historiadora, Silvia Regina Ferraz Petersen,
demonstrou que a maioria das obras sobre o movimento operário, inclusive aquelas que
carregam em seus títulos a descrição de estudo sobre o “Brasil”, trataram, em grande
proporção, da história do movimento operário em São Paulo e no Rio de Janeiro, deixado de
fora, salvo algumas exceções, outras regiões e grandes centros do país. Contribuindo,
também, com a transformação do eixo Rio-São Paulo em “centro definidor de sentido”. Em
quase a totalidades das obras o anarquismo no Nordeste não aparece. Talvez, aquilo que foi
construído em uma primeira fase da história do movimento operário brasileiro, tenha
contribuído com a visão que não permitiu vislumbrar uma atuação anarquista no Nordeste,
como a ideia de ser esta uma ideologia impulsionada por imigrantes europeus, por exemplo.
Esta visão oblitera, ainda, a percepção sobre a participação dos trabalhadores nacionais
negros, bem como as mulheres no anarquismo. Com o surgimento dos programas de
pós-graduação em história nas universidades do Nordeste, alguns estudos começaram a
despontar. Todavia, sobre o anarquismo, não necessariamente no Nordeste, a
problematização sobre a sua hegemonia no movimento operário começou a ser debatida e
questionada ainda nas primeiras pesquisas em história sobre o tema. Muitas pesquisas
revelaram que o movimento operário brasileiro era diverso em sua composição e, embora
tivesse grande relevância, não havia a predominância anarquista. Do questionamento da
hegemonia do anarquismo, partiu-se, em alguma medida, para a tentativa de desvinculação
desta ideologia e de estratégias que foram alavancadas por seus adeptos. Como, por
exemplo, ao demonstrar que o as experiências dos sindicatos em São Paulo não tinham
como principal fator o anarcossindicalismo e sim o Sindicalismo Revolucionário, o que é
correto, a historiadora Edilene Toledo, deu margem para as interpretações errôneas de que o
anarquismo não teve ligação com aquela modalidade de sindicalismo. Todavia, apesar de
inúmeros problemas, o sindicalismo revolucionário é um fecundo caminho para análise do
anarquismo no Nordeste. Localizar esta ideologia no espaço delimitado, ou melhor, o que a
historiografia trás sobre ele, nos força o mergulho nas entrelinhas o nos “não ditos”, uma
vez que é notária a sua ausência. Portanto, esclarecemos desde já que não se trata de uma
pesquisa bibliográfica exaustiva, mas um breve estudo, início de uma pesquisa que pretende
ser maior. Para tanto, buscamos eleger critérios para elencar quais obras seriam utilizadas
para esta comunicação. Pensamos, deste modo, que poderíamos escolher os estudos de
reconhecido destaque, como aqueles que são referenciados com grande frequência nos
projetos sobre o tema. Assim, destacamos nomes como Paulo Sérgio Pinheiro, Michael
Hall, Boris Fausto, Edgar Carone, Claúdio H. M. Batalha, Sheldon Lelis Maram, Jonh W. F.
Dullys, Tiago Bernardon de Oliveira, Edilene Toledo, entre outros. Além das obras destes
autores, nos valemos de outros estudos sobre a historiografia do movimento operário
brasileiro, como os de Silvia Regina Ferraz Petersen e Cláudio H. M. Batalha.
Palavras-chave: Anarquismo, Nordeste, Historiografia.
5) José Rinaldo Queiroz de Lima
Título: ESTARIA ERRADO CASO NÃO FOSSE CENSURADO: AGRESSÃO E
REPRESSÃO CONTRA O MOVIMENTO PUNK NO NORDESTE (1983-1991)
Resumo: O trabalho tem como proposta debater a história do movimento punk na Região
Nordeste do Brasil, tendo como marco temporal os anos entre 1983 a 1992. Sendo assim, o
Nordeste é abordado enquanto espaço diversificado em termos políticos, sociais, culturais e
geográficos, com características que influenciam a formação de movimentos sociais e
culturais de luta e resistência. Assim, buscamos compreender através do debate
historiográfico, o contexto e as temporalidades em que o movimento foi formado na região,
observando a experiência social e cultural dos seus participantes, e também a militância do
movimento após a sua formação, que se dar ainda no contexto de ditadura militar. Com
todos os aparelhos de repressão agindo intensamente para segurar a ditadura, o movimento
punk foi censurado e perseguido pelos militares. No entanto, toda repressão deflagrada
contra o movimento se revertia em combustível para o seu fortalecimento, dando
continuidade à sua atuação numa perspectiva política, social e cultural. A censura não
impedia que as bandas fizessem músicas e escrevessem fanzines protestando contra o estado
ditatorial e as injustiças sociais. A repressão não conseguiu impedir as manifestações de rua
e os eventos culturais. A produção musical e literária de protesto do movimento era feita de
forma direta para que o governo soubesse que tinha um grupo de pessoas dispostas e
preparadas para o confronto direto. Para os punks, caso não fossem censurados ou
perseguidos, não estavam cumprindo com os seus objetivos. Por isso, nada era feito de
forma camuflada ou com duplo sentido, era tudo feito de forma direta e escrachada, a ideia
era está sempre em evidência. O movimento punk estava disposto a mostrar qual o seu
intuito, sempre se mostrando. O debate realizado nesta pesquisa parte da análise de fontes
documentais escritas, audiovisuais e fontes orais, sendo as oralidades preponderantes para o
debate da história. Relatos que foram cruzados entre si e com as fontes documentais, que
também foram confrontadas.
6) Cássio Júnio Ferreira da Silva
Título: ENTRE MEMÓRIAS E SILÊNCIOS: HISTORIOGRAFIA DAS VIOLAÇÕES DE
DIREITOS HUMANOS CONTRA POVOS INDÍGENAS DURANTE A DITADURA
CIVIL-MILITAR A PARTIR DO RELATÓRIO FIGUEIREDO (1964-1967)
Resumo:O trabalho discute as graves violações de direitos humanos cometidas contra os
povos indígenas durante a ditadura civil-militar brasileira (1964–1985), evidenciando como
essas violências foram historicamente silenciadas. A partir da Comissão Nacional da
Verdade (CNV), novos elementos emergiram, revelando ao menos 8.350 indígenas mortos
em decorrência de ações ou omissões do Estado. O estudo também aborda o papel das
memórias subterrâneas, conforme Michael Pollak (1989), e o conflito entre narrativas sobre
o período. Destaca-se ainda a redescoberta do Relatório Figueiredo, documento essencial
para compreender os crimes praticados pelo antigo SPI, encontrado em 2012 no acervo do
Museu do Índio. A análise dialoga com abordagens contemporâneas da História, como a
cosmo-história proposta por Seixlack (2023), e discute como modelos de desenvolvimento
associados ao Antropoceno se relacionam com a violência contra povos originários.
7) ALEXANDRA EMELLY ROTONDARO MAIA
Título: Vidas à Margem da Cidade - Gatos Comunitários, Vulnerabilidade Socioambiental
na Cidade Baixa de Maceió
Resumo: O presente artigo apresenta o projeto “Animais Invisíveis: Catálogo de Animais
Comunitários e de Rua no Entorno da Escola Estadual Prof.ª Guiomar de Almeida Peixoto”,
desenvolvido no âmbito da disciplina Projeto Integrador do Novo Ensino Médio, como uma
experiência pedagógica que articula investigação científica, educação ambiental,
sensibilidade social e protagonismo estudantil. A iniciativa parte da constatação da presença
significativa de gatos comunitários e em situação de rua nos bairros que circundam a
unidade escolar, sobretudo Prado, Ponta Grossa, Levada e Vergel. Trata-se de uma realidade
historicamente naturalizada e socialmente invisibilizada pela rotina urbana, marcada pela
ausência de políticas públicas eficazes de controle populacional, cuidado animal e educação
ambiental, o que contribui diretamente para a superpopulação de gatos expostos a doenças,
maus-tratos silenciosos e a uma alimentação irregular, muitas vezes limitada a restos de
comida descartados em sacos de lixo.
***
Quarta- Feira (17/06)- 14:00- 18:00
ST4 – Coordenador Anderson Almeida
1) Lídia Baumgarten, Anderson da Silva Almeida
Título:O HOLOCAUSTO COMO “LUGAR” DE MEMÓRIA E PEDAGOGIA:
REFLEXÕES À LUZ DA CONSCIÊNCIA HISTÓRICA POR MEIO DE IMAGENS,
NARRATIVAS E DE UMA EXPERIÊNCIA
Resumo: A presente comunicação discute acerca do Campo de Concentração de
Bergen-Belsen, do Memorial do Holocausto e do Centro de Memória de Resistência Alemã
- Alemanha -, a partir de visitas realizadas ao campo e aos demais centros de memória pelos
autores em fevereiro deste ano. Nesta, também serão apresentadas fotografias tiradas pelos
autores no momento das visitas e duas entrevistas. Uma com um professor e outra com um
familiar próximo de um dos autores(a). Ambos são de origem alemã. As entrevistas foram
realizadas no Centro de Memória de Resistência Alemã - Gedenkstätte Deutscher
Widerstand. Nas últimas décadas, o ensino de História tem sido atravessado por demandas
sociais, políticas e culturais que tensionam os modos tradicionais de narrar o passado. Nesse
contexto, a noção de consciência histórica, desenvolvida por Jörn Rüsen (2010), destaca-se
como um elemento central para compreender como os sujeitos atribuem sentido ao tempo
histórico, articulando passado, presente e futuro. A consciência histórica não se constrói de
forma isolada, mas está profundamente vinculada à cultura histórica, entendida como o
conjunto de práticas, discursos e representações do passado presentes na sociedade. Nesse
sentido, a cultura histórica, conforme Rüsen (2016), pode ser compreendida como a
expressão concreta da consciência histórica no cotidiano social. A articulação entre a
formação crítica e a emancipação dialoga diretamente com a perspectiva de fortalecer essa
consciência, de modo a orientar a ação na vida prática. A autora Maria Auxiliadora Schmidt
enfatiza que a cultura histórica permeia o cotidiano dos(as) estudantes, influenciando suas
interpretações e aprendizagens. Nesse cenário, emergem os chamados “temas difíceis” (ou
difficult histories), conceito discutido por Bodo von Borries (2007), um dos pioneiros na
discussão sobre o ensino de passados difíceis, como o nazismo e o Holocausto. Defende que
esses temas exigem abordagens críticas e reflexivas, articuladas à consciência histórica.
Nesse sentido, Hannah Arendt (1989) ressalta que a proposta da educação totalitária não era
de inculcar convicções (princípios, crenças, valores), mas, sim de anular a possibilidade de
formação de qualquer uma delas. Outros pesquisadores se referem a passados traumáticos,
controversos ou sensíveis, como ditaduras, genocídios, escravidão, racismo e desigualdades
estruturais. Tais temas desafiam o ensino de História ao exigir abordagens críticas, éticas e
sensíveis, capazes de promover reflexão sem simplificações ou silenciamentos. Portanto,
esse trabalho pretende, dessa forma, discutir acerca da importância dos Centros de Memória,
sobretudo do Holocausto que desempenham um papel essencial na preservação das
experiências e testemunhos relacionados ao genocídio perpetrado durante o regime nazista,
sob a liderança de Adolf Hitler. Esses espaços não apenas mantêm viva a memória das
vítimas, mas também promovem a educação histórica e o combate ao negacionismo, ao
possibilitar o contato com evidências concretas e múltiplas perspectivas sobre o passado.
Assim, contribuem para a formação de uma consciência histórica crítico-genética,
reforçando valores como os direitos humanos, a tolerância e a responsabilidade coletiva
diante de violações e violências extremas.
2) Mariana Ferreira Marques
Título: A CONSERVAÇÃO E RESTAURAÇÃO DE ACERVOS DECORRENTES DE
TERREIROS: DESAFIOS E NOVAS ABORDAGENS NO SÉCULO XXI
Resumo: Este trabalho busca investigar a lacuna de referenciais afro-brasileiros no campo
da Conservação e Restauração de Bens Móveis, historicamente pautado por hegemonias
europeias. Concomitante, analisaremos a Coleção Perseverança (AL), acervo decorrente da
violência do "Quebra de 1912", sob a ótica de novas práticas de salvaguarda. Diante do seu
recente tombamento na esfera federal, e da guarda compartilhada entre IPHAN e IHGAL,
intencionamos discutir a necessidade de metodologias que transcendam a materialidade,
integrando o teor ritualístico as práticas de preservação dos objetos. O estudo propõe um
diálogo entre a técnica da conservação e a cosmogonia de terreiro, buscando tratamentos
éticos que respeitem a integridade física e a dimensão sagrada dessas coleções.
3) KLÉVIO THAWAN SILVA PEREIRA BRITO
Título: CORRIDAS DE CANOAS NO BAIXO SÃO FRANCISCO: a trajetória da Canoa
Geórgia (1980-2026)
Resumo: Este estudo investiga a trajetória da Canoa Geórgia (1980-2026) como um ícone
das “corridas de canoas” – um fato cultural do Sertão, em particular da comunidade
ribeirinha no Baixo São Francisco: Pão de Açúcar-AL. A perspectiva teórica que as
compreendem como fenômenos complexos atravessados por disputas simbólicas, afetos e
temporalidades, é o da História Cultural. A metodologia articula a história oral e a
microanálise para a produção, análise e interpretação das fontes memorialísticas frente aos
impactos ambientais decorrentes da Usina Hidrelétrica de Xingó (1994). O resultado
preliminar da pesquisa insere os agentes, práticas e linguagens da cultura sertaneja na
Historiografia Alagoana.
4) Ewelyn Marilia Lourenço dos Santos
Título: EXPERIÊNCIAS DE OCUPAÇÃO NA GROTA SANTA HELENA (MACEIÓ,
1980-1990)
Resumo: Temos como proposta historicizar as trajetórias de migração da população rural de
Alagoas para zona urbana de Maceió (AL), com foco na ocupação da Grota Santa Helena
entre os anos 1980-1990. Em Maceió, o termo grota refere-se as comunidades periféricas
concentradas em fundos de vales ou encostas, isto é, escondidas entre os bairros (Moraes;
Araújo, 2020, p.38). De certo, seus moradores ao descerem as grotas experienciaram o
estabelecimento de moradias precárias, a permanência na cidade e sociabilidades. Dessa
forma, buscaremos nos aproximar e reconstruir historicamente o modo de vida dos
moradores que reagiram às condições de fixação na capital alagoana.
5) Cassiane da Conceição Ramos Marchiori Bodart
Título: (Re)produção de “Protagonistas históricos” em livros didáticos
Resumo: Será investigado o processo de (re)produção, representação e apropriação de
“protagonistas históricos” em livros didáticos de História no Brasil, com foco no Ensino
Fundamental, anos finais, no período de 2005 a 2024. Supomos que o livro didático
constitui um artefato cultural e político, atuando simultaneamente como instrumento
pedagógico e como dispositivo de legitimação de projetos de sociedade. Nos apoiamos em
abordagens da teoria pós-crítica do currículo e em autores como Chartier, Bourdieu e
Foucault, enfatizando os conceitos de representação, apropriação e poder simbólico. Nossa
hipótese é que as transformações políticas recentes, associadas às lutas de movimentos
sociais e à ampliação do acesso à educação, promoveram uma diversificação das figuras
históricas presentes nos livros didáticos. A investigação busca compreender tanto a
produção das narrativas quanto suas apropriações no contexto escolar, considerando a
relação entre currículo prescrito, editado e vivido.
6) Vitória Moreira Antoniol
Título: Labirintos da (des)razão - a reconstrução do "si" em Dunas, de Breno Accioly.
Resumo: A proximidade entre literatura e história vem se consolidando como um fértil
terreno de exploração. Percebe-se uma maior atenção aos estudos sobre a relação entre a
produção ficcional e o contexto histórico em que o autor está inserido. Abordando o vínculo
entre autor e personagem, uma obra ficcional pode revelar-se como uma fonte
autobiográfica, colocando em foco a maneira como certas personagens são construídas e o
modo como interagem com o mundo fantástico que espelha o real. É sob essa ótica que
abordaremos o romance Dunas, de Breno Accioly, lançado em 1955, enxergando as
correspondências entre o próprio Accioly e a protagonista Sigismundo.
7) Paulo Vitor Barbosa dos Santos
Título: O Estatuto Epistemológico das IAs como Fontes Algorítmicas: Desafios para a
Didática da História e a Formação da Consciência Histórica.
Resumo: A pesquisa proposta pretende investigar o tensionamento provocado pelas
Inteligências Artificiais (IAs) generativas na produção do conhecimento histórico escolar. O
foco reside na análise do estatuto das "fontes algorítmicas" enquanto narrativas
automatizadas que desafiam os critérios tradicionais de veridicidade e autoria. O trabalho
tem como intuito a investigação de como a mediação dessas ferramentas impacta a
arquitetura da consciência histórica de estudantes e docentes da Educação Básica, em um
contexto de transição para uma cultura digital de alta complexidade. O objetivo central é
problematizar as implicações da inteligência artificial na aprendizagem histórica, tendo
como cerne: Analisar os limites da heurística e da hermenêutica histórica diante de textos
gerados por IAs; Investigar a viabilidade de uma "Consciência Histórica Digital
Metacognitiva" como ferramenta de combate à reprodução acrítica de narrativas; E propor
diretrizes para o ensino de História na rede pública de Alagoas que integrem o letramento
digital à matriz do pensamento histórico. O aporte teórico-epistemológico fundamenta-se na
Didática da História e na Educação Histórica, mobilizando o pensamento de Jörn Rüsen
(2012), Peter Lee (2006) e Isabel Barca (2001). PALAVRAS-CHAVE: Epistemologia;
Fontes Algorítmicas; Consciência Histórica; Didática da História; Inteligência Artificial.
8) Marcus Vinícius da Silva Santos
Título: Modelos de conservação da natureza alagoana: políticas públicas ambientais e
atuação comunitária (1983-2023)
Resumo: Esta comunicação expõe os resultados preliminares da investigação e debate dos
acontecimentos que propiciaram a criação das Unidades de Conservação em Alagoas, entre
os anos de 1983 e 2023. Estruturei a sistematização, a análise com o método indiciário e a
interpretação do conjunto de informações históricas coletadas nas fontes documentais –
jornais impressos e planos de manejo –, dialogando teoricamente com o campo da história
ambiental. O objetivo de delimitar às iniciativas de políticas públicas ambientais em
território alagoano com a atuação comunitária, foi alcançado neste modelo de Historiografia
Ambiental.
9) José Roberto Silva de Lima Júnior
Título: A TRANSIÇÃO GERACIONAL DAS COMUNIDADES ECLESIAIS DE BASE
(CEBS) EM MACEIÓ: DESAFIOS E PERSPECTIVAS PARA A JUVENTUDE, A FÉ
CATÓLICA E A TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO (1992-2025)
Resumo: A pesquisa analisa a transição geracional das Comunidades Eclesiais de Base
(CEBs) na Arquidiocese de Maceió (1992-2025). Investiga como a transmissão da cultura
política e religiosa engajada foi obstruída pela restauração conservadora e pela hegemonia
neoliberal. Utilizando o materialismo histórico-dialético e a história oral, o estudo articula
categorias de E.P. Thompson e Gramsci para compreender a formação da classe e o papel
dos intelectuais orgânicos nas periferias alagoanas. O trabalho contribui para o "Fazer
História no Nordeste" ao mapear resistências e silenciamentos eclesiais, fomentando o
debate crítico sobre os modos de pensar a agência social na região.
10) Alex Silva dos Santos
Título: Do discurso do progresso à contaminação do solo:a Revolução Verde e seus
impactos no campo alagoano (2010 e 2023)
Resumo:O artigo problematiza, em perspectiva historiográfica crítica e ambiental, a
consolidação do modelo agroquímico em Alagoas como expressão das contradições do
desenvolvimento e da colonialidade da natureza. Sustenta-se que a Revolução Verde,
articulada ao projeto desenvolvimentista da ditadura Civil-Militar, especialmente por meio
dos PNDs e do PNDA (1972–1980), operou como dispositivo de reorganização do campo,
articulando Estado, capital e ciência e consolidando uma dependência agroquímica. A
análise mobiliza planos estatais, imprensa da ditadura e dados do SINAN, em diálogo com
abordagens Anticoloniais e contribuições da Geografia, demonstrando que, entre
(2010–2023), sua expansão intensifica desigualdades socioambientais e os impactos dos
agrotóxicos no território alagoano.
11) Silvio Rodrigo Laurindo Oliveira de Albuquerque
Título: Sob Suspeita: O Psicólogo na Mira do SNI (1973)
Resumo: Este trabalho analisa o Documento nº 102/40/AC/73 do SNI, responsável pela
difusão, em universidades, da obra Psicopolítica, de Kenneth Goff. Produzido nos EUA, o
panfleto evidencia a inserção da ditadura empresarial-militar na lógica geopolítica da Guerra
Fria. À luz da História Global e de Antonio Gramsci, argumenta-se que os quadros do SNI
exerceram funções de intelectualidade orgânica do bloco no poder, mobilizando aparelhos
privados de hegemonia na disputa cultural da sociedade civil. O documento expressa a
suspeição institucional da psicologia, associada ao comunismo internacional, e revela
tensões em torno da práxis psicotécnica e individualizante dominante no período.
12) Gustavo Bezerra Barbosa
Título:O Carnaval na "Sururulândia": o "protagonismo" negro na festa.
Resumo: A presente comunicação busca investigar a inserção do negro na sociedade
alagoana entre 1930 e 1960 através do Carnaval de Maceió. Sob a ótica da História Social
da Cultura e do método indiciário de Ginzburg, a pesquisa analisa como figuras populares,
como Rás Gonguila e o Moleque Namorador, foram convertidas em "heróis negros" da
folia. Por ora, a hipótese central é que a elite local se apropriou dos saberes desses foliões
aglutinando-os ao seu modelo de festa "civilizatório" como estratégia de estreitamento de
laços, legitimação política e controle das classes subalternas. O corpus documental inclui
jornais da época, memórias e legislação.
__________________________________________________________________________
ST 5- Coordenadora Luana Teixeira
1) Luana Teixeira
Título: Africanos em Alagoas: refletindo sobre pesquisa quantitativa em História
Resumo: A apresentação discute a metodologia empregada na quantificação que subsidiou
a análise do artigo: Origens da população africana em Alagoas analisadas a partir de duas
fontes do século XIX publicado em 2025 pela Revista História em Reflexão. Livros de
passaportes e cobrança da taxa de meia sisa foram os documentos utilizados para produzir
dados sobre 10 nomeações específicas aos africanos em Alagoas. Além de refletir sobre os
métodos para a quantificação, serão apresentadas algumas reflexões acerca dos resultados
obtidos e das possibilidades de continuidade da pesquisa.
2) HILDA MARIA COUTO MONTE
Título: Justiça e Escravidão: A Dupla Instrumentalização do Processo Judicial como forma
de Resistência ou de Reafirmação do Regime Escravista na Alagoas Oitocentista
Resumo: Analisar a história da escravidão no Brasil através do Processo Judicial
envolvendo pessoas cativas na Alagoas do séc.XIX, identificando ecos de resistência e
posicionamento dos escravizados ante o sistema jurídico legislativo de opressão
institucionalizada, bem como a atuação dos agentes judiciários no uso da lei e do processo
para sedimentar o regime opressor e apagar histórica e socialmente as lutas por cidadania e
liberdade dos escravizados
3) José Eduardo da Silva
Título: Entre Garanhuns (PE) e Imperatriz (AL): escravidão, fronteiras e liberdades
Resumo: A partir das dinâmicas da escravidão em espaços fronteiriços, onde os limites
provinciais eram imprecisos, esta pesquisa analisa duas cartas precatórias da década de 1860
entre Garanhuns (PE) e Imperatriz (AL). A proximidade entre as comarcas e o envio da
documentação a Garanhuns reforçam seu papel estratégico na articulação de diferentes
jurisdições. As fontes abordam uma família negra com liberdade comtestada, revelando
disputas jurídicas e estratégias dos próprios sujeitos, além de práticas de mobilidade e
negociação. A pesquisa aponta como essas dinâmicas tensionavam a ordem escravista e
acionavam mecanismos de controle senhorial nos limites provinciais.
4) Carla Maria Monteiro de Souza
Título: Mães – Pretas na Formação do Brasil.
Resumo: A história das mães-pretas no Brasil evidencia a exploração e o silenciamento de
mulheres negras escravizadas, especialmente aquelas submetidas ao papel de amas de leite.
Impedidas de exercer plenamente a maternidade, muitas tiveram seus filhos abandonados na
Roda dos Expostos ou recorreram à fuga como forma de resistência ao sistema patriarcal e
colonial. A romantização dessas vivências contribuiu para a invisibilidade histórica dessas
mulheres, reforçando hierarquias raciais, de classe e de gênero na formação social e familiar
do Brasil, cujos impactos ainda permanecem presentes nas desigualdades sociais
contemporâneas.
5) Maria Valéria da Silva Araújo
Título: Discursos sobre imigração em Alagoas nos finais do século XIX.
Resumo: O presente artigo traz uma uma análise em torno de alguns discursos de políticos e
grandes proprietários de Alagoas em relação a imigração europeia nos finais do século XIX.
Estes discursos retirados de periódicos da época, como por exemplo O Orbe, estavam
diretamente influenciados pelas ideias de embranquecimento social advindos da ideologia
eugenista que circulava em âmbito nacional no período. As ideias de progresso,
modernidade e civilidade eram vistas com a presença europeia, e embora Alagoas não tenha
recebido grandes levas imigrantistas, nas entrelinhas dos discursos dessa elite, é possível
perceber que a ânsia pela imigração não estava atrelada apenas a substituição de braços para
lavoura junto a uma preocupação com a falta de mão de obra após o fim da escravidão. A
intenção de trazer europeus deve ser aqui compreendida como uma construção discursiva
incorporada pelas relações de poder, assim como na ideia de hierarquização racial. Para a
reflexão desse estudo, serão utilizados autores da História social, da crítica decolonial e dos
estudos pós-coloniais. Destacamos, por exemplo, Michel-Rolph Trouillot, Walter Benjamin,
Frantz Fanon, Edward Said, Aníbal Quijano, Gayatri Spivak, Stuart Hall e Lélia Gonzalez.
Por fim, a pesquisa conduz a reflexão acerca das condições da produção do conhecimento
histórico local. Dado que, ao analisar falas sobre imigração em Alagoas, ocorre uma
problematização das narrativas tradicionais, levando a refletir sobre maneiras de pensar e
fazer História.
6) José Guido Dantas Lessa da Silva
Título: O silêncio e as vozes dissonantes
Resumo: Durante o período da ditadura civil-militar no Brasil, os órgãos de censura
trabalharam intensamente com o intuito de reprimir qualquer tipo de manifestação e
resistência contra o regime vigente. A classe artística foi perseguida incansavelmente, por
conta do seu papel de destaque e influência dentro da sociedade. A categoria dos músicos e
compositores teve seus trabalhos censurados total ou parcialmente em todo o Brasil com a
finalidade de silenciar as vozes que, com sua arte, desafiavam o regime. Apesar de todo o
aparato repressivo, a Música Popular Brasileira-MPB, que desempenhou um papel
importante na formação da identidade cultural brasileira e teve uma penetração sólida na
camada média urbana da população, soube, através de seus músicos e compositores, dar o
seu recado, por assim dizer, ao regime. Em Alagoas, não foi diferente. Os músicos aqui
estabelecidos sentiram, na própria pele, o peso da mão forte dos opressores e foram
obrigados aceitar, em muitos casos a interferência da censura em suas composições. Muitos
eram os espaços utilizados para demostrar a insatisfação com a ditadura. Um desses alvos da
repressão foi a Universidade Federal de Alagoas -UFAL, por se tratar de um lugar do
pensamento crítico. Para a ditadura, as universidades eram o berço de ideias revolucionárias
nocivas e local de alistamento de quadros para as esquerdas. Em uma iniciativa do Diretório
central dos Estudantes -DCE, foi realizado, em 1968, o primeiro Festival Universitário de
Música que se tornou um evento monitorado de perto pelos censores. Foram realizados mais
dois festivais respectivamente nos anos de 1969 e 1971. Depois desse período, os festivais
foram suspensos, pois houve a prisão de quase todos os componentes do DCE-UFAL em
1973, o que ocasionou a renovação do diretório, agora alinhados a atividades esportivas,
demonstrando assim, uma clara interferência do regime na atividade estudantil. Em 1977 as
entidades estudantis retornaram às lutas reivindicatórias e a promover a cultura. No ano de
1981, os estudantes, numa demonstração de coragem e enfrentamento, retomaram os
festivais universitários, peitando os opressores. Foi realizado nas dependências do Teatro
Deodoro, em Maceió. Sem dúvida nenhuma, foi um evento que transpôs os obstáculos que
foram colocados no caminho. Houve músicas censuradas, censores ameaçando suspender o
festival, gravação das músicas do festival às escondidas, o transporte clandestino dos discos
gravados e tantos outros fatos que aconteceram antes, durante e depois do festival. O grupo
que comandava o DCE-UFAL na ocasião tinha como líder e presidente Edberto Ticianeli,
que tinha um histórico familiar de luta e resistência à ditadura civil-militar. O III Festival
Universitário de Música da Ufal, que assim foi chamado e que na verdade foi o IV Festival,
além de mostrar a força da resistência ao regime militar, teve o papel de resgatar a memória
dos festivais esquecidos há uma década. Dos festivais universitários de música em Alagoas,
emergiram artistas que até hoje encontram-se em atividade como músicos e compositores.
Podemos citar aqui a cantora Leureny Barbosa, que ganhou o prêmio de melhor intérprete
no primeiro festival, Marcondes Costa, Edson Bezerra, Zé Barros, Ricardo Mota, Cezar
Rodrigues, dentre tantos nomes que se destacaram no cenário musical alagoano. Alguns
desses nomes são objetos de nossa pesquisa sobre a censura aos músicos no estado de
Alagoas, pois lutaram e resistiram muito além dos festivais.
7) Elaine Menezes Araújo
Título: “O TRÁFICO ILEGAL DE ESCRAVIZADOS NA PROVÍNCIA DE ALAGOAS
(1837- 1850)”
Resumo: O projeto investiga o tráfico ilegal de africanos escravizados na província de
Alagoas entre 1837 e 1850, período marcado pela continuidade do contrabando mesmo após
a Lei de 1831 e anterior à Lei Eusébio de Queiroz. A pesquisa busca compreender os
agentes, mecanismos e rotas utilizados no comércio ilegal, além das experiências e formas
de resistência dos africanos escravizados. Com base em ofícios, documentos policiais e
registros do Arquivo Público de Alagoas, o estudo pretende contribuir para a historiografia
da escravidão em Alagoas, ainda pouco explorada nesse recorte temporal.
8) ANDREZA MAYARA LINS DE OLIVEIRA
Título: O Ensino para a "Gente de Cor" em Alagoas no século XIX
Resumo: Esta pesquisa analisa o papel do ensino em Alagoas durante o século XIX,
focando na “Gente de Cor”, termo utilizado no período para se referir aos pretos, pardos e
mestiços. O trabalho pretende mapear as instituições públicas escolares da época, analisando
o perfil dos educandos para compreender como se deu o acesso desses indivíduos à
instrução. A intenção é examinar como as escolas noturnas e o ensino de ofícios serviu tanto
para integrá-los quanto para excluí-los. A partir do cruzamento qualitativo de fontes do
Fundo de Instrução Pública no Arquivo Público de Alagoas (APA), o estudo busca entender
as relações de poder que existiam, a resistência e ocupação desses espaços.
9) Lívia Graziela de Souza Leão
Título: Memórias que não serão silenciadas: reflexões teóricas sobre racismo, colonialismo
e branquitude nos monumentos públicos da cidade de Maceió (1980-2020)
Resumo: A presença de monumentos públicos espalhados na cidade que muito pouco
revelam sobre a participação da negritude ou, até mesmo, sobre a vivência da população
negra, no desenvolvimento dos bairros, torna visível a hegemonia da elite branca na capital
do estado de Alagoas. Ao passear pela capital alagoana, encontra-se com facilidade os
monumentos públicos que fazem referência a marechais e pessoas da elite que tiveram
algum tipo de envolvimento com a escravização dos corpos negros, tratando-os como heróis
e pessoas de prestígio, com isso, evidenciando o silenciamento da negritude.
10) EDMILSON SILVA DE SÁ
Título: CONTRIBUIÇÕES PARA UMA HISTORIOGRAFIA DO ANTICAPACITISMO
EM ALAGOAS-BRASIL (1988–2025)
Resumo: O artigo propõe uma reflexão historiográfica sobre o capacitismo enquanto
estrutura social de longa duração, no contexto de Alagoas, de 1988 a 2025. Com uma
abordagem teórico-metodológica na história dos conceitos, especialmente nas contribuições
de Koselleck. Articula-se, com a perspectiva de Foucault, ao compreender a produção e
disciplinarização dos corpos a partir de dispositivos e da construção da anormalidade.
Incorpora também a experiência vivida como fonte histórica, evidenciando a persistência de
práticas capacitistas no cotidiano e as formas de resistência. Busca-se que o anticapacitismo
se configura não apenas como categoria analítica, mas como prática política e
epistemológica fundamental para a construção de uma sociedade inclusiva.
11) Jose Laianison Bispo Costa
Título: AS COMEMORAÇÕES DO 13 DE MAIO NA IMPRENSA DE ALAGOAS:
FESTEJOS E SIGNIFICADOS (1888-1910)
Resumo: A abolição da escravidão tem sido alvo de diversos debates na historiografia, uma
vez que "diante da propagação dos ideais abolicionistas, da rebeldia dos cativos e da
crescente ingerência do Estado imperial nas relações escravistas, cresciam as tensões e
incertezas acerca do desfecho da questão servil no Brasil" . Essas tensões e conflitos não
terminaram no 13 de maio de 1888, os embates ganharam novos significados e atualizações
que foram amplamente divulgados pela imprensa de Alagoas. Desse modo, a pesquisa busca
debater os diferentes significados de liberdade após o fim do cativeiro tendo como filtro as
comemorações de 13 de maio.
12) Andresa Porfírio Gomes
Título: Nas Tramas do Cotidiano: Família Negra e Resistência na Maceió Oitocentista
(1870-1880)
Resumo: A presente pesquisa investiga as dinâmicas e as configurações estabelecidas pelas
famílias de pessoas escravizadas em Maceió no século XIX. O objetivo é compreender
como esses sujeitos negros conseguiram articular os laços familiares e as estratégias de
sobrevivência sob o jugo da estrutura escravista. Interessa, desse modo, os estudos que
enfatizam a história da escravidão e de Alagoas, assim como a utilização de fontes do
arquivo do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ/AL). Os resultados parciais analisados
indicam que ao utilizaram redes de solidariedade e o espaço urbano para negociações e
liberdades, a família desses agentes não era uma instituição passiva na capital da Província
alagoana
13) Ana Maria Soares de Araújo
Título: A autonomia dos sobas de Angola e as rachaduras no Império Ultramarino
Português (1670-1750)
Resumo: Este trabalho analisa as relações de poder entre a Coroa portuguesa e os sobas de
Angola entre 1670 e 1750. O foco central é o sistema de avassalamento, investigando se
esses chefes locais eram súditos integrados ao Império ou autoridades autônomas que
utilizavam os acordos como mecanismos de poder e proteção militar. A pesquisa examina as
revoltas e a fragilidade do controle lusitano frente à autonomia dos sobados e à atuação dos
jagas. Através de fontes administrativas e memórias militares, busca-se compreender as
dinâmicas de negociação, resistência e a fluidez das fronteiras no contexto da expansão do
tráfico negreiro no Atlântico.
14) Amanda Patrícia Santos Lorena de Menezes
Título: “O que segura o teu batuque?”: maracatus em Maceió após a “redescoberta” do
Quebra de Xangô (2007-2025)
Resumo: Nessa comunicação, apresentarei a pesquisa de doutorado em desenvolvimento
sobre o “ressurgimento” dos maracatus em Maceió após a “redescoberta” do Quebra de
Xangô. A proposta analisa a retomada dos grupos de maracatu na capital alagoana
compreendendo-a como parte de um processo de valorização da memória negra e das
expressões afro-alagoanas. Busca-se, ainda, problematizar a ideia de que “não houve
maracatu” após 1912, refletindo sobre os silenciamentos históricos produzidos pelo Quebra
de Xangô, bem como sobre as permanências e ressignificações dessa manifestação cultural
em Maceió.
15. Maria Lidiane Santos Cardoso
Título: O Juizado de Órfãos e a Cidadania tutelada no Início do Século XX: o caso Regina
Melo de Vasconcelos Castro (Maceió, 1906)
Resumo: A presente investigação propõe-se a analisar os mecanismos de tutela jurisdicional
e a agência dos sujeitos tutelados no contexto brasileiro do século XX. O objeto central do
estudo é o processo de remoção de tutela interposto por Regina Melo de Vasconcelos Castro
contra seu tutor Pedro Falcão, protocolado em 16 de fevereiro de 1906 perante a 2ª Vara do
Juizado de Órfãos de Maceió, Alagoas. A gênese da contenda reside no falecimento do
genitor da requerente, Antônio de Melo Vasconcelos Castro, evento que ensejou a
investidura do tutor no múnus público. Por definição legal, o tutor é o titular de um
poder-dever, incumbido de zelar pela integridade física e pela administração patrimonial da
pupila, agindo como um "bom e prudente pai de família". Entretanto, a petição fundamenta
o pedido de remoção na alegação de negligência multidimensional, apontando falhas graves
nas esferas moral, educacional e patrimonial. Metodologicamente, a pesquisa ampara-se na
análise documental de fontes primárias do Poder Judiciário alagoano, em especial as
custodiadas pelo Centro de Cultura e Memória do TJAL e na revisão historiográfica sobre o
instituto da tutela no período de transição jurídica entre o ordenamento imperial e a luta pela
efetivação dos direitos de cidadania da população negra no Brasil Republicano.
__________________________________________________________________________
ST 6- Coordenador Elias Veras
1) Jaqueline Tavares da Silva
Título: Pedagogias do corpo e respeitabilidade feminina: mulheres “para casar” na imprensa
católica dos anos 1950 em Pernambuco
Resumo: Este trabalho analisa as pedagogias do corpo feminino presentes na revista
católica Maria, publicada em Olinda, a partir do texto “Às noivas”, escrito pelo padre jesuíta
Arthur, em 1958. Busca-se compreender como discursos religiosos produziram ideais de
feminilidade associados à pureza, à contenção sexual e à respeitabilidade feminina,
construindo a noiva cristã como corpo moralizado e disciplinado. Articulando texto e
imagem, a análise problematiza a produção de subjetividades femininas orientadas pelo
matrimônio heterossexual, pela vigilância do desejo e pela responsabilização da mulher pela
moralidade afetiva. Em diálogo com os estudos feministas, de gênero e interseccionais,
pretende-se refletir sobre os marcadores sociais que atravessam a construção da noiva ideal,
bem como sobre permanências e reatualizações contemporâneas desses ideais em discursos
sobre “mulheres para casar” e “mulheres de valor”, difundidos em ambientes digitais
conservadores.
02) Maria Fernanda Alves da Silva
Título:A mulher trabalhadora doméstica remunerada na imprensa de Alagoas e o debate
feminista (1969-1988)
Resumo: No contexto brasileiro, especialmente nas camadas populares, o trabalho
doméstico é majoritariamente desempenhado por mulheres, seja de forma remunerada ou
não. Esse tipo de trabalho manifesta-se em diversas situações do cotidiano, como no
cuidado exercido por avós em relação aos netos ou na chamada “dupla jornada” enfrentada
por muitas mulheres. A escolha do tema insere-se na perspectiva de valorização da história
das pessoas comuns, buscando compreender o cotidiano, as disputas e as contradições que
permeiam as relações sociais. A experiência das trabalhadoras domésticas revela-se, nesse
sentido, fundamental para a historiografia, pois permite analisar as relações de poder, as
dinâmicas do trabalho e as múltiplas formas de exploração presentes na sociedade brasileira.
Dessa forma, a pesquisa tem como objetivo de historicizar a experiência das trabalhadoras
domésticas.
03) Vitória Soares de Araújo
Título: AS LUTAS TECIDAS NA IMPRENSA FEMINISTA: as creches, a maternidade e
os debates interseccionais no Mulherio (1981-1988)
Resumo: Este estudo traz à baila as discussões sobre creches, maternidade e
interseccionalidade no jornal Mulherio no período de 1981 a 1988. O objetivo geral é
analisar os debates propostos pelo Mulherio em relação à reivindicação por creches, a
maternidade e as mulheres negras, buscando vincular essas questões com reflexões sobre
gênero. A metodologia utilizada abrange a análise de discurso e pesquisas bibliográficas em
livros, dissertações de mestrado e artigos científicos. O referencial teórico contempla
autores (as) como Butler (2003), Collins e Bilge (2021), Ferreira e Delgado (2019),
Gonzalez (2020), Motta (2021), Orlandi (2013), Pesavento; Santos; Rossini (2008), Pinsky e
Pedro (2013), Saffioti (2015) e Scott (1995).
04) Laila Talita Ferreira da Silva
Título: “Nesta terra ensolarada”: a atuação de mulheres negras no processo de
nacionalização do Dia da Consciência Negra no Brasil (1971-1988)
Resumo: O trabalho analisa o processo de construção e nacionalização do 20 de novembro
como Dia da Consciência Negra, desde sua proposição pelo Grupo Palmares, em 1971, até
sua consolidação política. Destaca o papel do Movimento Negro Unificado e de
organizações como a Associação Cultural Zumbi, enfatizando a centralidade de Alagoas e
da Serra da Barriga nesse percurso. A pesquisa evidencia o protagonismo das mulheres
negras, cuja atuação foi fundamental na articulação política, na produção de memória e na
incorporação da data ao cenário nacional, vinculando-a à luta antirracista, feminista e à
valorização da história de Palmares.
05) Bruna Pereira
Título:GÊNERO, RAÇA E SEXUALIDADE FEMININAS NO SUPLEMENTO
MULHER (1980–1986)
Resumo: Esta pesquisa investiga as representações dos femininos no suplemento Mulher do
jornal Gazeta de Alagoas (1980–1986), analisando como gênero, raça e classe foram
articulados na construção de um ideal único ser mulher no período da redemocratização. O
estudo busca compreender como os discursos veiculados pelo suplemento contribuíram para
a consolidação de um modelo de feminilidade que privilegiava a mulher branca, cis e
heterossexual, ao mesmo tempo em que invisibilizava corpos negros e não cisgêneros. A
análise também evidencia como as pautas feministas, presentes em meio ao processo de
transição democrática, foram incorporadas e, em grande medida, despolitizadas pela
imprensa local, reforçando um imaginário do “feminino” em oposição ao feminismo. O
trabalho dialoga com debates sobre imprensa feminina e “imagens de controle” de gênero,
ressaltando como a imprensa regional desempenhou papel ativo na naturalização de
exclusões de diferentes feminilidades. A partir dessa perspectiva, a pesquisa contribui para o
campo da História ao iluminar as relações entre imprensa, política e gênero, destacando as
disputas simbólicas que atravessaram a constituição do espaço público durante os anos
1980.
06) Eduarda Hortência Santos Sampaio
Título:A PRECARIEDADE NAS FRANJAS DO ÍNDIZÍVEL: a pandemia da Covid-19 e
os silenciamentos da violência contra mulher (Arapiraca/AL, 2020-2022).
Resumo: Este trabalho analisa a violência contra a mulher em Arapiraca/AL (2020–2022) a
partir de uma perspectiva teórico-metodológica que articula poder, biopoder e dispositivo
(Foucault), performatividade e precariedade (Butler), memórias e relatos orais (Portelli) e
testemunho como limiar do indizível (Gagnebin). Com isso, problematiza-se como o
confinamento pandêmico aprofundou vulnerabilidades estruturais e operou como
mecanismo de silenciamento do sofrimento feminino. O testemunho será examinado como
prática de resistência e denúncia, evidenciando na História os tensionamentos entre
esquecimento, silenciamento e a necessidade de lembrar como dimensões da memória, aqui
também tomadas como vetor de análise sobre as experiências da violência.
07) Paulo Henrique dos Santos Araújo
Título: ‘“TRAVESTIS” PARAM NO LOCAL IDEAL: CADEIA’: A CONSTRUÇÃO DO
‘MARGINAL’ HOMOSSEXUAL E TRAVESTI NA IMPRENSA DURANTE A
DITADURA CIVIL-MILITAR EM MACEIÓ
Resumo: Esta comunicação objetiva discutir como a imprensa foi utilizada na construção
da marginalidade das dissidências de gênero e sexualidade, que hoje compreendemos como
a comunidade LGBTQIAPN+, ao associá-las à criminalidade nas páginas do Jornal de
Alagoas e Gazeta de Alagoas durante a ditadura civil-militar em Maceió. Observa-se que tal
movimento foi influenciado pelas elites políticas alagoanas, que mobilizaram o aparato
estatal e midiático para propagar um projeto político-sexual conservador, estabelecendo
fronteiras rígidas entre o “normal” e o “desviante”. Ao longo da apresentação, analisarei as
implicações das noticias e matérias jornalística sobre homossexuais e travestis, pensando em
como esses sujeitos eram representados e como o jornal atuou de forma intrínseca às ações
políticas de repressão e marginalização das dissidências de gênero e sexualidade na cidade
de Maceió nos anos 1968 a 1985.
08) Isaac Freitas da Silva Filho
Título: DAS RUAS AOS CINEMAS: sociabilidades sexualmente transgressoras em
Maceió (AL) na ditadura civil-militar (1970-1980)
Resumo: Esta pesquisa analisa os espaços de sociabilidade frequentados por sujeitos
dissidentes da cisheteronorma em Maceió (AL) entre os anos de 1970 e 1980. A
investigação aborda a importância desses espaços para a formação de alianças entre grupos
considerados sexualmente subversivos, como estratégia de sobrevivência frente à repressão
da ditadura civil-militar, assim como para as primeiras articulações organizadas desses
sujeitos. Além de identificar esses locais, busca-se também examinar o discurso produzido
pelo Jornal de Alagoas ao promover a estigmatização desses corpos e tentar legitimar um
ideal de "limpeza social" ao denunciar uma suposta "invasão de mariposas e pederastas" na
cidade.
09) Silas Pita Pereira
Título: PERFECHATIVIDADES NO AGRESTE: das bandas fanfarras, às quadrilhas
juninas
Resumo: Neste trabalho trato de narrativas de insurgências LGBTIQAPN+ a partir de
bandas de fanfarra, marcial e banda show que fazem parte das atrações para os festejos
cívicos no estado de Alagoas e ao mesmo tempo narro a experiencia compartilhadas das
perfechatividades no cenário das quadrilhas juninas a partir da cidade de Arapiraca-AL. O
termo perfechatividade é a junção da performance (arte) e fechação enquanto
performatividade de gênero Butler (2018), mas nas artes os limites que separam a fechação
que existe na performance e a performance que existe na fechação, são diluídos, pois é
percebido que há a maximização e a contenção da alteridade perfechativa em determinados
lugares. Palavras-chave: Fanfarra; Gênero; LGBTQIAPN+; Quadrilhas;
10) Benan Liel de Morais Silva
Título:Vaqueiro-Mãe: os discursos midiáticos sobre o corpo-arquivo de memória
Trancestral Transmasculina de José João da Conceição.
Resumo: O presente trabalho debruça-se sobre a trajetória de vida de José João da
Conceição, o Vaqueiro-Mãe que, desde o sertão nordestino, tensiona as concepções de
gênero e desafia a naturalização da cisgeneridade a partir da segunda metade do século XX.
É nesse contexto que João dá à luz um novo ser humano em meio à caatinga alagoana, no
vilarejo de Lages do Caldeirão, zona rural de Palmeira dos Índios. O referido parto
transforma-se em uma plataforma midiática a partir da qual João passa a ser exposto e
violentado física e simbolicamente ao longo das décadas seguintes. A pesquisa
fundamenta-se na análise documental de jornais e arquivos públicos da época, bem como
em outras fontes que, diante da abrangência e repercussão do caso, precisaram ser
incorporadas ao longo da investigação. O estudo articula conceitos vinculados à teoria
queer, sobretudo aqueles relacionados às experiências transmasculinas, ao mesmo tempo em
que discute o território nordestino e a memória transcestral que (não) possuímos. A
memória de João é mobilizada, neste estudo, como uma chave crítica para compreender as
relações e discursos jurídicos, médicos e midiáticos na produção de subjetividades
desviantes, especialmente transmasculinas. A pesquisa busca evidenciar a necessidade de
reinterpretar os vestígios encontrados nos arquivos a partir de uma perspectiva queer e,
sobretudo, de reivindicar uma epistemologia transmasculina desde a qual seja possível
analisar as experiências vividas — ou silenciadas — por João. Por fim, o trabalho pretende
lançar provocações acerca das possibilidades de reinventar esse passado que ainda persiste
no presente.
11) Diana Maria Justino de Souza
Título: Corporeidade travesti: questões sobre raça, violência e a solidão da travesti negra
Resumo: Um estudo baseado na vivência de mulheres travestis na sociedade
compreendendo aspectos como raça, violências, os meios de comunicação, estigmas. Além
de rever questões sobre a falta de uma rede de apoio e consequentemente a solidão desses
corpos marginalizados pela sociedade e a mídia.
12) Elias Veras
Título: Michel Foucault, Michel de Certeau e Saidiya Hartman contra a violência dos
arquivos
Resumo: Quais histórias guardam os arquivos históricos? Quais sujeitos sobrevivem aos
silêncios dos documentos? Quais acontecimentos emergem dos registros escritos do
passado? Quais relações de poder atuam na operação historiográfica de (in) visibilidade e
(in) dizibilidade que faz lembrar, esquecer, repetir e narrar? Essas questões atravessam as
pesquisas que desenvolvo sobre as pessoas LGBTQIAPN+ na imprensa de Alagoas do
século XX. Em diálogo com as reflexões sobres os arquivos e a história elaboradas por
Michel Foucault em “A vida dos homens infames” (2003) e por Michel de Certeau e Saidiya
Hartman, em “A operação historiográfica” (2011) e “Vênus em dois atos” (2020),
respectivamente, problematizo a economia discursiva acerca das dissidências de gênero e
sexualidade nos jornais impressos alagoanos.
***
Quarta-feira (17/06)- 19:00- 20:00
ST 7- Coordenadora Clara Suassuna Fernandes
1) Clara Suassuna Fernandes
Título: Comemorações no golpe/revolução em 1930; Alagoas Pernambuco e Paraíba
Resumo: O trabalho , tem o propósito de apresentar algumas ideias de como as teorias
sobre comemorações, esquecimento e memórias são utilizadas para analisar o
Golpe/Revolução de 1930 nos estados de Alagoas, Pernambuco e Paraíba, entre 1940 a
1980, dentro do cenário político. Em 2030 o Golpe/Revolução fará 100 anos e a
historiografia brasileira ainda não se debruçou com profundidade fortemente, quando
tentamos estudar os três estados acima citados. Para elaborar a pesquisa, terei como base
teórica a História Política que nos tempos atuais tem ganhado novos espaços na nossa
historiografia, com as participações ativa destaque para as produções de Marieta Ferreira,
Ângela de Castro Gomes e Cláudia Viscardi, entre outros.
2) Fernando Pinheiro da Silva Filho
Título: A proibição do sacerdócio mórmon aos afrodescendentes no Brasil: discriminação,
exclusão e resistência (1928–1978)
Resumo: Esta pesquisa investiga a implantação, os impactos sociais e as causas do fim da
norma racial d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias que restringiu o acesso
de afrodescendentes ao sacerdócio e a determinadas ordenanças religiosas no Brasil entre
1928 e 1978. O estudo analisa como essa política influenciou o proselitismo mórmon em
território brasileiro, especialmente em regiões marcadas pela presença significativa de
populações negras e mestiças, produzindo práticas de exclusão, segregação e limitação da
participação religiosa. A pesquisa parte da hipótese de que o encerramento da restrição
resultou de pressões internas e externas que afetaram a instituição ao longo da segunda
metade do século XX, incluindo mudanças sociais e políticas relacionadas às questões
raciais nos Estados Unidos e no Brasil. Paralelamente, busca compreender como adeptos
afrodescendentes reagiram às barreiras impostas pela norma, desenvolvendo estratégias de
resistência, negociação e permanência dentro da comunidade religiosa. Do ponto de vista
metodológico, o trabalho combina análise documental, história oral e revisão bibliográfica
crítica. Entre as fontes utilizadas estão diários missionários, entrevistas, periódicos
eclesiásticos, memorandos administrativos, fotografias e registros produzidos pela própria
instituição religiosa. O estudo dialoga com autores da historiografia do mormonismo, como
W. Paul Reeve e Matthew L. Harris, além de pesquisadores brasileiros das relações raciais,
como Clóvis Moura, Djamila Ribeiro, Ynaê Lopes dos Santos, Jessé Souza e Florestan
Fernandes. Ao investigar a relação entre religião e raça, a pesquisa pretende contribuir para
a historiografia do mormonismo no Brasil, ampliando a compreensão sobre os mecanismos
de discriminação racial em instituições religiosas e sobre as experiências históricas de
sujeitos afrodescendentes em contextos de exclusão institucionalizada.
3) Rogério Alexandre da Silva
Título: Imagens negras em Maceió: memória, racismo e resistência (1964-2025)
Resumo: Partindo das experiências como historiador negro e periférico, esta comunicação
apresenta pesquisa sobre a produção da imagem negra em Maceió, a partir de fotografias e
periódicos de 1964-1972 e 2020-2024. O primeiro capítulo examina fotos da região da
Levada e notícias de jornais da época; o segundo analisa a cobertura da Gazeta de Alagoas e
Tribuna de Alagoas no presente; o terceiro investiga os coletivos Cliquilombo e Alqualtune,
que criam contra-narrativas visuais. A metodologia, baseada no paradigma indiciário,
articula análise documental, entrevistas e formulários, revelando a fotografia como resíduo
de memória e campo de disputa.
4) Luckah Rodrigues dos Santos
Tìtulo: Poder e Biopolítica em Maceió: uma análise do discurso da imprensa durante a
pandemia de aids
Resumo: A pandemia de aids surge no Brasil no contexto de uma recém adquirida liberdade
política e marca a história dos LGBTQIAPN+ com o estigma a eles imputado, com a
reconfiguração de suas presenças nos discursos e sua reorganização frente à emergência
sanitária. Em Maceió, esse processo tem características próprias devido ao exercício do
poder oligárquico de famílias coesas na postura reacionária, mas antagônicas na disputa pelo
poder em recorrentes episódios de violência política. Esta pesquisa realiza uma análise do
discurso da imprensa em Alagoas (FOUCAULT, 2008), no que concerne às biopolíticas
(FOUCAULT, 2025) alinhadas à cisheteronormatividade (NASCIMENTO, 2021) na
pandemia de aids.
5) LUIZ SANTOS SILVA
Título: EDUCAÇÃO HISTÓRICA: TEORIA E METODOLOGIA
Resumo: A Educação Histórica constitui um campo de pesquisa voltado à compreensão das
formas pelas quais os sujeitos produzem sentido histórico a partir da experiência temporal.
Fundamentando-se nas contribuições de Jörn Rüsen, pretende-se demonstrar o instrumental
teórico e metodológico para operações historiográficas centradas nas narrativas dos atores
sociais de variados contextos e relações com a História. As consciências históricas derivadas
de fatos históricos selecionados, são identificadas, mapeadas e historicizadas a partir de
categorias analíticas próprios e observadas pela ótica do tempo presente.
6) Francine Leôncio Mendonça de França
Título: Feminismo em Alagoas: a atuação da Federação Alagoana pelo progresso Feminino
(1932-1960)
Resumo: Esta pesquisa analisa o processo histórico da Federação Alagoana pelo Progresso
Feminino, uma associação de mulheres declaradamente feminista que se insere em Alagoas
em 1932, agregando ao debate local a participação política e social da mulher. A FAPF era
filial estadual da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (1922), que tinha como
objetivo a conquista do sufrágio feminino e outros direitos políticos como meio para a
emancipação feminina. Compreendemos o feminismo a partir de Fraccaro (2018) como um
campo político em disputa desde seus primeiros momentos. A FAPF teve como base uma
agenda de caráter liberal e a adoção de um posicionamento de não confronto com os poderes
locais.
7) Matheus Carlos Oliveira de Lima
Título: CARTOGRAFIAS DE UMA PESQUISA EM CURSO: notas para uma
genealogia da mineração do sal-gema em Alagoas
Resumo: O presente estudo analisa a genealogia da mineração do sal-gema em Alagoas a
partir Ditadura Civil-Militar. A dimensão teórica se dá no materialismo histórico e na crítica
ao desenvolvimentismo autoritário. A hipótese é que o maior crime socioambiental urbano
do país decorre de práticas de governabilidade instituídas na ditadura, marca do que
denominamos paradigma minerário. A pesquisa tem como fonte o Relatório da CPI da
Braskem, analisada sob a ótica da história do tempo presente. Resultados preliminares
conceituais revelam fraturas sociais e disputas de memória que desnaturalizam o discurso
hegemônico de desenvolvimento, evidenciando experiências históricas de resistência
popular.
8) Maria Viviane Romão da Silva
Título: Mulheres negras e trabalho em Maceió: leituras críticas do jornal Gazeta de Alagoas
Resumo: Este resumo apresenta parte de uma pesquisa em desenvolvimento sobre as
representações das mulheres negras trabalhadoras de Maceió no jornal Gazeta de Alagoas
(2007–2017). O estudo investiga como gênero, raça e classe foram articulados no discurso
midiático na construção de sentidos sobre as mulheres das classes populares. O objetivo é
compreender como o periódico produziu narrativas sobre trabalho, violência e
subalternização, evidenciando permanências, atualizações das desigualdades e resistências.
A análise articula a crítica do materialismo histórico, especialmente a discussão do trabalho
sob o capitalismo em Ricardo Antunes (1991; 1995), com os aportes do feminismo
interseccional e antirracista, tomando como referência central as formulações de Heleieth
Saffioti (2013; 2015) sobre a imbricação entre patriarcado, racismo e exploração; de Beatriz
Nascimento (2021) e Lélia Gonzalez (2020) sobre a historicidade da condição da mulher
negra; e de bell hooks (2024) sobre a naturalização da opressão nas estruturas sociais.
Outros(as) autores(as) dos estudos de gênero e crítica da mídia também contribuem para a
interpretação das fontes, como Tania Regina de Luca (2018; 2020), Ana Luiza Martins
(2008) e José D’Assunção Barros (2022; 2023). Metodologicamente, utiliza-se análise de
discurso na perspectiva Teun A. van Dijk (2023) e de conteúdo para leitura discursiva das
reportagens, na perspectiva de Laurence Bardin (2016). Os resultados parciais mostram que
o jornal reforçou a divisão sexual e racializada do trabalho ao associar mulheres —
sobretudo negras e periféricas — a funções de cuidado, docilidade e serviço; reproduz
enquadramentos moralizantes em matérias sobre violência, que tendem à revitimização; e
alterna discursos meritocrático de superação com a naturalização da precariedade como
responsabilidade individual. Além disso, o trabalho doméstico aparece marcado por
silenciamentos ou por representações que legitimam a subalternidade. Em conjunto, os
achados sugerem que o jornal Gazeta de Alagoas atuou como agente reprodutor de
imaginários que manteve mulheres pobres e negras em posições sociais inferiores,
reforçando hierarquias de gênero, raça e classe no contexto maceioense.
9) Ismélia da Penha Balduce Tavares
Título: HISTÓRIA DE SILÊNCIOS: Mulheres na Guerra Cabana. Alagoas/Pernambuco
(1832-1850)
Resumo: Nesta comunicação teço considerações sobre o caminho percorrido na pesquisa, a
temática, o trabalho com as fontes e a escrita da dissertação no PPGH/UFAL (2018-2020).
Reflito sobre a experiência em campo, as dificuldades iniciais e a emoção do encontro com
as frestas de luz no silêncio dos arquivos. Para interpretar os processos do silenciamento que
ocultaram a efetiva participação das mulheres na Guerra Cabana (1832-1850), utilizei como
método a análise de conteúdo e a microanálise, sob a perspectiva teórica da história “vista
de baixo”, inscrita no campo da História Cultural. Silenciadas nos manuscritos e livros sobre
a revolta cabana, retrato-as como sujeitas de sua própria história.
***
Quinta-feira (18/06)- 14:00- 18:00
ST 8 – Coordenadora - Irinéia Maria Franco dos Santos
1) Irinéia Maria Franco dos Santos
Título: Reflexões sobre uso da IA Deepseek na sistematização de fontes históricas para
pesquisa em História Social
Rsumo: O objetivo da comunicação é problematizar uma experiência de pesquisa com
utilização da ferramenta digital IA Deepseek para sistematização de fontes históricas da
imprensa e manuscritas. O uso de Inteligência Artificial na pesquisa histórica tem sido
discutida e trabalhada no âmbito da chamada História Digital, mas também no campo das
Humanidades digitais e em apoio à construção de bancos de dados em História. Em que
pese os cuidados e orientações para o uso ético dessas ferramentas, preocupação legítima
levantada pelas IES, CAPES, CNPq e outra agências de pesquisa e ensino, propomos um
uso crítico, em diálogo com as proposições do conceito de colonialismo digital (Faustino,
Lippold, 2023) e do trabalho com fontes seriadas em História social.
2) JOSÉ OTAVIANO DA SILVA JUNIOR
Título: Seu Pesadelo Tá de Volta: Rap no Sistema Prisional, Memória e Resistência
Cultural nas Cadeias de São Paulo (1990-2000)
Resumo: A pesquisa apresentada na presente comunicação está em andamento no Programa
de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), sob a linha de
pesquisa "Relações de Poder, Conflitos e Movimentos Sociais", propõe uma investigação
historiográfica sobre a música rap produzida por detentos no sistema prisional paulista entre
os anos de 1990 e meados de 2000. O problema central que norteia este estudo é: como o
rap produzido no sistema prisional paulista entre 1990 e 2000 se constituiu como memória e
resistência cultural, trazendo a perspectiva de sujeitos apenados sobre a realidade social
brasileira, sobre suas experiências e condições de existência e sobre o sistema prisional.
Refletindo sobre o rap como uma forma estética e crítica, inserida no contexto mais amplo
da cultura Hip-Hop, a pesquisa busca compreender de maneira aprofundada os significados
e impactos dessa produção artística em um ambiente de privação de liberdade, onde a voz
dos marginalizados ganhou forma e expressão através da música. Esta pesquisa surgiu da
necessidade de explorar as narrativas e experiências de uma população historicamente
silenciada: os detentos do sistema prisional. Ao investigar o rap produzido nesse contexto, o
estudo busca descobrir o que a população carcerária tem a dizer sobre si mesma, sobre o
Brasil no período delimitado e sobre o sistema prisional. A década de 1990 foi marcada por
eventos cruciais, como o Massacre do Carandiru em outubro de 1992, que teve um impacto
profundo na produção cultural do rap, exemplificado por obras como o disco "Sobrevivendo
no Inferno" (1997) dos Racionais MC's e a canção "Diário de um Detento". Posteriormente
alguns grupos de grande relevância no cenário musical do rap se formaram dentro do
sistema prisional, esses sujeitos levantaram importantes reflexões em suas canções e
ultrapassaram as barreiras da exclusão impostas pela condição de internos do sistema
prisional, alcançando um público significável dentro do país. O rap, no cenário brasileiro,
ultrapassa a mera expressão musical, configurando-se como uma poderosa ferramenta de
participação popular na construção cultural coletiva. Ele amplifica as vozes de sujeitos
marginalizados, especialmente a juventude negra e periférica, ressignificando o seu orgulho
e a identidade. A pesquisa contribui significativamente para a historiografia do rap, um
campo ainda em desenvolvimento, e oferece uma perspectiva sobre a relação entre cultura,
resistência e política no ambiente prisional. A análise dessas manifestações artísticas
permite uma compreensão mais aprofundada das dinâmicas sociais, culturais e políticas que
permearam a experiência carcerária no Brasil.
3) Maria Eduarda Ferreira Silva
Título: O DOPSE-AL, SEU MONITORAMENTO E INFORMAÇÃO SOBRE AS
SUBVERSÕES: A vigilância sob o movimento estudantil alagoano (1964-1985)
Resumo: Este trabalho parte da complexidade inicial de uma pesquisa historiográfica com o
fundo atribuído ao Departamento de Ordem Política e Social e Econômica - AL
(DOPSE-AL), sob a guarda do Arquivo Público de Alagoas (APA). Este fundo é composto
por 24 caixas com documentos de variadas origens, do DOPSE-AL como também de outros
órgãos estatais e/ou mesmo doadas por pessoas. Esse estudo tem por finalidade,
compreender a sistemática desse fundo, evidenciando práticas de vigilância política em
Alagoas durante a ditadura civil-militar (1964-1985). O DOPSE em AL, assim como os
DOPS’s nos estados brasileiros, desempenhou papel fundamental de monitoramento e
informação na estrutura repressiva do regime militar. Integrava uma rede de informações
com outros órgãos. Em Alagoas, evidenciamos indícios na documentação, de certa
preocupação com os movimentos estudantis, além de outros grupos sociais e políticos
enquadrados como subversivos. Propomos nesse ensejo, historicizar a atuação do
DOPSE-AL, analisando a sistemática presente na organização de seus documentos,
evidenciando a lógica de monitoramento e de informações neles contidos. Palavras-chave:
Ditadura; DOPSE-AL; Vigilância; Informação; Repressão.
4) LILIA ROSE FERREIRA
Título:“Eu também sou autoridade”: resistência e enfrentamento afro-religioso na capital
alagoana (1930-1950)
Resumo: Episódios de conflito, negociação e resistência marcaram as experiências dos
afro-religiosos em Maceió/AL. No pós-abolição, primeira metade do século XX, esses
sujeitos articularam diversas estratégias para manter a devoção às divindades africanas e
afro-indígenas. Desse modo, situado no campo da História Social das Religiões, busca-se,
qualitativamente, a partir das fontes da imprensa, entrevistas do Projeto Gira da Tradição
(2008) e entrevistas próprias desta pesquisa (2026), analisar de que modo o sagrado,
manifestado nos “toques” e na magia, foi instrumentalizado enquanto uma arma de combate
e defesa diante de uma estrutura social marcada pela hegemonia coercitiva e depreciativa.
5) Patrícia Carvalho de Assis
Título: Projeto Nêga Vitú: contribuições para uma educação antirracista (2013 - 2025)
Resumo: O Projeto Nêga Vitú, criado como estratégia para efetivar a legislação antirracista,
é uma ação pedagógica desenvolvida na Escola Santos Ferraz, Taquarana/ AL, desde 2013.
Esta pesquisa de mestrado investiga o potencial do Projeto Nêga Vitú na construção de uma
escola e sociedade antirracistas a partir da História Oral, entrevistas com pessoas da
comunidade escolar e local, em diálogo com outras fontes como bibliográficas,
oficiais/legislativas, etc. A mesma fundamenta-se nas contribuições teóricas decoloniais e
da pedagogia crítica; o estudo em andamento aponta o fortalecimento de identidades
amefricanas (Gonzalez, 2020) e também resistências alusivas ao racismo estrutural e
institucional.
6) Aline de Freitas Lemos Paranhos
Titulo: “CONSTRUÍDO POR HOMENS DE COR”: o Museu Xucurus em Palmeira dos
Índios – AL (1971-2022)
Resumo: RESUMO: A presente pesquisa busca investigar o Museu Xucurus de História,
Artes e Costumes, localizado no município de Palmeira dos Índios, Alagoas, enquanto
espaço de construção de narrativas históricas e de tensionamentos em torno das memórias
negras e indígenas. Fundado em 1971 pelo memorialista Luiz Torres, pelo bispo Dom
Otávio Aguiar e pelo tenente da Marinha Alberto de Melo, o museu ocupa o edifício que
abrigou a antiga Irmandade do Rosário dos Pretos, construída por negros escravizados entre
os séculos XVIII e XIX, e recebe o nome da etnia indígena Xukuru-Kariri, originária da
região. Seu acervo reúne objetos relacionados à escravidão em Palmeira dos Índios, entre
eles vestimentas e instrumentos de tortura adquiridos em 1988, durante as comemorações do
centenário da abolição, além de artefatos indígenas, como igaçabas, arcos e flechas,
compondo um significativo conjunto arqueológico e etnográfico. A criação do museu
insere-se no contexto da Ditadura Militar, período em que a valorização da cultura popular
brasileira foi apropriada como estratégia de construção de identidades regionais e nacionais,
impulsionando a implantação de museus voltados à preservação de tradições, costumes e
referências locais. O recorte temporal da pesquisa abrange o período de 1971, tendo como
marco inaugural a fundação do Museu Xucurus e como marco conclusivo o ano de 2022,
momento em que se evidenciam as transformações mais recentes relacionadas aos processos
de catalogação, revitalização e às disputas institucionais em torno de sua gestão e função
social. O objetivo central do estudo consiste em analisar o Museu Xucurus como lugar de
produção de sentidos sobre o passado, evidenciando os mecanismos de invisibilização e
apagamento das populações negras e indígenas a partir do acervo museológico e das
narrativas locais. A pesquisa adota procedimentos metodológicos fundamentados na
operação historiográfica de Certeau (2011), na História da Arte a partir do Atlas
Mnemosyne de Warburg (2015) e na genealogia da semelhança de Didi-Huberman (2015),
possibilitando refletir sobre as relações entre patrimônio, identidade e poder, bem como
sobre os usos sociais da memória na construção de narrativas históricas. Utilizam-se fontes
documentais, imagéticas e orais, articuladas aos pressupostos teórico de Hall (2015; 2016),
Pollak (1989; 1992), Ricoeur (1994; 2007), Nora (2019), Chaves (2014), Soares (2019),
Silva (2013) e Teixeira (2012), entre outros autores da historiografia. Desse modo, o estudo
busca evidenciar como o Museu Xucurus se configura como um espaço de disputas
simbólicas e de construção de narrativas sobre o passado, no qual coexistem permanências e
tensionamentos ligados às heranças coloniais, escravocratas e ditatoriais, contribuindo para
a reflexão sobre o papel dos museus na visibilização de sujeitos historicamente silenciados e
na construção de uma história mais plural, crítica e inclusiva. PALAVRAS-CHAVE:
Memória. Narrativa. Poder.
7) Hugo Gabriell de Almeida
Título: Fortificação Neerlandesa em Maragogi, Alagoas, Brasil: Localização e usos no
contexto da Guerra do Açúcar
Resumo: Esta comunicação apresenta os avanços da pesquisa sobre a presença holandesa
no sul da Capitania de Pernambuco durante a Guerra do Açúcar (1632-1645). O estudo
investiga se a antiga Igreja de São Bento, em Maragogi-AL, funcionou como unidade
fortificada, cruzando vestígios materiais oriundos do IPHAN com fontes holandesas da
Companhia das Índias Ocidentais. Até o momento, houve grandes avanços na transcrição de
documentos neerlandeses, trazendo luz a detalhes importantes sobre o local e o contexto do
conflito. Além disso, alinhado à História Pública, o trabalho propõe uma intervenção
patrimonial com a criação da "Rota dos Holandeses", integrando o patrimônio ao
desenvolvimento da comunidade vivente.
8) Brunemberg da Silva Soares
Título: A DIRETORIA GERAL DOS ÍNDIOS NA PROVÍNCIA DAS ALAGOAS:
TERRA, TRABALHO E CONFLITOS INDÍGENAS (1845 – 1872)
Resumo: Este estudo analisa a atuação da Diretoria Geral dos Índios na Província das
Alagoas entre 1845 e 1872. A partir de pesquisa bibliográfica e análise de documentação
primária, refletimos sobre o contexto de consolidação do Estado imperial brasileiro e das
políticas indigenistas voltadas à “civilização” e integração compulsória dos povos indígenas
à sociedade nacional. Objetivamos compreender as relações de poder entre o governo
provincial, as oligarquias latifundiárias e as populações indígenas, problematizando a
estrutura funcional da Diretoria Geral dos Índios, a ocupação de seus cargos por membros
das elites locais e os mecanismos de expropriação territorial e exploração laboral.
9) Marcelo Floriano da Silva
Título: OLHAI OS PÉS DESCALÇOS: MONITORAMENTO DO SISTEMA NACIONAL
DE INFORMAÇÃO (SNI) A MISSÃO BRASIL NA PARÓQUIA DE SANTA MARIA
MADALENA/UNIÃO DOS PALMARES/AL (1964-1991)
Resumo: Esta pesquisa analisa o monitoramento do Sistema Nacional de Informações (SNI)
sobre a atuação dos padres canadenses da Missão Brasil na Paróquia de Santa Maria
Madalena, em União dos Palmares/AL, entre 1964 e 1991. Investiga-se o conflito entre o
Regime de Informação da ditadura e a ação social e política do clero progressista junto aos
camponeses rurais. Fundamentado na História Social, o trabalho adota uma perspectiva
híbrida, confrontando os relatórios do SNI (via suspeição metodológica de Carlos Fico) com
fontes orais, eclesiais e sindicais, buscando resgatar a agência e a experiência de resistência
sob o aporte teórico de E. P. Thompson.
10) Maria Carolina Lins da Costa Silva
Título: VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER E RELAÇÕES RACIAIS NAS PÁGINAS
DO MULHERIO (1980 – 1988)
Resumo: Esta pesquisa analisa a representação da violência de gênero e das relações raciais
no jornal Mulherio (1980–1988) durante a redemocratização. O estudo investiga como o
periódico, embora inserido em uma agenda internacional e influenciado pela transição
liberal, serviu de articulação política. O trabalho problematiza a historiografia das "ondas
feministas", argumentando que ela universaliza a vivência da mulher branca e silencia
trajetórias negras e periféricas. Fundamentada em Lélia Gonzalez, na análise da tríplice
opressão (raça, classe e gênero), a investigação busca identificar vozes dissidentes que
desafiam o feminismo hegemônico.
__________________________________________________________________________
ST 9- Coordenadora - Arrizete C. L. Costa
1) Arrizete C. L. Costa
Título: UMA BRICOLAGEM: performances narrativas do PPGH/UFAL (2021-2025)
Resumo: A bricolagem é um procedimento heurístico que se assemelha a montagem de um
quebra-cabeças e a operação "desconstrutivista" e "construtivista" da hermenêutica
benjaminiana. Neste exercício, aproprio-me de "aforismas", de "fragmentos", "citações"
como formas atestatórias da performance narrativa de alguns membros da “comunidade de
conhecimento” – pós-graduandas/os do PPGH – para nelas reconhecer os elementos
distintivos de suas narrações históricas, as marcas da intencionalidade autoral, a
representação historiadora dos tempos e as evidências de normas e regras controláveis –
escalas de análise, interpretação e crítica que propiciam experiências presentificadas pela
escrita da história.
2) Isabella de Oliveira Jorge Ferreira
Título: História em Diálogo: O Ensino de História e suas Linguagens
Resumo: O projeto “O Ensino de História e suas Linguagens” é voltado a investigar como
diferentes linguagens podem contribuir para tornar as aulas de História mais significativas,
críticas e próximas da realidade dos estudantes. A pesquisa parte dos desafios vividos na
sala de aula e dialoga com documentos como a BNCC e diretrizes curriculares, além de
discutir metodologias de ensino e dados construídos por meio de entrevistas. O objetivo é
compreender de que modo recursos, práticas e linguagens variadas podem fortalecer o
ensino-aprendizagem em História
3) Anderson Manoel Pereira
Título: AS REMINISCÊNCIAS DE UM BAIRRO SOTERRADO: Bebedouro,
Maceió/Alagoas e o desastre ambiental da Braskem (1976-2025)
Resumo: Esta comunicação sintetiza os resultados iniciais da investigação que ora
desenvolvo no PPGH/UFAL, problematizando como as reminiscências marcam às
narrativas orais de ex-moradores do bairro de Bebedouro, Maceió/Alagoas (1976-2025) e,
imbricadas de sentido (re)constroem o sentimento de pertencimento territorial e identitário
frente às dinâmicas de espoliação impostas pelo capital – extração de sal-gema pela
Braskem. Os relatos orais (história oral) e as fontes hemerográficas permitiram o
cruzamento de informações históricas que submetidas à análise de conteúdo e interpretadas
pela micro-história ressaltam a contraposição ao silenciamento com a salvaguarda da
história coletiva dos escombros.
4) Vinícius Alves de Mendonça
Título: INDÍCIOS, INDÍGENAS E POSSIBILIDADES: metodologias e escritas da Nova
História Indígena a partir do contexto histórico Katokinn (1992-2003)
Resumo: Os indígenas Katokinn se encontram territorialmente distribuídos na área urbana
do município de Pariconha – distante cerca de 300 km de Maceió, capital do estado de
Alagoas – desde o final do século XIX, quando ocorreram migrações das primeiras famílias
para região devido a violências e espoliações territoriais ocorridas em Pernambuco. Desse
modo, este estudo objetiva discutir possibilidades teóricas e metodológicas acerca da
realidade dos indígenas abordando registros da reorganização política e territorial daquele
grupo étnico ocorrida na década de 1990 a partir de análises fundamentadas em paradigmas
das ciências humanas e sociais, com ênfase nas referências micro-históricas consolidadas
por Ginzburg (1989; 1993; 2007) e Levi (2000), além de modelos próprios a História Oral
conforme Alberti (2013). Trata-se, assim, de uma reflexão não apenas sobre aspectos
históricos relacionados aos Katokinn, mas um esboço teórico-metodológico interdisciplinar,
característica indispensável ao que se convencionou caracterizar como “Nova História
Indígena”, definida por autores como Oliveira (2004) e Monteiro (1999), que constituíram
parte da bibliografia abordada.
5) Petra Araújo de Oliveira
Título: Traços Dissidentes e Narrativas de Resistência: O Protagonismo Transfeminino nas
HQs e o Fazer Histórico no Nordeste (2014-2024)
Resumo: A comunicação discute o fazer história no Nordeste analisando as HQs de Samiha
Mergulhão (AL) e Jocosa Aguiar (MG) como fontes para a historiografia contemporânea. O
foco reside no protagonismo transfeminino nessas obras (2014-2024). A pesquisa examina
as condições da produção regional articulando cultura visual (Burke, Crescêncio, Manguel)
e interseccionalidade (Crenshaw, Collins). Sob o aporte do transfeminismo e teoria queer
(Nascimento, Vergueiro, Souza, Veras, Butler, Preciado), o objetivo é analisar narrativas de
resistência de sujeitos invisibilizados, reconhecendo o potencial das fontes visuais na
construção da memória política e social nordestina.
6) Raíssa Esther Ataíde de Freitas
Título: DISCURSO E ENSINO: Uma análise documental da Revista de Ensino do Estado
de Alagoas (1927-1931)
Resumo: A pesquisa abrange o período de 1927 a 1931 e tem como principal fonte
documental em analise a Revista de Ensino do Estado de Alagoas, publicação oficial da
Diretoria Geral da Instrução Pública de Alagoas — órgão que, atualmente, corresponde à
Secretaria de Educação (SEDUC). A teoria de Jörn Rüsen oferece um arcabouço robusto
para analisar como a cultura histórica impacta na escrita da Revista de Ensino que atuava na
formação da consciência histórica dos estudantes da época. A pesquisa em questão está
sendo desenvolvida para contribuir com a História da Educação e ensino alagoano.
7) Beth Samara da Silva Lima
Título: OS TIPOS DE CONSCIÊNCIA HISTÓRICA NOS JOVENS: UM OLHAR
SOBRE OS ESTUDANTES DA 3° SÉRIE DA ESCOLA ESTADUAL PROFA. MARIA
MARGAREZ SANTOS LACET
Resumo: A pesquisa procura investigar a formação da consciência histórica de estudantes
do 3° ano do Ensino Médio em escola públicas e privadas em Maceió, a partir dos
referenciais teóricos da Educação Histórica como Jörn Rüsen. O estudo, portanto, busca
mapear e compreender a forma como esses estudantes dão sentido ao passado e como os
fatos socioeconômicos, culturais e escolares podem influenciar nos seus tipo de consciência
histórica. A metodologia possui caráter qualitativo através da aplicação de questionários em
duas etapas, sendo a primeira voltada ao perfil socioeconômico e cultural dos participantes;
a segunda dedicada à identificação dos tipos de consciência histórica presentes em suas
respostas. Além de terem analisados também suas produções textuais durante a aula oficina,
realizada posteriormente. O objetivo central, portanto, é mapear os tipos de consciência
histórica predominantes entre os estudantes e examinar de que modo a cultura história e as
desigualdades sociais impactam sua formação.
8) José Cláudio Lopes dos Santos Junior
Título: No Planalto: as eleições, governo presidencial e o impeachment de Fernando Collor
de Mello a partir dos periódicos Gazeta de Alagoas e Jornal de Alagoas (1989 – 1992)
Resumo: Esta pesquisa analisa a construção política de Fernando Collor de Mello entre as
eleições presidenciais de 1989 e o impeachment de 1992, a partir dos periódicos Gazeta de
Alagoas e Jornal de Alagoas. O estudo investiga como a imprensa alagoana produziu
narrativas, discursos e representações sobre Collor no contexto da redemocratização
brasileira, enfatizando o papel do marketing político, da mídia impressa e da formação da
opinião pública. Fundamentada na História do Tempo Presente, a pesquisa busca
compreender as relações entre imprensa, poder e cultura política em Alagoas e no Brasil.
9) Jennifer Thayná de Lima dos Santos
Título: ASSOCIAÇÃO CULTURAL ZUMBI: rememoração do protagonismo feminino nas
ações do movimento negro alagoano (1981-1995)
Resumo: A pesquisa intitulada “Associação Cultural Zumbi: rememoração do
protagonismo feminino nas ações do movimento negro alagoano (1981-1995)” tem por
objetivo retomar a memória e historicizar suas atuações de luta em prol das reivindicações
pautadas pelo movimento negro nacional e regional no contexto do regime ditatorial militar
à redemocratização do país. A escrita historiográfica hegemônica entre as décadas de 1980 e
1990 é construída em contraste com o momento que a antecede, a Ditadura Civil-militar de
1964, que perdurou até o ano de 1985. Desse modo, as narrativas elaboradas acerca das
políticas institucionais do Estado durante muito tempo se limitaram a contar como
determinados grupos sociais, como o movimento estudantil e o sindical, atuaram contra os
ideais autoritários. Tal perspectiva decerto não se demonstra incorreta, entretanto, em
consonância com a concepção do historiador Edward P. Thompson, com o alargamento da
compreensão historiográfica por meio de novas fontes, métodos e conceitos tais narrativas
se comprovam incompletas e provisórias. À vista disso, esta pesquisa se propõe a
complementar as narrativas históricas acerca desse período a partir da análise de fontes
produzidas pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) - órgão de vigilância institucional como informes e relatórios armazenados no Sistema do Arquivo Nacional (SIAN) sobre
uma das principais entidades do movimento negro, a Associação Cultural Zumbi (ACZ) e
suas lideranças femininas como Vanda Menezes, Socorro França, Fátima Viana e Angela
Bahia de Brito. Dessa forma, como apresenta Beatriz Nascimento em “Uma história escrita
por mãos negras” (2021), integro à elaboração da memória do país e do estado de Alagoas
uma história engendrada por pessoas racializadas, tanto nos acontecimentos relatados
quanto na sua escrita. Assim, reiterando que o negro brasileiro inseriu-se das mais diversas
formas na constituição do país e, neste caso, sobretudo, na luta contra a Ditadura
Civil-militar de 1964. Com base no materialismo histórico crítico-dialético proposto por
Karl Marx e Friedrich Engels, examino a década de 1980 e o início da década de 1990,
buscando compreender o contexto em que foram criadas essas movimentações e os
princípios das pautas do Movimento Negro (MN) estadual. De modo que suas ações sejam
tomadas como marcos para a construção de uma narrativa que tenha como foco as
identidades da população negra e realocadas para o cânone da história brasileira e regional.
Como também, utiliza-se do método de análise do discurso pecheutiano para entender a
relação entre a linguagem, ideologia e história presentes nas fontes e relatórios produzidos
pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) sobre a Associação Cultural Zumbi. Deste
modo, procurando entender os motivos que levaram o Estado ditatorial a propor constante
vigilância acerca desse grupo que se propunha a lutar pelas causas da população, como
ensino de história afro-brasileira, direitos das mulheres negras, combate à violência policial,
mesmo após o fim do regime em 1985. Posto isto, reitero que este trabalho tem como
objetivo adentrar na pesquisa histórica acerca de sujeitos que protagonizaram atos
significativos para a construção e implementação de políticas públicas em prol do combate
ao racismo durante o período de redemocratização do país.