Caderno de Resumos e Programação (revisado) - versão 5.0.pdf
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2
Caderno de Resumos e
Programação
14º ENCONTRO NACIONAL DE HISTÓRIA DA UFAL
RELIGIÕES E MOVIMENTOS SOCIAIS: desafios para a
construção de uma Democracia popular
04, 05 e 06 de setembro de 2023
Universidade Federal de Alagoas – Ufal
Maceió – AL
Maceió (AL)
Setembro
2023
3
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
REITORIA
Josealdo Tonholo - Reitor
Eliane Aparecida Holanda Cavalcanti - Vice-reitora
INSTITUTO DE CIÊNCIAS HUMANAS, CUMUNICAÇÃO E ARTES
(ICHCA)
Sandra Nunes Leite - Diretora
Marcos dos Santos Moreira - Vice-Diretor
CURSO DE HISTÓRIA (BACHARELADO)
Anderson da Silva Almeida - Coordenador
Danilo Luiz Marques - Vice-Coordenador
CURSO DE HISTÓRIA (LICENCIATURA)
Osvaldo Maciel – Coordenador
Antonio Alves Bezerra – Vice-Coordenador
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA
Irinéia Maria Franco dos Santos – Coordenadora
Arrizete C. L. Costa – Vice-Coordenadora
14º ENCONTRO NACIONAL DE HISTÓRIA DA UFAL: RELIGIÕES
E MOVIMENTOS SOCIAIS: desafios para a construção de uma
democracia popular
Coordenação Geral
Irinéia Maria Franco dos Santos (UFAL)
Comissão Organizadora
Alex Benedito (SEDUC-AL)
Altina Maria Rodrigues de Farias (PPGH-UFAL)
Ana Paula Palamartchuk (in memoriam)
Anderson da Silva Almeida (UFAL)
Arrizete Lemos (UFAL)
César Leandro Santos Gomes (UFMA)
Danilo Luiz Marques (UFAL)
Derllânio Telécio (PPGH-UFAL)
Elias Veras (UFAL)
4
Ellen Cirilo Santos (UFMA)
Irinéia Maria Franco dos Santos (UFAL)
Jadson Ramos (Egresso – PPGH-UFAL)
Michelle Reis de Macedo (UFAL)
Vanessa Elisa Correia (UFSC)
Wellington Medeiros (SEDUC-AL)
Realização e apoio
Cursos de História (Bacharelado e Licenciatura); Programa de Pós-Graduação em
História (PPGH); Laboratório de História e Estudo das Religiões (LHiER-UFAL);
Centro de Pesquisa e Documentação Histórica (CPDHis); Associação Brasileira de
História das Religiões – Regional Nordeste (ABHR); Universidade Federal de
Alagoas (UFAL); Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (FAPEAL).
Comissão Científica
Alex Benedito Santos Oliveira (UFAL)
Alex Rolim Machado (SEDUC-AL)
Aline Oliveira (MST)
Altina Maria Rodrigues de Farias (PPGH-UFAL)
Amaro Hélio Leite da Silva (IFAL)
Ana Claudia Aymoré Martins (UFAL)
Ana Paula Palamartchuk (UFAL) in memorian
Anderson Almeida (UFAL)
Antonio Alves Bezerra (UFAL)
Arrizete Cleide Lemos Costa (UFAL)
Aruã Silva de Lima (UFAL)
Carlos Lima (CPT-AL)
Casé Angatu (UESC)
César Leandro Santos Gomes (UFMA)
Claudemir Martins Cosme (IFAL)
Daiane S. Vicente (Egressa/PPGH-UFAL)
Daiane Santana Santos
Daniela Beny Pollito Moraes
Elias Ferreira Veras (UFAL)
Ellen Cirilo Santos (UFMA)
Érica G. F. de Menezes
Felipe Barbosa (UFAL/SEDUC)
Felipe da Silva Barbosa (SEDUC-AL)
Flávia Maria de Carvalho (UFAL)
Francisco Tenório da Silva (CEDU-UFAL)
Gabriela Torres Dias (SEDUC-AL)
5
Gian Carlo de Melo Silva (UFAL)
Gustavo Bezerra Barbosa (SEDUC-AL)
Herika Paes Rodrigues Viana
Iracélli da Cruz Alves (UFMA)
Irineia Maria Franco dos Santos (UFAL)
Ivanildo Gomes dos Santos (CEDU-UFAL)
Jadson Ramos de Queiroz (Egresso/PPGH-UFAL)
Janaina Freire dos Santos
Jessie Jane Vieira (UFRJ)
Jonathan Vieira da Silva (Egresso/PPGH-UFAL)
José Ferreira Júnior
José René Câmara Júnior
Lídia Baumgarten (UFAL)
Mãe Mirian (Iyá Binan) (Ilé N’ifé Omi Omo Posú Betá)
Mãe Neide Oyá D’Oxum (GUESB - Grupo União Espírita Santa Bárbara)
Márcia Janet Espig (UFSC)
Maria Viviane de Melo Silva
Mestra Nádia Akawã Tupinambá (Teia dos Povos)
Mestre Joelson Ferreira (Teia dos Povos)
Michele Reis de Macedo (UFAL)
Osvaldo Maciel (UFAL)
Pai Célio de Iemanjá (Axé Pratagy)
Pastor Jeyson Rodrigues (Igreja Batista Nazareth)
Pastora Odja (Igreja Batista do Pinheiro)
Paulo Julião da Silva
Pedro Lima Vasconcellos (PPGH/UFAL)
Raquel de Fátima Parmegiani (UFAL)
Rejane Carolina Hoeveler (FSSO-UFAL)
Roseane Monteiro Virginio (Egressa/PPGH-UFAL)
Rosileide da Silva
Sandra Catarina de Sena
Sérgio Ricardo Coutinho (Kairós-Brasília)
Silmária Reis dos Santos
Wellington da Silva Medeiros (UFAL/SEDUC)
Monitoria
Adair Camila Pereira Vieira
Alan Carlos da Silva Cerqueira
Alessandra Stephany Basilio Ferreira
Allana Maria da Silva
Ana Clara Teles Araújo de Lima
Ana Luiza Argemiro da Silva
6
Angélica Soares Quintino
Harmie da Silva
Carolina Maria Albuquerque de Lima
Daniela da Silva Lino
Debora Carolina Sabino de Souza
Denner Willen Cavalcante
Emerson de Jesus da Silva
Erika Caroline Pereira da Silva
Eva Leticia Lima Oliveira
Francine Leôncio Mendonça de França
Gieli Melo Da Silva
Helena Sayane dos Santos Silva
Hugo Luiz Silva Vieira Feitoza
Ingrid Morganna de Menezes Oliveira
Ingrid Pimentel Santana
Isabele Maria de Melo Oliveira
Isabelle Isis Vasconcelos S. de Lima (Ariel)
Isadora Joana Firmino dos Santos
Isadora Milene Oliveira de Almeida
Jamerson André de Araújo Rodrigues
Jean Augusto da Silva Gomes
Jennifer Thayná de Lima dos Santos
João Victor Cavalcante Vilela
John Hilton Silva Oliveira
Julia Araújo de Magalhaes
Kaic Silva Vanderlei
Lara Victória Giulianne Gomes de Oliveira
Laura Silva Hipper
Lucas Duarte Falcão Lima
Luís Felipe Santos Lopes Machado
Luiza Geovana Rodrigues Rocha
Maria Clara da Silva de Oliveira
Maria Clara Dias Peneluc
Mariana Andrade Alcantara da Silva
Marilia Gabryella dos Santos Silva
Misaelli da Silva Santos
Pedro Lucas Epifânio de Lima
Rayanne Dayse de Melo Lima
Rute Daniele dos Santos Torres
Sara Beatriz Oliveira da Silva
Sofia Holanda Sodré de Brito Silva
Tainá Angelo da Silva
Talita Raquel
Wellen Lauhany dos Santos
7
Williane Gabrielle Barbosa Simões
Williane Priscila Alves da Silva
CRIAÇÃO VISUAL
Paulo Henrique dos Santos Araújo
Organização do Caderno de Resumos e Programação
(Editoração e Revisão)
Altina Maria Rodrigues de Farias (PPGH-UFAL)
Anderson da Silva Almeida (UFAL)
César Leandro Santos Gomes (UFMA)
Elias Ferreira Veras (UFAL)
Élida Kassia Vieira da Silva
Ellen Cirilo Santos (UFMA)
Irinéia Maria Franco dos Santos (UFAL)
Michelle Reis de Macedo (UFAL)
Agradecimentos
Aos/Às funcionários/as da UFAL, especialmente, do ICHCA e dos cursos de
História; Aos/Às palestrantes e artistas; Aos/Às monitores/as; Aos/Às
companheiros/as professores/as do Departamento de História; À FAPEAL.
Sem a parceria de vocês este evento não teria sido possível. Obrigado!
Maceió (AL)
Setembro
2023
8
Sumário
Apresentação ------------------------------------------------------------------------------ 10
Programação ------------------------------------------------------------------------------ 11
Minicursos --------------------------------------------------------------------------------- 12
Oficinas ------------------------------------------------------------------------------------- 19
Lançamento de Livros ------------------------------------------------------------------ 22
Simpósios Temáticos ------------------------------------------------------------------- 23
ST 01: PAULA PALAMARTCHUK, PRESENTE! Mulheres, Poder e as dimensões
de raça e classe ------------------------------------------------------------------------------ 23
ST 02: HISTÓRIA E MARXISMO ---------------------------------------------------- 29
ST 04: DESAFIOS E PERSPECTIVAS NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES
DE HISTÓRIA: o sequestro da docência com a implementação do “Novo Ensino
Médio” ---------------------------------------------------------------------------------------- 35
ST 05: ETNO-HISTÓRIA: narrativas em “peles de papel” ------------------------ 42
ST 06: FORMAÇÃO INICIAL E CONTINUADA: a Educação Histórica como
forma de construir a Consciência Histórica de Estudantes e Professores do Estado
de Alagoas ------------------------------------------------------------------------------------ 45
ST 08: HISTÓRIA CULTURAL DO PROTESTANTISMO ---------------------- 50
ST 09: HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO: Objetos de estudo, Teorias, Fontes e
Metodologias de Pesquisa ------------------------------------------------------------------ 54
ST 10: HISTÓRIA, IMAGENS E DIMENSÕES DO AUDIOVISUAL -------- 61
ST 11: HISTÓRIA, MEMÓRIA E HISTORIOGRAFIA DO BRASIL
REPUBLICANO ---------------------------------------------------------------------------- 66
ST 12: PODER E CONHECIMENTO EM ALAGOAS / ST 17: PENSAR A
PROVÍNCIA DAS ALAGOAS NO IMPÉRIO DO BRASIL: política, economia e
sociedade no Brasil oitocentista ----------------------------------------------------------- 76
9
ST 13: SOCIEDADES ESCRAVISTAS NO MUNDO ATLÂNTICO - SÉCULOS
XVI AO XIX ------------------------------------------------------------------------------- 79
ST 14: A RELIGIÃO COMO ORGANIZADORA DE MOVIMENTOS
SOCIAIS NO NORDESTE BRASILEIRO/ ST 16: AS MULTIFACES DA
RELIGIOSIDADE DAS GENTES SERTANEJAS NORDESTINAS -------- 90
ST 15: TERREIROS COMO LUGAR DE CONSTRUÇÃO DE SABERES E
MEMÓRIA/ ST 19: DINÂMICAS RELIGIOSAS NA HISTÓRIA ------------ 94
ST 18: NARRATIVAS DISSIDENTES: gênero, sexualidade interdisciplinaridade e
interseccionalidade ------------------------------------------------------------------------ 104
10
Apresentação
O 14º Encontro Nacional de História da UFAL e 3º Simpósio Regional
Nordeste da ABHR propõe como temática geral a reflexão sobre as relações
históricas entre as religiões e os diversos movimentos sociais e populares, em
temporalidades e espacialidades diferentes. Nosso interesse em tema tão desafiador
se justifica, especialmente, porque tais relações são estratégicas, no tempo presente,
para a construção de uma Democracia verdadeiramente popular, com respeito à
pluralidade e diversidade religiosa, em um Estado laico de Direitos sociais, culturais
e humanos plenos.
As aproximações e distanciamentos entre os âmbitos religioso e político, em
especial no período contemporâneo, têm se intensificado como problemas de estudo
para as diferentes áreas das Ciências Sociais e Humanas. A crise capitalista,
socioeconômica e política, desdobrada na pandemia de Covid-19 a partir de 2020, e
no avanço da extrema-direita em todo o mundo, acendeu um alerta para se buscar
uma melhor compreensão da complexidade das relações entre as religiões e a política
partidária, mas também sobre a adesão religiosa a projetos políticos de cunho fascista
e antidemocráticos. Por outro lado, as crises também demonstraram a força de
organização dos movimentos populares e sociais, muitos com vínculos ou de viés
religioso, que se desdobraram para minimizar o impacto da pandemia e do avanço
do fascismo. Sabemos que a divergência de “visões de mundo” no campo religioso
não é uma novidade na História, e o entendimento dos contextos que possibilitam
explicar tais relações (classistas, comunitárias, associativistas etc) necessita de uma
análise cuidadosa que leve em conta as contradições e conflitos institucionais,
políticos, culturais e econômicos que afetam as experiências religiosas individuais e
coletivas.
A Associação Brasileira para Pesquisa e História das Religiões (ABHR) tem
sido espaço de construção do campo de estudo sobre as religiões no Brasil, articulada
às redes de pesquisa internacionais. O Laboratório de História e Estudo das Religiões
(LHiER-UFAL) é parte dessa rede de estudiosos e pesquisadores e espera em
parceria com os cursos de História (graduação e pós-graduação) da UFAL fortificar
ainda mais o campo de estudos, especialmente na região Nordeste do país. Para isso,
convidamos a todos/as/es interessados/as/es em construir conosco uma produção
do conhecimento que seja, de fato, socialmente referenciada e contribua para a
construção de valores éticos, plurais, de respeito às diferenças e de plena Democracia.
As religiões como parte da realidade social e cultural do país têm muito o que
contribuir nessa luta.
Comissão Organizadora
Maceió, 27 de agosto de 2023.
11
Programação
Dia 04/09/2023 (segunda-feira)
8h às 12h - Credenciamento (ICHCA)
8h30 às 12h - Minicursos (ICHCA)
8h30 às 12h - Oficinas (ICHCA)
13h15 às 17h - Simpósios Temáticos (ICHCA)
17h - Lanche
18h - Apresentação Cultural do Abí Axé Egbé e Mesa de abertura: Auditório da Reitoria
19h – Cerimônia de abertura: Auditório da Reitoria,
19:30h - Mesa de abertura: “Espiritualidades indígenas e afro-brasileiras: desafios e caminhos
para o diálogo com os movimentos sociais”.
Local: Auditório da Reitoria
Palestrantes: Mestra Nádia Akawã Tupinambá (Teia dos Povos);
Prof. Casé Angatu (UESC);
Mestre Joelson (Teia dos Povos)
Mediação: Michelle Reis de Macedo (UFAL)
Dia 05/09/2023 (terça-feira)
8h às 12h - Credenciamento (ICHCA)
8h30 às 12h - Minicursos (ICHCA)
13h15 às 18h - Simpósios Temáticos (ICHCA)
19h - Mesa: “Religiões e movimentos sociais no Brasil Republicano: aproximações e conflitos”.
Local: Auditório da Reitoria.
Palestrantes: Profa. Jessie Jane (UFRJ)
Prof. Pedro Vasconcellos (UFAL)
Mediação: Anderson Almeida (UFAL)
12
Dia 06/09/2023 (quarta-feira)
14h às 18h - Simpósios Temáticos (ICHCA)
18h - Lançamento de Livros
19h - Mesa de Encerramento: “Religiões e movimentos sociais: que democracia popular
queremos?”.
Local: Auditório da Reitoria.
Palestrantes: Mãe Mirian (Iyá Binan) (Ilé N’ifé Omi Omo Posú Betá)
Mãe Neide Oyá D’Oxum (GUESB - Grupo União Espírita Santa Bárbara)
Pai Célio de Iemanjá (Axé Pratagy);
Pastora Odja (Igreja Batista do Pinheiro)
Carlos Lima (CPT-AL)
Pastor Jeyson Rodrigues (Igreja Batista Nazareth)
Mediação: Aline Oliveira (MST)
MINICURSOS
MC1 - O USO DE JORNAIS COMO LINGUAGEM DO ENSINO DE
HISTÓRIA: possibilidades e procedimentos
Ministrante(s): Vanieire dos Santos Oliveira Ramos (PPGH-UFAL)
Este minicurso visa discutir a utilização de jornais como linguagem do ensino de
História, tendo em vista as potencialidades da circulação de ideias nos periódicos e
sua relevância dentro de determinado contexto histórico e social. Essa proposta
parte do pressuposto de que o ensino de história está atrelado à análise dos
documentos históricos e de que o jornal como fonte histórica vai além de um veículo
de informação, mas que se caracteriza por uma narrativa dotada de historicidade. A
relevância do tema se insere por entender que o jornal, como linguagem de ensino,
permite ao discente a análise do conteúdo, compreender a forma como se apresenta
as notícias e os outros elementos que compõem o jornal, como fotografias e
propagandas, expostas nestas fontes e a compreender a intencionalidade do discurso
narrativo, ao mesmo tempo em que desenvolve a criticidade. Dessa forma, a intenção
deste minicurso pensa em proporcionar propostas teórico-metodológicas e práticas
para a investigação histórica a partir do contato e tratamento com os jornais. Sendo
assim, o objetivo do minicurso é apresentar as referências teóricas que abordam a
temática, além de levar os cursistas a interagirem com a metodologia do uso dos
13
jornais como suporte instrumental em sala de aula de forma a estabelecer
possibilidades para a prática do ensino e aprendizagem de história.
MC2 - A HISTÓRIA SOCIAL DAS RELIGIÕES E AS CONTRIBUIÇÕES
TEÓRICO-METODOLÓGICAS DE E. P. THOMPSON
Ministrante(s): Ellen Cirilo Santos (UFMA)
Wellington da Silva Medeiros (SEDUC-AL/UFRRJ)
Na análise de Thompson (2021) sobre a “dissidência”, revela-se o duplo caráter do
fenômeno religioso: seu papel social de legitimação da sociedade estabelecida, mas
também de crítica e protesto contra esta mesma sociedade. Por um longo tempo,
houve certo consenso entre pesquisadores marxistas que a religião seria “o ópio do
povo”. Entretanto, a postura dos diferentes grupos religiosos desvinculados da Igreja
Anglicana na Inglaterra, durante a segunda metade do século XVIII, demonstrou que
é insuficiente e até errôneo tal enfoque teórico. Deste modo, o minicurso tem como
objetivo discutir as contribuições teórico-metodológicas de Edward Palmer
Thompson (1924-1993) para a compreensão das implicações sociais e políticas do
fenômeno religioso a partir da luta de classes. Dividido em duas seções: (1) A
princípio, discutir-se-á os pressupostos mais gerais da chamada “sociologia marxista
da religião” e a perspectiva analítica do historiador inglês sobre o fenômeno religioso,
em contraposição a uma visão mecanicista da “teoria do reflexo”; (2) Na seção
posterior, observar-se-á os temas relacionados ao campo religioso na obra "A
formação da classe operária inglesa", e as contribuições teórico-metodológicas à
História Social das Religiões.
MC4 - IMPRENSA E DITADURA CIVIL-MILITAR: Os jornais como fontes
historiográficas.
Ministrante(s): Jonathan Soares de Souza (SEDUC - AL/CNSBC)
Durante muito tempo os jornais foram encarados na perspectiva de uma oficialidade,
que seria o retrato diário do cotidiano. Isso, aliado ao discurso jornalístico corrente
que versa sobre a neutralidade e imparcialidade, contribuiu para que a história retirada
das páginas dos jornais adquirisse contornos factualistas, afastando-se das críticas e
análises características do fazer histórico. No entanto, ao eleger determinado
impresso como fonte para a produção historiográfica, é necessário perceber a sua
amplitude e as singularidades no que diz respeito a utilização deste documento. Os
jornais se constituem como objetos singulares, que ultrapassam a função de órgão de
notícias. Apesar da aparência de um discurso coerente e uniforme, os jornais são
fruto de um conjunto de relações de poder, de representações sociais que envelopam
os sistemas sociais e culturais envolvidos em sua produção. Observar isso com rigor
metodológico é um excelente caminho para evitar armadilhas teóricas e conceituais
que apresentam esse tipo de fonte apenas como mera ilustração do passado.
14
Armadilhas essas que deixam entrever também um uso político do passado ao
manejar discursos e representações especificas como no caso da ditadura civil-militar.
MC5 - FONTES ECLESIÁSTICAS: possibilidades de pesquisa e ensino de
História
Ministrante(s): Altina Farias (PPGH-UFAL)
Gian Carlo de Melo Silva (UFAL)
O presente minicurso tem o objetivo de abordar fontes eclesiásticas no período
colonial e imperial, são elas: registros de batismos, casamentos, óbitos e outros como
o rol de confessos e a própria legislação, que normatizava o funcionamento da Igreja
católica. Através do estudo de tais fontes é possível observar suas influências nos
documentos religiosos e civis contemporâneos, entendendo os seus usos e aplicações
para entender e explicar nosso passado. Em paralelo, vamos observar como a história
está presente nestes documentos que mostram fases de uma vida, indo desde o
nascimento até o momento da morte, marcando o ritmo da vida dos sujeitos
históricos do passado e de hoje. O minicurso é aberto para estudantes de história,
pedagogia e demais interessados com o trabalho de fontes para pesquisa e ensino.
MC6 - DEMOCRACIA E NEOLIBERALISMO NA AMÉRICA LATINA
(1973-2023)
Ministrante(s): Rejane Carolina Hoeveler (FSSO-UFAL)
O minicurso tem como objetivo central trabalhar as ferramentas historiográficas
fundamentais para pensar a introdução do neoliberalismo no continente latinoamericano no contexto das transições democráticas do último quartel do século XX.
Em primeiro lugar, caberá uma definição sobre neoliberalismo, a partir da
bibliografia atualizada no tema. Em seguida, serão analisados os “laboratórios”
neoliberais do Chile do general Pinochet (1973) e da Argentina do general Videla
(1976) e sua relação com o pensamento neoliberal (teoria e prática). Na segunda
parte, busca-se compreender como o modelo neoliberal se consolidou no continente
a partir dos efeitos da crise da dívida externa, nos anos 1980, e serão comparadas as
experiências de Carlos Salinas, no México; Alberto Fujimori, no Peru, e Carlos
Menem, na Argentina. Por fim, caberá uma reflexão sobre o retorno do
neoliberalismo autoritário na segunda década do século XXI. Trata-se de
compreender que os programas de “ajuste” neoliberal foram colocados primeiro por
regimes ditatoriais, e posteriormente se conjugaram com processos de
redemocratização. As frágeis democracias resultantes destes últimos terão como
fundamento um novo constitucionalismo neoliberal, o qual se impõe até a atualidade,
explicando em parte a facilidade com a qual as instituições democráticas são violadas
no presente.
15
MC7. HISTÓRIA CULTURAL DAS RELIGIÕES E FILOSOFIAS
CHINESAS A PARTIR DE DESENHOS ANIMADOS
Ministrantes: Matheus Oliva da Costa (USP)
O minicurso "História cultural das religiões e filosofias chinesas a partir de Desenhos
Animados" tem como objetivo apresentar uma introdução à história cultural das
religiões e filosofias chinesas a partir da sua representação nos desenhos animados
“Avatar: A Lenda de Aang”, “Avatar: A Lenda de Korra” e o Anime “Dragon Ball
(original, Z e Super)”. Será destacada a maneira como elas representam e refletem
elementos das tradições culturais chinesas – especialmente do Confucionismo, do
Daoismo e do Budismo chinês – desde a perspectiva da História Cultural de Peter
Burke. O curso irá discutir como esses conceitos são representados nos personagens,
enredos e símbolos presentes nesses desenhos animados. Por exemplo: (1) como o
Senhor Kaio, Shen Long, Bills e até o próprio Sun Goku refletem toda uma
burocracia celestial daoista que é marcada por um equilíbrio natural aliado com
noções confucionistas de poder; ou, ainda, (2) como Aang, Korra ou tio Iroh
expressam personagens históricos como os monges budistas ou conceitos como o
senso de oportunidade do Clássico das Mutações (Yi Jing). Os métodos serão
exposição do tema, interações e exibição de cenas das animações.
MC8. COMO ESCREVER UMA HISTÓRIA DAS
MULHERES?
Ministrantes: Ana Valéria dos Santos Silva (PPGH-UFAL)
Verônica Araújo Mendes (PPGH-UFAL)
INDÍGENAS
A História, por muito tempo, destinou às mulheres ao obscurantismo, deixando-lhes
como única alternativa o aprender a caminhar no escuro - terreno privilegiado onde
se localizam os traços fragmentários de histórias contra-hegemônicas. Faz notar que
a historiografia passou por mudanças significativas, atualmente os estudos sobre as
mulheres gozam de legitimidade. Contudo, quando inserimos a categoria indígena,
voltamos a vislumbrar sombras ainda mais opacas. Isto se deve ao fato de a
hegemonia do masculino ter sido deslocada para a hegemonia do feminino branco,
a qual negligencia as mulheres racializadas. Esta realidade também persiste na
continuidade dos discursos colonialistas cujas representações do feminino assumem
caráter hipersexualizado, nelas, as indígenas mulheres aparecem como passivas aos
interesses do homem e necessárias apenas como procriadoras. A proposta deste
minicurso se inscreve em um quadro alternativo e se constrói em diálogo com as
epistemologias indígenas (CRUZ, 2020; PAREDES, 2013), visando elidir os pilares
formadores da História, a saber, o colonialismo e o patriarcado. Objetivamos
promover debates que levem os participantes a enxergarem as possibilidades de
fontes, temáticas, metodologias e campos disciplinares para a escrita da História das
indígenas mulheres.
16
MC10 - A GUERRA DO CONTESTADO E SUAS FASES: fé, devoção,
resistência e esperança
Ministrantes: Márcia Janete Espig (UFSC)
Paulo Pinheiro Machado (UFSC)
O presente minicurso irá abordar o contexto histórico e as principais fases relativas
a um movimento sociorreligioso específico, o Contestado, destacando ainda a
historiografia sobre o tema. A guerra do Contestado foi um conflito social ocorrido
entre 1912 e 1916 no planalto meridional brasileiro, em região de jurisdição disputada
entre os estados de Santa Catarina e Paraná. Entre as origens do conflito podemos
apontar a crise agrária, criada pelo processo de concentração fundiária, os abusos do
coronelismo na região, os conflitos locais remanescentes da Revolução Federalista
de 1893 e o impacto da construção da linha sul da Estrada de Ferro São Paulo – Rio
Grande. Foi um movimento social que uniu sertanejos, ervateiros, tropeiros e
sitiantes pobres, que se organizaram em comunidades autodenominadas “Cidades
Santas”. O movimento sertanejo se estruturou a partir de um discurso com
características milenares, fundindo diferentes tradições religiosas populares, como o
profetismo em torno dos monges itinerantes, as práticas de capelães de terço,
rezadores e virgens videntes. O grupo rebelde sofreu diversos ataques aos redutos
iniciais de Taquaruçu e Caraguatá, mas a partir do segundo semestre de 1914 teve
uma grande expansão territorial. Em 1915, uma grande expedição do exército, com
mais de 6 mil soldados, somados às tropas estaduais e a capangas de fazendeiros,
promoveu um grande cerco ao movimento rebelde, que teve suas últimas rendições
em 1916.
MC11. FONTES PARA O ESTUDO DOS PROTESTANTISMOS NO
BRASIL, SÉC. XVI A XIX
Ministrantes: César Leandro Santos Gomes (UFMA)
Jadson Ramos de Queiroz (Egresso-PPGH/UFAL)
Debater as contribuições dos estudos históricos a respeito das religiões protestantes
no Brasil a nível nacional e regional. Com ênfase na análise de fontes documentais
entre os séculos XVI e XIX disponíveis em banco de dados digitais, tais como
Arquivo Nacional da Torre do Tombo de Lisboa, Portugal, e nos periódicos da
Hemeroteca Digital Brasileira. Nas últimas décadas, os estudos brasileiros a respeito
das religiões têm destacado a existência de um campo perpassado por relações de
poder, conflitos sociais e políticos. A partir dessa perspectiva, o movimento religioso
denominado Reforma Protestante, iniciado no século XVI, passa a ser compreendido
como um fenômeno histórico, marcado por processos de continuidades e rupturas.
Por meio das fontes Inquisitoriais, disponíveis no Arquivo Nacional da Torre do
Tombo de Portugal e dos periódicos da Hemeroteca Digital Brasileira, pode-se notar
a presença de sujeitos históricos, conflitos religiosos e observação das práticas de
proselitismo adotadas pelas diferentes vertentes do Protestantismo. Logo, o
17
minicurso tem como proposta discutir a utilização de fontes e as possibilidades de
análise histórica a respeito do Protestantismo no Brasil desde seus primórdios,
partindo, desta forma, do século XVI ao XIX. Contudo, observando que esse
processo histórico compõe traços do quadro social brasileiro na atualidade.
MC12 - REPRESENTAÇÃO DOS ANIMAIS NAS ILUMINURAS DE
COMENTÁRIOS BIBLICOS MEDIEVAIS
Ministrante: Raquel de Fátima Parmegiani (UFAL)
A proposta deste minicurso é pensar os usos e práticas ligadas a tradição de exegese
escrita e iconográfica bíblica entre os séculos X a XII. Nos ateremos em discussões
teórico-metodológicas ligadas à análise dos códices medievais, principalmente, de
como as imagens integram a mensagem que o livro-objeto e a textualidade querem
passar a seu leitor. Em termos de prática de análise, focaremos nosso trabalho nas
representações dos animais; como estas se estruturam dentro dos arranjos figurativos
das iluminuras que acompanham os códices; e, principalmente, como as próprias
iluminuras se apropriam da representação figurativa dos animais edificadas pela
exegese escrita, visto que tanto no aspecto material como no aspecto semântico, a
imagem pode concordar com o texto, mas também romper com ele e, dialeticamente,
construir novos significados.
MC13 - HISTORIOGRAFIA LGBTQIA+ NO BRASIL
Ministrantes: Elias Ferreira Veras (UFAL)
Este minicurso tem como objetivo principal apresentar e problematizar a recente
historiografia brasileira sobre as experiências que hoje denominamos LGBTQIA+.
A partir da análise das dissertações/teses e da publicação de obras autorais e coletivas
produzidas nas últimas décadas sobre a temática, propõe investigar quais
sujeitos/as/es, recortes temporais e usos das fontes estão presentes na escrita da
história sobre o assunto. Se já não podemos mais falar em silêncios de Clio sobre o
universo LGBTQIA+, tal como diagnosticado por Joana Maria Pedro e Elias
Ferreira Veras, em 2015 (Revista Tempo & Argumento), se já é possível vislumbrar
um campo historiográfico em construção, da história LGBTQIA+, como observado
por Benito Schmidt (2021), quais avanços ainda precisamos percorrer?
MC14 - NOVA HISTÓRIA INDÍGENA E DO INDIGENISMO NO
BRASIL: uma introdução
Ministrante: Felipe da Silva Barbosa (SEDUC-AL)
O minicurso propõe-se a apresenta, a partir de uma abordagem introdutória e
expositiva, as principais transformações ocorridas no campo da história social
18
relativas à temática indígena e do indigenismo no Brasil, durante as últimas cinco
décadas. Voltado para os mais diferentes tipos de público, o minicurso, ''Nova
História indígena e do indigenismo no Brasil: uma introdução.'', pretende contribuir
para o aperfeiçoamento acadêmico-profissional e para a formação humana dos
interessados na temática ao descortinar e analisar criticamente contextos e
movimentos históricos, bem como atores e obras que marcaram esse novo período
de mobilizações, tanto no âmbito acadêmico, com a renovação da produção do
conhecimento histórico, quanto nas diferentes formas de manifestação
protagonizada pelo movimento indígena e indigenista.
MC15 - A IGREJA CATÓLICA EM ALAGOAS COMO INSTRUTORA
EDUCACIONAL DOS TRABALHADORES
Ministrante: Alex Benedito Santos Oliveira (SEDUC-AL)
O presente minicurso tem por objetivo analisar as atividades de mobilização
política/pedagógica exercidas pela Igreja Católica em Alagoas, durante os anos de
1980 a 1995 nas regiões litorâneas, já que esta área é caracterizada como a de maior
concentração de grupos populares que protestam contra a condição de pobreza e
miserabilidade, em que se encontravam os trabalhadores. Buscaremos, assim,
informar e assinalar as práticas instrucionais que a Igreja, por meio de seus agentes
pastorais, desenvolveu junto aos operários da pesca e aos moradores dos bairros
pesqueiros do litoral alagoano. Práticas estas que, por seu turno, são baseadas na
inserção de pastorais sociais como: a Pastoral do Menor, a Pastoral da Mulher, a
Pastoral da Pesca e a da Comissão de Justiça e Paz. Estas ações visavam à instrução
social e ideológica de trabalhadores subalternos, uma vez que tais ações
proporcionavam-lhes o surgimento de sujeitos políticos e históricos nas
comunidades nas quais a Igreja e seus agentes sociais realizaram suas atividades
pedagógicas e jurídicas. Desse modo, salientaremos como as referidas atividades
estavam assentadas na instrução tanto de ações de mobilização ambiental, quanto na
proteção social dos trabalhadores perante o Estado.
MC16 - A FRENTE PARLAMENTAR EVANGÉLICA E A “DEFESA DA
VONTADE DE DEUS” NO CONGRESSO NACIONAL
Ministrantes: Janaina Freire dos Santos
José Ferreira Júnior
Este minicurso promove discussão acerca da mudança comportamental evangélica,
a partir da redemocratização do Brasil, em 1985, deixando a postura apolítica, até
então defendida, e embarcando na vida pública, vindo a promover a existência da
Frente Parlamentar Evangélica (FPE) no Congresso Nacional. Busca mostrar a razão
da existência dessa instituição que, apartidária e divergente no referente à ideologia
doutrinária de seus membros, atua de modo coeso, confluindo em sua agenda, na
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qual a moral religiosa é o seu espinhaço e se desdobra discursivamente na defesa da
família tradicional, da não liberação do aborto, do antifeminismo e não aceitação da
homossexualidade. De onde procede essa intencionalidade evangélica? Que razão
funcionou como mola propulsora ao abandono, por parte dos evangélicos, de uma
postura apolítica e o abraçar de posicionamento político partidário? A tais
questionamentos busca responder este minicurso, a partir de uma revisão
bibliográfica, lançando mão de autores e autoras que se debruçam sobre essa
temática, bem como trazendo à luz notícias jornalísticas que abordaram e ou
abordam o agir parlamentar evangélico na esfera maior do poder político brasileiro,
o Congresso Nacional.
OFICINAS
OFICINA 1 - "COMO RESPONDER UMA PROVA?": roteiros, resumos,
fichamentos e projetos
Ministrante: Gian Carlo de Melo (UFAL)
Nesta oficina vamos abordar aspectos essenciais para elaborar uma resposta de
questões dissertativas, entender as fases de construção de projetos e seus
direcionamentos. Vamos entender o que é um resumo, uma resenha e um fichamento
e como eles podem nos ajudar na dinâmica acadêmica. Assim, pretendemos nesta
oficina ajudar os participantes em questões práticas para melhorar a qualidade dos
seus escritos e aprendizado.
OFICINA 2 - OFICINA DE LEITURA PARA HISTORIADORES/AS:
contextos epidêmicos do Brasil republicano em quatro narrativas literárias
Ministrante: Ana Cláudia Aymoré Martins (UFAL)
Sabemos que as epidemias e pandemias são, a princípio, processos biológicos; no
entanto, tanto é verdadeiro que elas se disseminam sobre determinados contextos
históricos, reverberando de forma significativa sobre diversos âmbitos da vida
material, cultural e das mentalidades coletivas, como também podemos observar, a
partir dessas relações, os vínculos entre o que o historiador William McNeill
denominou de microparasitismo (dos microorganismos) e macroparasitismo (das
experiências humanas no tempo). Frequentemente, foi/é a escrita literária uma das
responsáveis por narrar e tentar dar significado(s) a esses eventos sempre aterradores,
constituindo-se num corpus privilegiado de análise histórica de "tempos de peste".
Assim, o objetivo dessa oficina será o de propor e exercitar vieses de leitura e análise
de narrativas literárias breves, as quais, em diferentes contextos da história do Brasil
nos séculos XX e XXI, trataram do tema das epidemias e pandemias: o conto "A
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peste", de João do Rio, um fragmento da autobiografia "Chão de ferro", de Pedro
Nava, o conto "Linda, uma história horrível", de Caio Fernando Abreu, e o conto
"O sono que eles dormem", de Laura Cohen Rabelo.
OFICINA 3 - ENSINANDO A TRANSGREDIR: por uma outra visão da
história
Ministrantes: Alvanir Ivaneide Alves da Silva
Carlos Eduardo de Souza
Fernanda de Araújo Oliveira
Inspirado na obra de Bell Hooks (2013) “Ensinando a transgredir: A educação como
prática da liberdade”, vemos a pensadora refletir as problemáticas de uma educação
bancária e nos sugere uma educação libertadora advinda do pensamento de Paulo
Freire. Hooks (2013) a partir de sua experiência tanto como aluna quanto como
professora, observou que a maioria dos/as professores/as reproduziam os sistema
de dominação. Partindo desta premissa e trazendo para o campo da teoria e ensino
de História, argumentamos que esta História posta, de uma única visão tradicional,
que se exaltava os “grandes homens, dos grandes feitos” (ALBUQUERQUE
JÚNIOR, 2019), destinou a todos, todas e todes que não se enquadra nesse padrão
um local de silenciamento histórico de mulheres, população negra e os povos
indígenas. Ou mesmo, um lugar da subalternidade, que muitas das vezes ainda são
reproduzidos nos livros didáticos e consequentemente nas salas de aula. Após uma
contextualização teórica propomos ainda a utilização dos museus virtuais (Museu
Afro Brasil e o Museu do Índio), com o intuito de gerar a problematização da
colonização e o uso deles pelos/as participantes da oficina futuramente nas salas de
aula, tendo em vista que “o museu virtual é essencialmente um museu sem fronteiras,
capaz de criar um diálogo virtual com o visitante, dando-lhe uma visão dinâmica,
multidisciplinar e um contato interativo com a coleção e com o espaço expositivo”
(MUCHACHO, 2005, p. 1546). Por fim, a presente oficina busca atrelar as pesquisas
que vêm sendo desenvolvidas pelos proponentes, levando a formação de uma
pensamento crítico transgressivo, onde possa contribuir para questionar velhas
práticas que acabam reproduzindo o racismo, tendo em vista ele é estrutural
(ALMEIDA, 2018) e está presente na escola, ou mesmo na linguagem
(NASCIMENTO, 2019), além do o sexismo, classicismo e etc.
OFICINA 4 - “MAS E AGORA, COMO PUBLICAR ARTIGOS
ACADÊMICOS?'': um passo a passo da redação à publicação do seu artigo
acadêmico.
Ministrante: Felipe da Silva Barbosa (SEDUC-AL)
A falta de domínio sobre o conhecimento da produção de artigo científicos no meio
acadêmico torna esse saber fazer um privilégio de poucos. Tal estado de coisas reduz
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a autonomia e a afirmação de pessoas, o que, por sua vez, impacta na formação de
diversos estudantes que almejam dar seguimento a graduação e a pós-graduação ao
longo da vida. Voltado para os mais diferentes tipos de público, mas principalmente
para público acadêmico, a oficina, mas e agora, como publicar artigos acadêmicos?:
um passo a passo da redação à publicação o seu artigo acadêmico, pretende oferecer
diferentes orientações relativas à redação e publicação de artigos científicos a partir
da estruturação do texto acadêmico em sua dimensão política, cientifica e narrativa.
Além disso, a oficina pretende abrigar momentos voltados para o diálogo e relato de
experiências relativas à escrita acadêmica, tornando-se assim um espaço de
aprendizado, empoderamento e troca de conhecimentos.
HORÁRIOS DOS MINICURSOS E OFICINAS
MINICURSO/OFICINA
04/09
05/09
06/09
MC1
8h30 às 12h00
8h30 às 12h00
X
MC2
8h30 às 12h00
8h30 às 12h00
X
MC3
x
x
X
MC4
8h30 às 12h00
8h30 às 12h00
X
MC5
8h30 às 12h00
8h30 às 12h00
X
MC6
8h30 às 12h00
8h30 às 12h00
X
MC7
x
x
x
MC8
x
8h30 às 12h00
8h30 às 12h00
MC9
x
x
x
MC10
8h30 às 12h00
8h30 às 12h00
x
MC11
x
8h30 às 12h00
x
MC12
8h30 às 12h00
8h30 às 12h00
x
MC13
8h30 às 12h00
8h30 às 12h00
x
MC14
x
8h30 às 12h00
8h30 às 12h00
MC15
8h30 às 12h00
8h30 às 12h00
x
MC16
8h30 às 12h00
8h30 às 12h00
x
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OFICINA 1
8h30 às 12h00
x
x
OFICINA 2
8h30 às 12h00
x
x
OFICINA 3
8h30 às 12h00
x
x
OFICINA 4
8h30 às 12h00
x
x
LANÇAMENTO DE LIVROS
Dia: 06 de setembro de 2023
Horário: 18h00
Local: Auditório da Reitoria
1. Título: Oju Omim Omorewá - O afoxé dança para Iansã (2ª edição)
Autoria: Daniela Beny Polito Moraes
Editora: Viva Editora
Ano: 2022
2. Título: Movimento Estudantil: trajetórias e memórias coletivas
Autoria: Luciana Calado Rodrigues
Editora: Dialética
Ano: 2022
3. Título: As vacas estão fazendo protesto
Autoria: Gabriel Montilla de Miranda
Editora: M.inimalismos
Ano: 2023
4. Título: O axé nunca se quebra: transformações históricas em religiões
afrobrasileiras, São Paulo e Maceió (1970-2000) - 2ª Edição.
Autoria: Irinéia Maria Franco dos Santos
Editora: Edufal
Ano: 2023
5. Título: Os Crimes e a História do Brasil
Autoria: Gian Carlo de Melo Silva
Editora: Edufal
Ano: 2023
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6. Título: História, Política e Tempo Presente
Autoria: Marcelo Góes Tavares e Hélder Remigio de Amorim
Editora: Uneal
Ano: 2023
7. Título: História e Memória: escritos sobre cultura e ensino no tempo
presente
Autoria: Marcelo Góes Tavares e Helder Remigio de Amorim
Editora: Uneal
Ano: 2023
8. Título: O partido dos operários: comunistas e trabalhadores urbanos em
Alagoas (1951-1961)
Autoria: Anderson Vieira Moura
Editora: Autografia
Ano: 2023
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SIMPÓSIOS TEMÁTICOS
ST01 – PAULA PALAMARTCHUK, PRESENTE! Mulheres, Poder e as
dimensões de raça e classe
Coord.: Iracélli da Cruz Alves (UFMA); Gabriela Torres Dias (Seduc-AL);
Maria Fernanda Alves da Silva (UFAL); Sandra Catarina de Sena
(Ministério das Relações étnicorraciais/Egressa PPGH-UFAL).
Este simpósio é mais do que um ST. É também uma homenagem à professora Ana
Paula Palamartchuk, que compartilhou afetivamente conosco a construção da
proposta. Optamos por manter a última versão do resumo, finalizada no dia 21 de
março de 2023 com muito entusiasmo e vontade de encontro. Paula Palamartchuk,
presente! O período que transita entre a escravidão e o pós abolição foi marcado por
uma série de conflitos e contradições que envolvem elementos fundamentais para
entender como as desigualdades sociais, raciais e de gênero se (re)estruturaram logo
após o Treze de Maio. O processo impõe questões importantes para a história social
do trabalho, para a história política, assim como para a história social da cultura.
Pensando o campo da história das mulheres, mais especificamente, nota-se que na
última década do século XX e a primeira do século XXI, houve a crítica ao paradigma
marxista de classe motivada, principalmente, pelas intervenções e pesquisas da
historiadora estadunidense, Joan Scott. No Brasil, a dinâmica dos movimentos sociais
antirracistas e antissexistas têm contribuído para colocar novas demandas à
historiografia. No caso da historiografia feminista, uma questão que tem se tornado
cada vez mais central diz respeito ao silenciamento - que vem sendo paulatinamente
quebrado - sobre a presença das mulheres na historiografia do trabalho. Em se
tratando da historiografia feminista, os silêncios sobre as mulheres racializadas
também se tornaram gritantes, em que pese o desenvolvimento de pesquisas
importantes que trazem à tona as dinâmicas do feminismo negro. Essa atenção e
sensibilidade por novos sujeitos e novas perspectivas se deve, certamente, às
pesquisadoras negras, indígenas e das classes populares que ingressaram nas
universidades públicas nos últimos anos e que fazem tanta diferença na vida
universitária. É com elas que a academia tem aprendido a ler, entre tantas outras
pesquisadoras, Lélia Gonzalez, Beatriz Nascimento, Sueli Carneiro, Angela Davis,
Grada Kilomba, Oyèrónké Oyewùmí, bell hooks, Eliane Potiguara, Françoise
Vergès. Assim, convidamos pesquisadores e pesquisadoras a discutirem temáticas
diversas que articulem memória, história e redes transnacionais, sobretudo no campo
da história das mulheres e da história social do trabalho, dos estudos de gênero e das
relações raciais.
25
Sessão I (04/09/23)
1. FEMINISMO EM DEBATE: história, memória e historiografia.
Iracélli da Cruz Alves (iracelli_alves@hotmail.com)
Em sintonia com a professora Paula Palamartchuck (in memorian), a comunicação
tem a finaldiade de discutir a história e a historiografia do feminismo no Brasil com
base em produção de silêncios. Alguns desses apagamentos analisei em minha tese
de doutorado intitulada Feminismo entre ondas: mulheres, PCB e política no Brasil;
outras desenvolvidas em artigos científicos. A problematização, muitas vezes
pensada junto com Paula Palamartchuk, nos permite apresentar elementos que nos
ajudam a pensar histórias feministas para além das ondas. Além dos resultados de
pesquisa publicizados, pretendo trazer elementos das últimas conversas informais e
afetuosas que tive com a nossa saudosa professora. Paula Palamartchuck, presente!
2. PERIODISMO FEMINISTA EM ALAGOAS (1887-1910).
Roberta Sodó (robertasodo7@gmail.com)
A presente comunicação traz alguns desdobramentos de uma pesquisa que busca
evidenciar a resistência de mulheres feministas e a conformação de normativas
gendradas no periodismo voltado ao público feminino de Alagoas. Quatro desses
periódicos tiveram como missão, entre outros ideais, reivindicar direitos e denunciar
a condição precária das mulheres. O esquecimento da escrita e da trajetória dessas e
de outras mulheres alagoanas, ou atuantes em nosso estado, é notável e político. Por
isso mesmo a necessidade de impulsionar uma historiografia feminista, crítica à
reprodução dos poderes hierárquicos de gênero, raça, classe, sexualidade, etc.
3. A MULHER TRABALHADORA NAS PÁGINAS DO MULHERIO (1981
- 1988): uma reflexão sobre o trabalho doméstico feminino remunerado e o
debate feminista.
Maria Fernanda Alves da Silva (maria.fernanda@ichca.ufal.br)
A proposta desta comunicação é apresentar a imprensa feminista, durante o período
de redemocratização, como um espaço de luta feminina e feminista. Inicialmente, o
jornal Mulherio (1981-1988) foi criado com o objetivo, apenas, de divulgação de
pesquisas. Porém, o rumo mudou e, assim, ele se transformou em um dos periódicos
mais duradouros da imprensa feminista, abordando os impasses da “mulher
brasileira” neste contexto. Durante a pesquisa no jornal, foi possível perceber que a
questão trabalhista sempre esteve em evidência nas edições do jornal. Portanto, nesta
comunicação será apresentado o projeto de pesquisa, no qual investiga o trabalho
doméstico feminino remunerado nas páginas do Mulherio. Sendo possível, assim,
26
entender o contexto de luta dessas mulheres pelos seus direitos no período de
redemocratização e, também, como a agenda de reivindicações das mulheres
feministas impactaram nas conquistas trabalhistas. Outro ponto importante desse
projeto de pesquisa é a investigação em torno da organização sindical das
trabalhadoras domésticas entre as décadas de 1970 e 1980, de modo a entender as
movimentações trabalhistas feitas por essas trabalhadoras que possibilitou, a
obtenção de direitos com a constituição de 1988.
4. FEMINISMO EM ALAGOAS: a atuação da Federação Alagoana pelo
Progresso Feminino (1932-1945).
Francine Leoncio Mendonça de França (francine.franca@ichca.ufal.br)
Esta pesquisa, recém iniciada, busca traçar o percurso da Federação Alagoana pelo
Progresso Feminino (FAPF), organização feminista fundada em 1932 e filiada à
Federação Brasileira pela Progresso Feminino que teve grande atuação na conquista
do voto feminino. A fundação partiu da iniciativa da Dra. Lily Lages, primeira mulher
do estado a conquistar um cargo político representativo, sendo eleita deputada
estadual em 1934, pelo Partido Republicano. Com sede em Maceió, a FAPF teve três
sub-filiais: na cidade do Pilar, de São Miguel dos Campos e de São José da Laje. “As
fundadoras definiram a organização como um espaço de atividade política,
privilegiando ações educativas e culturais e dando ênfase especial às práticas de
assistência social e sanitária.” (SCHUMA, 2004, p. 100). Será analisada a
documentação encontrada da entidade visando identificar qual o impacto dessa
organização em um estado bastante conservador como o de Alagoas.
5. LEI DO DIVÓRCIO NO BRASIL: Conflitos por meio do Jornal de Alagoas
(1977).
Sara Baltazar Cardoso da Silva (sara.cardoso@ichca.ufal.br )
A lei do divórcio foi assinada em 26 de dezembro de 1977, configurando um
importante avanço nas relações de gênero no Brasil. Dessa forma, o objetivo é fazer
uma análise historiográfica de alguns estudos já produzidos em relação ao tema por
meio de uma abordagem interseccional com base nas produções historiográficas de
Marlene de Fáveri (2007), Maria Isabel de Moura Almeida (2010), Marluce Dias
Fagundes (2020) e Lauren Cavichioli Quissini (2022). Além de uma exposição das
reportagens sobre o tema encontradas no Jornal de Alagoas em suas edições durante
os meses que antecederam sua promulgação.
27
Sessão II (05/09/23)
1. POR UMA HISTÓRIA DAS MULHERES QUILOMBOLAS: identidade,
governamentalidade e resistências em cruz da menina dona Inês/PB (2005 tempo presente).
Fernanda de Araújo Oliveira (afernanda791@gmail.com)
As movimentações femininas de Cruz da menina pela efetivação do direito
constitucional à terra é barrado por uma governamentalidade racista (ALMEIDA,
2018), além de não serem efetivadas as políticas públicas como educação escolar
quilombola, saúde e saneamento básico. Fica evidente que associação composta
majoritariamente e ativamente por mulheres é um instrumento coletivo de
reivindicação de direitos e construção de resistências femininas.
2. UNIÃO DAS MULHERES DE MACEIÓ (UMMA): uma abordagem
interseccional das lutas das mulheres cisgêneras na abertura Maceió/AL
(1970 – 1980).
Adrícia Bonfim (adriciabonfim@gmail.com)
Ao longo do período da ditadura civil-militar-cisheteronormativa (QUINALHA,
2017) as lutas por direitos deram-se sob aspectos tão diversos quanto aqueles/as que
as protagonizaram. Nas décadas de 1970 – 1980, as discussões sobre a Constituinte
e a abertura democrática fizeram emergir no cenário nacional uma diversidade de
sujeitos: mulheres (neste trabalho, com destaque às mulheres cisgêneras), LGBTs,
negros/as, que passaram a atuar e a resistir politicamente sob novas formas de
organização e mobilização, colocando em evidência as questões de gênero, classe,
raça e sexualidade. Partindo de uma perspectiva interseccional (AKOTIRENE, 2019;
DAVIS, 2016; CRENSHAW, 2020), busco investigar como essas questões são
performadas no cenário alagoano, a partir da análise da atuação das mulheres
cisgêneras que constituíram a União das Mulheres de Maceió (UMMa).
3. HOJE SABEMOS O LUGAR QUE QUEREMOS OCUPAR NA
HISTÓRIA DO PAÍS: um olhar sobre a participação política das mulheres
indígenas através da trajetória de Maninha Xukuru Kariri. (1988-2006).
Ana Valéria dos Santos Silva (valeria-2910@live.com)
Etelvina Santana da Silva acreditava que iria vencer na vida mediante uma formação
escolar. No entanto, ao tecer um novo caminho e buscar “vencer na terra” abriu
espaço para aquela que seria chamada de Maninha Xukuru Kariri. Em um período
em que era incomum as mulheres indígenas ocuparem espaços de liderança, ela se
fez presente na defesa do interesse do seu povo participando da retomada de terra,
28
reuniões, protestos e palestras. Defendia o território, a saúde, educação dos povos
indígenas de diferentes regiões e mesmo quando não trazia pautas sobre gênero a sua
presença em espaço majoritariamente masculino falava por ela: em 1990, surgia a
comissão Leste-Nordeste, composta por oito líderes indígenas, Maninha era a única
mulher do grupo. Em 1995, na assembleia de criação da APOINME, Maninha era a
única mulher na coordenação, em muitas reuniões era a única mulher em meio às
lideranças. Conforme o site Mulher 500 anos Maninha com 21 mulheres XukuruKariri, em 1997 participou da constituição do comitê inter-tribal de mulheres
indígenas de Alagoas (COIMI) e devido a sua trajetória foi indicada em 2000, para o
Projeto "1000 mulheres para o prêmio Nobel da Paz". Dito isto, como fonte de
pesquisa serão analisados recortes de jornais da revista Porantim, atas de reuniões e
relatórios da Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas
Gerais e Espírito Santo. O recorte temporal inicia no ano de 1988, quando começa
a surgir as primeiras organizações de mulheres indígenas no Brasil que correspondem
com o início da participação de Maninha no movimento indígena até a data da sua
morte em 2006. A pesquisa busca investigar e compreender a trajetória de uma
mulher indígena ultrapassando o discurso de opressão e dominação, reavaliando o
poder das mulheres indígenas, através daquela que ocupou e incentivou para que
estas ocupem a plenitude de seus papéis.
4. DA EXCLUSÃO À RESISTÊNCIA: o prisma racial e as discussões na
imprensa alternativa.
Allana Letticia dos Santos (allanaletticia@hotmail.com)
Este artigo é resultado as investigações que estão sendo realizadas durante o
doutorado, no qual, busco destacar como a imprensa discute os temas sobre as
questões raciais. Essa preocupação é de interesse deste estudo devido
principalmente, ao papel central que a mídia desempenha na formação de opiniões e
na disseminação de informações na sociedade, e também da forma como esse debate
estava sendo apresentado nas páginas dos jornais, O Pasquim, Informativo Nzinga,
Revista Realidade.
5. A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE QUILOMBOLA EM PALMEIRA
DOS ÍNDIOS/AL.
Joseane Santos da Costa (joseane_s.costa@hotmail.com)
Este estudo trata da Educação Escolar Quilombola em Alagoas e tem como objetivo
compreender o processo de constituição da identidade quilombola dos alunos da
Escola Municipal Professora Mary Sampaio Caparica, situada em Palmeira dos
Índios/AL. Buscamos desta forma contribuir com a visibilidade dos remanescentes
quilombolas, mostrando o protagonismo, as tradições, as lutas e as conquistas, além
disso a pesquisa traz para o centro do debate o Ensino de História da África e de
29
Cultura Afro-brasileira, que mesmo com todo aparato legal existente permanece
cercado de lacunas, como falta de livros didáticos sobre a temática, falta de formação
dos professores, assim como as questões ligadas ao preconceito e racismo existente
em nossa sociedade. Os caminhos para realização deste estudo deu-se por meio
levantamento bibliográfico livros, artigos, dissertações e teses tendo com referências
BITTENCURT (2018); GOMES (2011); OLIVA (2003); FONSECA (2022); além
de pesquisa de campo por meio entrevista com os alunos, os professores, os
coordenadores e os diretores da escola. Entendemos que a educação formal é um
espaço de disputas de narrativas, a escola e seus currículos são permeados por
relações de poder que precisam ser compreendidos para que haja a construção de um
ambiente escolar inclusivo, onde as comunidades quilombolas sejam ouvidas e de
forma coletiva seja pensada a implementação da Educação Escolar Quilombola. Um
currículo para educação Escolar Quilombola deve estar a serviço de desconstruir
conceitos que alimentem a desigualdade histórica sofrida pelos negros, quilombolas
e indígenas. Cabe a escola fazer um debate sobre a temática, pois, é neste ambiente
que ocorre a socialização dos saberes. As pesquisas mostram que existe um longo
percurso para que a Educação Escolar Quilombola seja implementada de forma
satisfatória, existindo lacunas no campo das políticas públicas que facilitariam o
processo. É o caso, por exemplo, da escassez de livros didáticos sobre a temática,
quando existem trazem uma abordagem superficial e a falta de formação continuada
para os docentes que atuam em escolas quilombolas, isso, por si só já dificulta o
acesso dos estudantes a uma educação pautada no que estabelece a Lei 10.639/03 e
as Diretrizes Curriculares Nacional para Educação Escolar Quilombola.
6. O TRABALHO FEMININO NO MUNDO FABRIL TÊXTIL
ALAGOANO: Mulheres Operárias em Fernão Velho na década de 1950.
Luanda Giulia Silva dos Santos (luandaluju@gmail.com)
Marcelo Góes Tavares (marcelo.tavares@uneal.edu.br)
Esse trabalho tem como objetivo historicizar as condições de trabalho de operárias
têxteis no complexo fabril da Fábrica Carmen em Fernão Velho, Maceió-AL na
década de 1950. Propomos analisar as relações de trabalho e formas de
enquadramento dessas trabalhadoras considerando o recorte de gênero, foco este
que se opõe e desnaturaliza as representações de um espaço fabril
predominantemente masculino. Ensejamos assim, evidenciar a estrutura social na
qual essas operarias estavam inseridas; um ambiente machista; processos
disciplinares, mas sobretudo seus protagonismos. Como corpus historiográfico e
teórico metodológicos propomos: Tavares (2016); Farias (2017); Rago (2014); Scott
(1989); Correia (1998); Lobo (2021); Guimarães (2014); Fraccaro (2016); Scott
(1989); Perrot (2005); Certeau (2014); Birole (2018), entre outros. E como corpus
documental usamos imagens, relatos de memória, e processos trabalhistas.
30
ST02 – HISTÓRIA E MARXISMO
Coord.: Aruã Lima (UFAL); Rejane Carolina Hoelever (UFAL); Osvaldo
Maciel (UFAL)
Organizado pelo Grupo de Trabalho (GT) História e Marxismo da Anpuh Nacional,
este Simpósio Temático (ST) propõe um espaço de intercâmbio crítico entre
pesquisadores cujas investigações incorporam e desenvolvem questões teóricometodológicas formuladas a partir da perspectiva marxista ou em diálogo com ela.
Este é o objetivo central de nosso ST, envolvendo experiências de pesquisa num
universo temático amplo e com problemáticas clássicas e novas do materialismo
histórico, a religião inclusa. Sabe-se da importância que o fenômeno religioso tem no
rol de problemáticas clássicas do materialismo histórico. Desde Engels e sua
importante contribuição sobre Thomas Münzer e a revolta dos anabatistas no século
XVI até a chamada tradição marxista inglesa, a questão religiosa não deixou de
possuir um peso nas explicações históricas formuladas a partir da filosofia da práxis.
Como em edições anteriores, propomos um ambiente de diálogo envolvendo
estudiosos de fenômenos diversos: as diferentes modalidades de dominação
(coercitivas e consensuais) e resistência, experiências organizativas e práticas culturais
de grupos sociais dominantes e subalternos, formas de exploração do trabalho e de
apropriação da riqueza, produção intelectual e teórica, manifestações culturais e
trajetória de intelectuais importantes, políticas públicas, relações de poder, análise da
conjuntura atual, num trabalho de aproximação com outras áreas de investigação que
não se circunscrevam unicamente ao trabalho típico da concepção historiográfica
dominante. Assim, pesquisas de outras áreas disciplinares como a Pedagogia,
Economia, Ciências Sociais, Ciência Política, crítica literária etc são muito bem
vindas, e envolvem um esforço de diálogo interdisciplinar/transdisciplinar. O ST está
aberto, por fim, a estudos em estágios diversos de maturação. Deste modo, são bem
vindas pesquisas em andamento ou já concluídas, TCCs, resultados sistematizados
de projetos de Iniciação Científica, relatos de projetos de Extensão, capítulos de
dissertações de mestrado e teses de doutorado, dentre outras.
Sessão I (05/09/23)
1. A IDEOLOGIA ALEMÃ: teoria, método e crítica historiográfica nas
origens do materialismo histórico.
Domício Fernando Mendonça Farias (domicio81126@gmail.com)
A Ideologia Alemã, manuscrito de Karl Marx e Friedrich Engels que, abandonado
pelos autores logo após sua escrita, só foi editado no século XX num projeto de
publicação das obras dos dois clássicos do marxismo. A hipótese central é que, se
31
por um lado, os historiadores acadêmicos (predominantemente historicistas, liberais
ou conservadores) desde o século XIX isolaram ou silenciaram a contribuição de
Marx e Engels no debate de construção da história enquanto ciência, por outro a
tradição dos comentadores marxista esqueceu as dimensões empíricas e
historiográficas que se encontram neste estudo inacabado.
2. NOTAS SOBRE COMO PENSAR ANÁLISE DE CONJUNTURA A
PARTIR DAS CHAMADAS "OBRAS HISTÓRICAS" DE MARX:
aproximações entre as ciências políticas e o marxismo.
Matheus Andrade Silva (andrade1matheus1@gmail.com)
Pode-se considerar a Análise de Conjuntura como uma ferramenta das Ciências
Sociais, e em especial das Ciências Políticas, que visa identificar, interpretar e, até
certo ponto, realizar prognósticos em eventos de uma realidade social determinada.
A partir das obras As Lutas de Classes na França e o Dezoito de Brumário, de Karl
Marx, discutiremos o exercício da Análise de Conjuntura à luz das categorias e demais
propostas presentes nestas obras do pensador alemão. As assim chamadas "Obras
históricas", que incluem as duas supracitadas e mais A Guerra civil na França, todas
escritas em formato jornalísticos a meados do século XIX, nos trazem pistas
significativas para refletir sobre determinada conjuntura histórica, as quais cremos
mais atuais que nunca.
3. DITADURA EMPRESARIAL-MILITAR EM ALAGOAS (1964/1988):
História, memória e disputas historiográficas.
Osvaldo Maciel (osvaldo.maciel@ichca.ufal.br)
Apresentamos uma leitura historiográfica acerca da análise do que foi a Ditadura
Empresarial-Militar em Alagoas (1964/1988). Levantamos, de forma crítica, algumas
das principais abordagens sobre aquela conjuntura e, em seguida, avaliamos como
determinados grupos empresariais e setores da economia alagoana se desenvolveram
durante este período, com forte impacto na sociedade civil e no Estado. Apesar de
elementos parciais e apenas esboçados nesta comunicação, entendemos que tal
proposta pode contribuir com uma melhor explicação acerca daquele grave período
de nossa história.
4. O LUGAR DE RENÉ DREIFUSS NA HISTORIOGRAFIA BRASILEIRA
DO GOLPE DE 1964 E A IDÉIA DE “DITADURA EMPRESARIALMILITAR”.
Rejane Carolina Hoeveler (rejanecarol@gmail.com)
32
O propósito da comunicação é discutir o lugar da obra do cientista político René
Armand Dreifuss acerca do golpe e da ditadura empresarial-militar de 1964 na
historiografia brasileira do golpe de 1964, esquadrinhando alguns dos seus principais
conceitos, entre eles o de tratou-se no Brasil de uma ditadura “empresarial-militar”.
Para isto consideraremos basicamente dois de seus livros mais influentes, 1964 – a
conquista do Estado (1981) e A Internacional Capitalista (1986), bem como as
críticas que as teses dreifusianas receberam ao longo desde a década de 1990. Às
vésperas do aniversário de 50 anos do golpe de 1964, se faz incontornável revisitar
essa obra de maneira crítica e atualizada, localizando-a nos debates historiográficos
do presente.
5. DA UNIDADE À RUPTURA: os ENCLAT’S e a participação dos
jornalistas alagoanos na construção de um organismo intersindical.
Alexander Moreira Campos (alexmorreira@gmail.com)
O ano de 1980 seguiu o fluxo de mobilizações sociais que foram a marca do final
dos anos setenta no Brasil. Os sindicalistas tomaram a dianteira no confronto mais
aberto a ditadura militar, sendo o setor mais dinâmico deste processo que culminaria
com o fim do regime de exceção que fora estabelecido em 1964. Os militares, por
seu turno, estabeleceram estes trabalhadores – que sacudiam o Brasil com greves em
todas as regiões, tendo como epicentro o ABC paulista – como seus inimigos número
um. No primeiro de maio de 1980 mais de 40 metalúrgicos que participavam da
passeata em comemoração ao Dia do Trabalhador foram presos, entre eles o
principal líder sindical do Brasil, Lula. A partir da nova conjuntura que era aberta
com a ditadura entrando em seu estágio terminal, se tornava cada vez mais
importante a construção de um organismo intersindical que pudesse reunir e dialogar
com os trabalhadores de forma unificada. Nosso intento neste trabalho é analisar o
período compreendido entre os anos 1980 e 1983. A escolha não é fortuita, estes
anos foram cruciais no que concerne a reorganização do movimento sindical
brasileiro e alagoano. Os embates existentes entre aqueles que se autointitulavam
“Sindicalistas autênticos” x Unidade sindical, vão ter seus desdobramentos nos
caminhos e escolhas que o movimento sindical vai percorrer na década de 1980.
Estes embates tiveram contornos que são próprios da realidade alagoana. Por isso,
observaremos como foi a atuação do SINDJORNAL no Encontro Estadual da
Classe Trabalhadora (ENCLAT), que foram os encontros preparatórios para a
CONCLAT. Nesse sentido, pretendemos compreender a opção feita pelo
SINDJORNAL em romper com o ENCLAT e a Intersindical que se formava no
encontro e compor a comissão Pró-CUT, visto que o sindicato desde 1978 possuía
membros que ou pertenciam a forças políticas distintas ou viriam a pertencer a novas
forças políticas que traçariam leituras distintas para o movimento sindical.
33
Sessão II (06/09/23)
1. O “NOVO ENSINO MÉDIO” E O ENSINO DE CIÊNCIAS
HUMANAS: um olhar a partir da pedagogia histórico-crítica.
Francisco Alberto de Araújo Costa Júnior (franciscoalbertojunior3@gmail.com)
Este artigo visa compreender o “novo ensino médio” (NEM) e seus impactos no
ensino levando em conta as contribuições da Pedagogia Histórico-Crítica (PHC)
proposta por Dermeval Saviani. A trajetória de aprovação do NEM, tendo como
antecedentes uma série de disputas no campo educacional do ponto de vista das
entidades empresariais da educação, somada ao contexto de golpe institucional que
depós a presidenta Dilma Rousseff (PT), segundas pelos governos Temer e
Bolsonaro, são importantes para entender os pontos centrais, na concepção e prática
do NEM. A Pedagogia Histórico-Crítica de Saviani, aqui é apresentada como uma
alternativa concreta a fim de desvelar as contrarreformas educacionais e propor uma
educação do ponto de vista das classes populares. A lei 13.415/2017, mais conhecida
como a Reforma do Ensino Médio, se deu em um contexto de regressões profundas
do governo Michel Temer. Essa lei altera a LDBEN 9394/96 e foi implementada via
Medida Provisória, sem nenhuma discussão com a comunidade docente. O NEM se
propõe a ser um passo a frente para superar problemas históricos da educação
brasileira, como a desmotivação de alunos e a evasão escolar. Muitos defensores da
proposta enfatizam a liberdade de escolha do aluno em optar pelo itinerário que mais
lhe agradar. Contudo, não é o que a aplicação prática vem demonstrando. As
mudanças curriculares, deslocadas das condições de acesso e permanência na escola
promulgadas pela LDBEN como de importância essencial para uma educação de
qualidade, vem contribuindo para a redução da carga horária de disciplinas de
ciências humanas, como Sociologia, Filosofia e História. Enquanto isso, outras
disciplinas vão ganhando espaço, desde a inclusão da disciplina de Projeto de Vida,
já nos primeiros anos do Ensino médio, até disciplinas como “brigadeiro caseiro”
“bolo de pote”, “RPG”, e “O que rola por aí”. Sejam elas no formato tradicional de
disciplinas da grade, ou em itinerários formativos. A PHC, proposta pelo filósofo da
educação Dermeval Saviani, busca enquanto tarefa, no que diz respeito a educação
escolar e a natureza dele, identificar as condições de produção do saber objetivo e
construído historicamente, assim como as possibilidades de transformação do
fenômeno educativo, buscando também oferecer possibilidades reais e concretas
dessa transformação no interior da escola. (SAVIANI, 2011) Essa proposta
pedagógica, também conhecida como teoria crítico-social dos conteúdos, analisa
criticamente o papel da escola, afirmando que a escola é determinada socialmente
por visões de mundo correspondentes as classes dominantes, sem cair na visão
reprodutivista (SAVIANI, 1999). Por isso a importância de não cair em uma posição
que vá em um outro extremo, de caráter voluntarista, a partir da “missão redentora”
do educador, que é comum às teorias não críticas da educação. Ao mesmo tempo, é
importante criar as condições objetivas para uma educação pública de qualidade,
34
quando falamos na própria escola, o importante espaço que existe para que se
defenda uma escola gratuita, de qualidade e socialmente referenciada. Uma educação
que, no contexto do papel da escola como contraditória e num espaço existente para
assimilação e valorização dos conteúdos e oferecendo possibilidades de emancipação
aos filhos da classe trabalhadora, no contexto das posições de Saviani, iria de
encontro a proposta do mercado educacional, calcada no NEM.
2. O ENSINO DE HISTÓRIA PARA DESNAZIFICAÇÃO NO
CONTEXTO ESCOLAR: como apagar suásticas em meio a novos
autoritarismos.
Jorge Lôbo (prof.jorgelobo@outlook.com)
O avanço da violência reacionária de extrema direita nas escolas brasileiras manifestase num notável aumento no número de casos de ataques, massacres ou ameaças em
escolas. O crescente número de células neonazifascistas e o arrefecimento de
políticas públicas eficazes aliam-se ao desmonte do setor econômico produtivo. O
presente estudo analisou acontecimentos desenvolvidos em ambiente escolar durante
o ano de dois mil e vinte e reflete sobre experiências de ameaças de violência escolar
e formas de prevenção pensando na preservação de vidas (e da Vida Humana no
planeta terra). Para tanto, a pesquisa valeu-se de observações empíricas em ambiente
escolar, produções discentes e docentes além de uma extensa revisão bibliográfica.
Esta pesquisa intenta produzir um material didático de apoio a gestores, docentes e
discentes e da comunidade escolar em geral para todas as idades e modalidades de
ensino que discuta, oriente e possibilite ações de identificação, prevenção,
acolhimento e pósvenção a episódios de violência em suas diversas formas, mas,
principalmente, a violência reacionária fascista, neofascista, nazista e/ou neonazista
(aqui inserem-se conceitos como protofascismo, filo fascismo, extrema direita ou altright). A pesquisa pretende desenvolver propostas efetivas que combatam e ponham
freio ao avanço de forças reacionárias de extrema-direita que ameaçam diretamente
a vida humana e o equilíbrio ambiental no planeta terra e, para tal, tem como produto
educacional proposto um Manual didático de desnazificação escolar. A partir de
experiências em campo, textos e imagens coletados durante o ano de dois mil e vinte
e três. A pesquisa se fundamentará em materiais produzidos entre os meses de março
a dezembro de dois mil e vinte e três por discentes da rede pública estadual de
Alagoas devidamente matriculados no Ensino Fundamental – Anos finais (Destaque
para discentes de oitavos e nonos anos em uma escola na zona sul da cidade de
Maceió). Os métodos desta pesquisa na área de História estendem-se para as
possibilidades de diálogos com outras ciências humanas de maneira transdisciplinar
coletando relatos, produções docentes e experiências e vivências escolares
observadas na forma de etnografias densas apreendidas com a Antropologia de
Clifford Geertz que permitam a apreensão dos fenômenos em múltiplas formas.
Sobre o produto educacional a ser proposto, tal material deverá estar em
conformidade com os ditames éticos da Universidade e das diretrizes educacionais
35
em vigência no país para que este possa circular e atender seu propósito postulado
que é funcionar como uma ferramenta de apoio ao ensino e prevenção à violência.
Será necessário um levantamento e análise críticos das fontes documentais, autores
e autoras de maneira transdisciplinar. Valendo-se das discussões em sala de aula dos
pesquisadores (tanto como docente da educação básica quanto como discente no
ensino superior; das notícias e discussões presentes acerca do fenômeno da violência
escolar e da bibliografia disponível o presente estudo buscará contribuir com o
debate e propor ferramentas que possibilitem atuação e reflexão sobre o assunto. O
avanço de setores mercadológicos na educação brasileira, o neoliberalismo e suas
práticas predatórias com a classe trabalhadora, a crise no ensino brasileiro (chamada
de “um projeto”, na verdade, por Darcy Ribeiro) proporciona um terreno amplo para
projetos que enfrentem esta realidade de maneira a transformá-la. O presente
trabalho busca através da Economia Política; da Pedagogia pensar em alternativas ao
atual modelo de ensino e que permitam práticas pedagógicas mais inclusivas, plurais,
democráticas, cidadãs e que se adeque à realidade do Século XXI e proponha novos
horizontes de possibilidades.
3. A GESTÃO BOLSONARISTA DA PANDEMIA DE COVID-19 NO
BRASIL: uma análise histórico-crítica a partir da perspectiva marxista.
Kleiton Wagner Alves da Silva Nogueira (kleiton_wagner@hotmail.com)
O presente trabalho objetiva realizar uma análise sobre a gestão bolsonarista da
pandemia de Covid-19 no Brasil. Na metodologia, delimitamos o período histórico
entre janeiro de 2020 a dezembro de 2022, no qual realizou-se o levantamento
bibliográfico sobre a temática, organização e sistematização de dados
epidemiológicos; matérias jornalísticas e documentos oficiais do governo federal.
Nossos resultados indicam a intencionalidade do governo federal em sabotar
medidas sanitárias em detrimento do retorno das atividades econômicas como uma
forma de garantir os interesses capitalistas no país.
4. AS DETERMINAÇÕES DO ESTADO NO CAPITALISMO
DEPENDENTE LATINOAMERICANO E SUAS IMPLICAÇÕES NAS
LUTAS POPULARES.
Gabriel Galvão Trevas Lins (gabrielgtlins05@gmail.com)
A realidade da América Latina é marcada pelo autoritarismo estrutural, pela
superexploração da força de trabalho e pela integração subordinada na divisão
internacional do trabalho, criando entraves às lutas populares e impondo limites à
esquerda institucional. Assim, a partir da Teoria Marxista da Dependência e das
expressões da Teoria Social Latino-americana, aponta-se a necessidade de uma
reflexão que pense possíveis caminhos para compreensão do papel do Estado no
36
contexto histórico-estrutural do capitalismo dependente latino-americano e suas
implicações nas lutas populares da América Latina.
37
ST 04 - DESAFIOS E PERSPECTIVAS NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES
DE HISTÓRIA: o sequestro da docência com a implementação do “Novo
Ensino Médio”
Coord.: Antonio Alves Bezerra (UFAL); Herika Paes Rodrigues Viana
(Seduc-AL)
O Simpósio Temático ora apresentado abre espaço para reflexões e debates a partir
de comunicações de professores, pesquisadores e estudiosos em geral, com aderência
ao debate acerca das práticas e análises sobre a disciplina de História, assim como as
tensões políticas e culturas curriculares que o cercam. Serão aceitas propostas de
comunicação com ênfase nas Diretrizes e Orientações Curriculares para a formação
de professores de História e seu ensino, assim como a presença da disciplina de
história no currículo da Educação Básica problematizando seus dilemas e desafios
em ambiente presencial e/ou remoto de sala de aula. Busca, ainda, refletir sobre
continuidades e rupturas, semelhanças e diferenças, evidências e silenciamentos no
que tange às práticas pedagógicas no Ensino de História, bem como a tentativa de
descarte das Ciências Humanas e Sociais no currículo escolar à luz do Novo Ensino
Médio. Fomenta, também, debates e reflexões acerca das experiências didáticas
desenvolvidas no âmbito do Programa de Iniciação à Docência (PIBID/História),
Programa Residência Pedagógica e Estágio Supervisionado Obrigatório, percebidos
como instrumentos constructos da formação de professores, que em sua essência
tendem a superar discursos dicotômicos que colocam em relevo o saber e o fazer
docente, a teoria e a prática, a pesquisa em ensino de história e a formação docente.
Sessão I (04/09/23)
1. FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE HISTÓRIA E A REFORMA
CURRICULAR DO “NOVO ENSINO MÉDIO”: resistências e
possibilidades.
Antonio Alves Bezerra (antonio.alves@ichca.ufal.br)
O texto problematiza a promulgação da Lei 13.415/2017 forjada no pós-golpe de
2016 que “sequestrou” o mandato da presidenta Dilma Roussef e que, no contexto
do governo de Jair Bolsonaro, fermentado por ideologias da extrema direita com a
qual o então presidente mantinha alinhamento, regulamentou a Reforma do "Novo
Ensino Médio". Assinala-se que não houve diálogo com a sociedade civil,
comunidade escolar e acadêmica acerca da reforma do Ensino Médio iniciada em
2022 abarcando estudantes do primeiro ano inicialmente, estendendo-se ao segundo
e terceiro nos anos subsequentes até o ano de 2024. Considerado autoritário e
excludente esse modelo de currículo sob o manto de “Novo Ensino Médio” desvela
38
implicações no âmbito da formação dos sujeitos para o projeto de sociedade
brasileira previsto na Constituição Federal de 1988. Estas implicações pautam-se no
cerceamento de oportunidades para os estudantes da etapa final da Educação Básica
e daqueles matriculados nos cursos de licenciaturas em todo o País, especialmente na
área de Ciências Humanas. A Lei em questão estrangula a docência em sua plenitude
e “sequestra” as oportunidades de jovens e adultos em formação na Educação Básica,
estendendo-se aqueles que buscam a docência como futura profissão em cursos
superiores ofertados por Universidades públicas e privadas. A reforma curricular em
curso (ora suspensa para consulta pública) tem potencial de levar o Ensino Médio ao
seu fracasso total caso tenha continuidade, assim como o estrangulamento dos cursos
de formação de professores, inclusive os das universidades públicas comprometidos
com “ensino, pesquisa e extensão”, um dos pilares da LDB de 1996. Os itinerários
formativos presentes no bojo do “Novo Ensino Médio” exarados na reforma
curricular configuram flagrante no que se refere à oportunidade de acesso dos
estudantes a conhecimentos cientificamente produzidos e tacitamente aceitos pela
sociedade. Notadamente, a partir do ano de 2022 assistimos no âmbito das escolas
públicas de todo o País professores habilitados nas mais diversas áreas do
conhecimento ministrando “coisas/objetos” fora do alcance de sua formação inicial
sob a perspectiva do “novo” currículo para o Ensino Médio. Importante assinalar,
que esta reforma curricular desarticula a profissão docente e aproxima o currículo
escolar atual aquele implementado nos anos difíceis da ditadura civil-militar de 1964,
quando o mesmo se tornou esvaziado de sentido crítico, conforme Fenelon (2008).
Em cenários possíveis, notam-se ligeiras resiliências no âmbito dos cursos de
formação de professores ancorados em seus projetos de cursos e em diálogos com
os Projetos Institucionais de formação de professores, tais como o PIBID, o PRP e
o PIBIC vinculados a Capes/CNPq/MEC em parceria com as instituições
formadoras buscam superar dicotomias e conflitos presentes em currículos
conservadores desarticulados dos referenciais teóricos legitimados pela Ciência no
âmbito nacional e internacional. Por meio de relatos de professores de História
descritos em relatórios de estágio supervisionado e em contextos formativos do
próprio PIBID/História encontramos, decerto, professores(as) resilientes ao modelo
de currículo até então implementados nas escolas públicas. Alguns professores
sinalizam que, apesar de assumirem tecnicamente responsabilidades com as
disciplinas que integram parte dos itinerários formativos, por escolha política e
metodológica ministram conteúdos próprios da disciplina de História em detrimento
dos possíveis silêncios deixados nas disciplinas propostas pelo “Novo Ensino
Médio” (leia-se itinerários formativos), notando-se nestas práticas cristalina
resistência ao modelo de currículo em questão, trazendo à luz os saberes próprios da
docência nos quais foram formados. Por fim, compreendemos a atitude destes
professores como resistência forjadas em suas experiências do dia a dia da sala de
aula, em ações do PIBID, do PRP e do próprio PIBIC enquanto possibilidade de se
construir uma Educação emancipadora e comprometida com a Ciência e com as
demandas dos sujeitos sociais e históricos em seu tempo.
39
2. O IMPACTO FASCISTA NO IMAGINÁRIO ADOLESCENTE:
apontamentos e reflexões a partir das experiências em Estágio
Supervisionado.
João Vitor Romão de Castro (vitor_castro92@hotmail.com)
O referente trabalho aborda a importância de disciplinas como os Estágios
Supervisionados e programas como PIBID e PRP, ligando-os a prática do professor
pesquisador. Neste contexto, a partir do período de observações, notou-se o impacto
de redes reacionárias dentro do imaginário dos estudantes. Este discurso muitas
vezes adotou uma estética presente em vídeos, canais e/ou portais da internet com
uma ideologia de extrema direita. Contudo, o intuito não é apontar para os alunos de
forma com que prejulgamentos sejam levantados. Pelo contrário, a intenção é dar luz
a como este pensamento negacionista está presente no mundo virtual e como o
docente de história está sendo formado para lidar com estas situações dentro da sala
de aula.
3. FORMAÇÃO TEÓRICA DOCENTE NO PIBID.
Herika Paes Rodrigues Viana(herikapaes@gmail.com)
Jean Lucas dos S. Silva (jeanlucas4325@gmail.com)
Lucas Fernando da Silva Soares lucas.fernando@ichcaufal.com)
A pesquisa observa as práticas na formação de professores e construção de saberes
na contemporaneidade. Destaca-se as novas demandas do ensino público junto a
construção do “pensar certo” para educandos e futuros educadores. Fundamentado
na iniciação à prática docente, o PIBID presenteia os futuros docentes de História
com a oportunidade de diagnosticar as engrenagens de manutenção do status quo
que perpétua a heteronomia dos educandos na cadeia de produção capitalista. Logo,
a trajetória que antes seria agraciada apenas por recursos teóricos, é beneficiada pela
experiência concreta – possibilitada pela prática.
4. AS MEMÓRIAS FAMILIARES COMO FERRAMENTAS PARA A
EXPANSÃO DO UNIVERSO DE COMPREENSÃO HISTÓRICA DOS
ALUNOS DA EDUCAÇÃO BÁSICA (EXPERIÊNCIA PIBID - JAIME
AMORIM).
Joana D'arc Sales Azevêdo Bispo (joanasales875@gmail.com)
Antonny Gabriel Da Conceição Félix (antonny.felix@ichca.ufal.br)
Ana Laura da Silva Almeida (ana.almeida@ichca.ufal.br)
A presente proposta de comunicação busca apresentar a experiência e os resultados
obtidos durante o planejamento e a execução do projeto Minha História Faz História
2023 realizado através da equipe PIBID - Jaime Amorim. Guiados por referências
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como Verena Alberti (2017), Kátia Abud (2012) e Rusen (2022), a equipe incluiu na
última edição a etapa das entrevistas com os alunos. Dessa forma, a história dos
objetos da memória familiar escolhidos por cada aluno e narrada durante as
entrevistas serviram para a compreensão e ampliação dos conceitos de história, de
fonte histórica e sujeito histórico.
Sessão II (05/09/23)
1. PIBID- ESCOLA ESTADUAL CAMPOS TEIXEIRA.
Gabriela Torres Dias (gabitorres_dias@hotmail.com)
Clevson Barros da Silva Filho (clevsonufal@gmail.com)
Ewdja Awane Lima Barbosa da Silva (ewdjaawane19@gmail.com)
Pretende-se expor a elaboração de um projeto didático para o ensino de história,
“História dos Bairros”, desenvolvido pelos bolsistas PIBID (2023-2024), em
conjunto com a professora supervisora Gabriela Torres, na Escola Estadual Campos
Teixeira. Com isso, busca-se implementar ações didáticas que estimulem o
pensamento crítico dos estudantes em relação à ideia de progresso na sociedade e
promover consciência cidadã mais apurada através da noção de historicidade.
Destarte, a comunicação explora as abordagens de ensino que serão utilizadas e os
resultados esperados na culminância desta ação.
2. ENSINO MÉDIO: reflexão em Maceió/AL.
Clara Suassuna Fernandes (clara.fernandes@ichca.ufal.br)
O ensino médio em Maceió/ Alagoas apresenta várias particularidades que
provocam reflexões importantes de como a História ou a História de Alagoas estão
presentes nos livros didáticos. Pensar ou praticar o ato de ensinar não se resume a
utilização do livro didático, mas ele é um instrumento político / ideológico que deve
refletir as marcas e expectativas da sociedade. No caso de Alagoas como podemos
identificar tais marcas, quando a história alagoana não é um componente curricular
obrigatório, quando os marcos identitários do povo brasileiro são apresentados de
maneira resumida. Ou ainda, a decolonização ainda está não está presente, fazendo
com que as práticas de ensino e textuais continuam a reproduzir o pensamento de
dominação europeia. As questões como meio ambiente são inovadoras como
temática, mas não são suficientes e não respondem às diversidades sócio/ político/
ambientais da nossa sociedade, principalmente quando se tem como referência
quilombolas ou comunidades tradicionais.
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3. NOVO ENSINO MÉDIO: O Olhar do Pibidiano sobre as Trilhas.
Isabele Maria de Melo Oliveira (isabeleairam12@hotmail.com)
Ingrid Morganna De Menezes Oliveira (ingrid.oliveira@ichca.ufal.br)
Herika Paes Rodrigues Viana (herikapaes@gmail.com)
Prometendo uma organização curricular mais flexível, o Novo Ensino Médio insere
as Trilhas de Aprofundamento dos Itinerários Formativos, um conjunto de
disciplinas, projetos, entre outros, que são ofertados aos estudantes a partir do 2°
ano. Essas trilhas, tem como objetivo o desenvolvimento de uma formação integral
dos alunos, entretanto, seu desenvolvimento esconde por trás uma precarização dos
profissionais, pois, chegando de modo verticalizado, os docentes precisam
desenvolver manobras necessárias para conciliar a sua formação com o conteúdo
exigido.
4. SEQUESTRO DA DOCÊNCIA: precarização do trabalho e implicações
político-pedagógicas na atuação dos professores/monitores, 1996 a 2021.
Erica Mali Rosas Silva (rosasmali.silva@gmail.com)
A pesquisa de Mestrado em tela versa sobre o tema da precarização do trabalho
docente. Historiciza a política educacional, que nasce em um contexto de mudanças
implementadas na educação de base neoliberal a partir da ótica da historiografia do
trabalho. Tem como foco a experiência alagoana uma vez que a rede estadual de
ensino ao longo de mais de vinte anos convive com o regime de contratação
temporária que gera jornadas altas e instabilidades salariais, de muitos professores
chamados de monitores. O recorte temporal é de 1996 a 2021 e os sujeitos
prioritários da pesquisa são os professores em regime de contrato temporário que
atuam em escolas da rede regular de ensino de Alagoas, buscando compreender este
universo de atuação dos professores que integram o currículo básico da educação
alagoana. Como problemática central da pesquisa temos a seguinte indagação: como
a configuração da precarização do trabalho docente tem implicações na prática
político-pedagógica dos professores/monitores nas escolas públicas na rede Estadual
de Educação de Alagoas? O corpo bibliográfico dialoga dentre outros com os
estudos de Antunes (2009; 2017) sobre sociologia do trabalho, nova morfologia do
trabalho, trabalho e centralidade, classe trabalhadora; Lessa (2011), quando discute
Capital e Estado, bem-estar social e trabalho; Mészáros (2002; 2008), crise estrutural
do capital, educação e capital; Tardif (2003; 2014) e sua abordagem sobre os saberes
docentes e trabalho docente. A pesquisa tem como fontes primárias documentos
oficiais escritos como os editais de seleção de professores contratados como também
leis que regem esses contratos e entrevistas a professores/monitores. A Constituição
de 1988, a LDB de 1996, o Estatuto do Magistério e Regime Jurídico Único de
Alagoas, serviram para realizar uma análise entre os dispositivos colocados nos
editais para os professores e o que dizem a legislação vigente, percebendo assim a
possível ausência de garantia de direitos para os professores em regime de contrato.
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A pesquisa é relevante para a educação do nosso estado, pois contribui para o
desvelamento de como se dá a situação dos contratos temporários e suas
possibilidades na atuação dos professores que compõem o quadro de educadores da
rede estadual, levando-nos a refletir sobre as condições de trabalho aos quais são
submetidos ao longo dos anos.
Sessão II (06/09/23)
1. FORMAÇÃO INICIAL: PIBID e as práticas docentes - Experiências em
sala de aula.
Herika Paes Rodrigues Viana (herikapaes@gmail.com)
Sara Baltazar Cardoso da Silva (sara.cardoso@ichca.ufal.br)
Eva Letícia Lima Oliveira (studentebr.eva@gmail.com)
A experiência em sala de aula é um elemento essencial no processo de formação do
futuro professor. Tendo como base Flávia Caimi (2015), e a perspectiva de que a
prática pedagógica não pode estar dissociada da prática historiográfica realizaremos
uma análise de como o PIBID contribui para para a qualificação e formação de
qualquer docente, além de promover interação entre a universidade e as escolas
através de relatos de integrantes do PIBID História da UFAL das experiências
vividas em sala de aula na Escola Estadual Maria das Graças de Sá Teixeira.
2. VIVÊNCIAS NO PRP E A TRILHA DE ECONOMIA E POLÍTICA.
Tainá Angelo da Silva (tainaangel486@hotmail.com)
Paulo Henrique A. dos Santos (paulo.henrique@ichca.ufal.br)
A proposta de apresentação visa destacar as experiências dos residentes no Programa
de Residência Pedagógica (PRP) da UFAL, na Escola Estadual Prof. Benedita de
Castro Lima, no bairro Clima Bom. O público-alvo são estudantes do segundo ano
do Ensino Médio Integral, na trilha de Economia e Política do Novo Ensino Médio.
Serão abordados os desafios enfrentados pelos residentes ao lecionarem em um
componente que, de acordo com a descrição da trilha, deveria ser ministrado por
professores de Sociologia ou Geografia. Estratégias pedagógicas serão
compartilhadas para abordar os conteúdos de forma contextualizada, estimulando a
reflexão e o engajamento dos estudantes. Além disso, a proposta busca promover o
debate sobre a formação docente e a adaptação curricular às demandas
contemporâneas, com o intuito de contribuir e fortalecer a identificação dos
estudantes como sujeitos históricos.
43
3. EXPOSIÇÃO DA PRÁTICA DOCENTE NO PROGRAMA DE
RESIDÊNCIA PEDAGÓGICA NA DISCIPLINA DE HISTÓRIA
FRENTE A REFORMA DO NOVO ENSINO MÉDIO (NEM): análise do
novo módulo “Conexões: ciências humanas e sociais aplicas – Editora
Moderna”.
Carolina Maria Albuquerque De Lima (carolina.lima@ichca.ufal.br)
Andressa de Oliveira Araujo (andressa.araujo@ichca.ufal.br)
Embora o módulo do Novo Ensino Médio tenha como objetivo ressignificar saberes
partindo da realidade dos estudantes, o mesmo entra em contradição ao limitar o
acesso dos discentes aos assuntos essenciais da disciplina de história. A presente
pesquisa analisará as dificuldades e desafios que os docentes e os estudantes estão
enfrentando. Partindo dessa realidade e como forma de resistência buscaremos
apresentar a abordagem utilizada no PRP para garantir a esses discentes a construção
de um conhecimento histórico-crítico.
4. OS IMPACTOS DO ERE NA FORMAÇÃO INICIAL ATRAVÉS DO
ESTÁGIO SUPERVISIONADO IV.
Sheyla Jayane Tavares Lins (jayanesheyla@gmail.com)
Antonio Alves Bezerra (antonio.alves@ichca.ufal.br)
A pesquisa em tela propõe analisar e discutir os impactos sentidos pelos graduandos
do 8º período do curso de Licenciatura em História através de seus memoriais.
Assim, refletiremos acerca das situações vivenciadas na formação inicial, tanto na
Educação Básica quanto no Ensino Superior. Além de trabalhar com a avaliação
desse ERE, esta pesquisa busca analisar a queda das matrículas durante o ERE, assim
como o número de desistências no processo, buscando compreender o afastamento
dos graduandos com a Universidade e com a sala de aula neste momento.
44
ST 5 - ETNO-HISTÓRIA: narrativas em “peles de papel”
Coord.: Arrizete C. L. Costa (UFAL); Daiane S. Vicente (PPGH-UFAL); Érica
G. F. de Menezes (Egressa-PPGH/UFAL)
Neste debate queremos suscitar e estabelecer interfaces entre as narrativas
historiográficas e as narrativas tradicionais, procurando por seus “intercâmbios
recíprocos e influências multilaterais” (KI-ZERBO, 2010). Visamos à reconstrução
das “memórias dos povos” em cenários contemporâneos (espaço-temporais) que
apreendam realidades distintas no nível da relação simbólica humano-natureza
(PÁDUA, 2010) – experenciadas por testemunhos (individuais e coletivos) –, a partir
de perspectivas cognitivas culturais e “métodos de observação semelhantes” (LÉVISTRAUSS, 2008 apud STRACHULSKI, 2019), cujos critérios postos à prova
confluam para narrações verossímeis que defendam o direito fundamental do pensar,
fazer e contar histórias de valor equitativo e global: poético, ético e libertário. O
presente simpósio quer reunir, particularmente, às comunicações “trans/criadas”
(MARQUES, 2018) em “peles de papel” (KOPENAWA, 2015).
Sessão I (04/09/23)
1. NARRATIVAS SOCIAIS EM TORNO DO “PATRIMÔNIO”.
Mayara Marinho de Santana (mayara.santana@igdema.ufal.br)
Giovanna Moraes Costa (giovanna.costa@ichca.ufal.br)
Rute Ferreira Barbosa (rute.ferreira@ufpe.br)
Este trabalho visa contribuir com a reflexão em torno do conceito de Patrimônio
Cultural, tendo como embasamento as devolutivas das comunidades dos
assentamentos na região do Cânions do São Francisco, em Alagoas. As mudanças de
paradigmas nas ciências sociais têm trazido reflexões que buscam análises
transversais e que observam as narrativas locais, não abrangendo apenas
monumentos históricos e sítios arqueológicos, mas também tradições culturais e
paisagens naturais. Nesse sentido, as comunidades tratam o patrimônio como uma
expressão tangível de sua história e instrumento de luta política.
2. OLHOS BRANCOS, PÉS PRETOS: Construção narrativa sobre folguedos
natalinos alagoanos - Revista “O Cruzeiro” (1947).
Camila Maria Oliveira De Melo (cmilammelo@gmail.com)
Com o objetivo de analisar as narrativas da grande mídia no papel da construção das
mentalidades, trago uma série de fotorreportagens denominadas: “Ciclo Nordestino
do Natal” presente nas edições da revista “O Cruzeiro” ao longo do mês de
45
dezembro do ano de 1947. As fotorreportagens em questão apresentam o olhar dos
responsáveis pelo editorial acerca do chamado folclore alagoano aos leitores da
revista de circulação nacional. Se faz necessário destacar a participação de nomes
como o do médico e folclorista Théo Brandão, além do polêmico fotógrafo José
Medeiros, nas escolhas para a série.
3. HOMENS MARCADOS PARA MORRER: duas lideranças indígenas que
atravessaram os anos de chumbo.
Gabriel Montilla de Miranda (gabrielmontilla082@gmail.com)
O presente texto tem como objetivo analisar as trajetórias de duas lideranças
indígenas, Marçal de Souza Tupã-Y e Ângelo dos Santos Souza Kretã, que atuaram
como forças resilientes perante a violência contra esses povos excluídos da sociedade
brasileira e na busca de melhorias para o seu povo durante a Ditadura Civil-Militar
no Brasil (1964-1985), porém sem entrar na dicotomia de militares opressores e
subversivos oprimidos.
4. REPRESENTATIVIDADE DE UMA DEPUTADA COMUNISTA - PE,
1947: Adalgisa Rodrigues Cavalcanti.
Daiane S. Vicente (daianesv567@gmail.com)
O presente trabalho tem como objetivo identificar quais eram os grupos sociais ou
coletivos que constituíam “o público” representado pela comunista Adalgisa
Rodrigues Cavalcanti durante seu mandato de nove meses como deputada estadual
de Pernambuco, em 1947. O método de análise de conteúdos permite inquirir quais
às formações discursivas específicas dos seus relatórios e matérias publicadas em
jornais – enquanto fontes históricas – apreendendo seus significados, valores, ideais
e intenções políticas. Em particular, como estabelecia uma relação de
intercomunicação com este público.
5. “TÁTICA DE SATANÁS”: moral e costumes do movimento
neopentecostal no jornal Folha Universal em 2016.
Gelvane Andrade Costa Filho (geovane.garou@gmail.com)
Nos anos 1980 o neopentecostalismo é difundido com rapidez na sociedade
brasileira. E as diversas denominações religiosas deste modelo consolidam sua
influência entre as populações mais vulneráveis, levando-as ao centro do cenário
político no início do século XXI. A partir da análise de conteúdo de um exemplar do
periódico Folha Universal, indicarei os elementos discursivos relativos a “moral e
costumes”, especificamente no tocante à sexualidade objetivando explicitar os
46
anseios dos fiéis neopentecostais que buscam na fé uma forma de se posicionar no
mundo frente ao papel das mulheres.
Sessão II (05/09/23)
1. NARRATIVAS HISTÓRICAS: um olhar sobre as fontes.
Ismélia da Penha Balduce Tavares (liatavares32@gmail.com)
Nesta comunicação teço considerações acerca da pesquisa histórica, em particular
sobre a relação com às fontes. Reflito sobre a experiência e emoção sob às frestas de
luz das fontes no silêncio dos arquivos. Por quase dois séculos as mulheres que
lutaram na Guerra dos Cabanos adormeciam nos manuscritos e livros de história. O
encontro com Lauriana Maria, de codinome Lula, indicia sua ausência da escrita
histórica. Os manuscritos são comparáveis a fotografia cujo papel em branco se
revela lentamente em imagem. Igual é a leitura dos manuscritos, lenta e gradual até
que se tornam imagens dialéticas (Walter Benjamin) e fazem emergir um olhar
caleidoscópio cuja narrativa histórica é inclusiva e humana.
2. ATRAVÉS DE PROSAS E MEMÓRIAS: análise do cotidiano social e
cultural das trabalhadoras lavadeiras da cidade de Rio Largo- Alagoas, década
1960.
Rayanne Dayse de Melo Lima (rayanne170409@gmail.com)
O texto objetiva apresentar um estudo sobre as trabalhadoras lavadeiras da cidade de
Rio Largo- AL na década de 1960. Utilizando o poema “As Lavadeiras de Alagoas e
as Palavra” (1948), do romancista Graciliano Ramos, em contraste com as entrevistas
realizadas, com um pequeno grupo de trabalhadoras lavadeiras (aposentadas) da
cidade de Rio Largo, recorro a metodologia da história oral (FERREIRA; AMADO,
2008) com o propósito de centralizar os entroncamentos das memórias e a prática
etnográfica entre trabalhadoras lavadeiras e a pesquisa histórica por parte de uma
graduanda em História da UFAL.
3. TERRA ÀS MARGENS DE UM RIO, PETROLÂNDIA (1940 - 1988).
Érica G. F. de Menezes (erica.menezes@delmiro.ufal.br)
A pesquisa aborda a história de Petrolândia - PE e as mudanças decorrentes da
política de energia no Brasil nos anos 1970, levando à construção de barragens no
Nordeste. A Usina Hidrelétrica Luiz Gonzaga inundou a cidade antiga, forçando a
transferência dos habitantes em 1988. Embora agora seja um dos maiores
arrecadadores de impostos no Sertão do Vale do São Francisco, as vidas e culturas
47
dos habitantes foram afetadas. A simbologia dos impactados reflete a conexão com
a terra e o meio ambiente, alterados pelas barragens. A historiografia tem o papel
crucial de registrar e dimensionar os impactos sociais, culturais e ambientais dessas
obras.
4. A ESCRITA DO RELATO: a produção intelectual do Diário de Campo
como uma metodologia etnográfica para a ciência histórica (2020-2023).
Marcus Vinícius da Silva Santos (marcus.santos@ichca.ufal.br)
Este trabalho discute o itinerário epistemológico do Diário de Campo como
instrumento contribuinte na pesquisa histórica. Tomando como base três diários
fabricados ao longo da graduação em História/Ufal – PIBIC (2020-2021), Monitoria
em Historiografia Geral (2022-2023) e a Monografia (2020-2023) –, demonstro a
funcionalidade da organização e possibilidades analíticas deste tipo de metodologia
etnográfica para os estudos históricos. Defendo que o Diário de Campo é um lócus
de registro das fontes documentais e de escrita reflexiva para a construção paulatina
da minha operação historiográfica.
5. POVOS E COMUNIDADES TRADICIONAIS: entre narrações e
historiografia.
Arrizete C. L. Costa (arrisete@chla.ufal.br)
A Etno-história e a História Ambiental ampliaram suas inserções no debate
historiográfico no Brasil desde os anos 1970 como domínios férteis para a
historicização dos Povos e Comunidades Tradicionais que ocupam às áreas marinhas
da zona litorânea do nordeste brasileiro, o “maretório” – o espaço terra-mar –
(GAMARRA, 2021). Estas culturas d’águas imprimem marcas indeléveis sobre as
relações cultura-natureza, investigo os elos relacionais – contíguos e/ou distintos –
“entre as narrações em geral e as narrações historiográficas” (GINZBURG, 1991)
que têm dado forma as tais experiências humanas do tempo.
48
ST 06 - FORMAÇÃO INICIAL E CONTINUADA: a Educação Histórica
como forma de construir a Consciência Histórica de Estudantes e
Professores do Estado de Alagoas
Coord.: Lídia Baumgarten (UFAL); Jonathan Vieira da Silva (EgressoPPGH/UFAL)
O presente Simpósio Temático pretende ser um espaço de debate e problematização
de questões ligadas à formação inicial e continuada dos (as) professores (as) do ensino
básico, assim como da aprendizagem histórica, do uso de linguagens e do trabalho
com fontes históricas que possam ajudar os (as) professores (as) já formados há
algum tempo, e/ou que estão em processo de formação e discentes de programas de
iniciação à docência, tais como, o Programa Residência Pedagógica e PIBID, diante
das dificuldades enfrentadas em sala de aula. Partindo da perspectiva da Educação
Histórica, que tem como foco a experiência e as narrativas dos (as) estudantes em
diálogo com o conhecimento histórico, pretendemos, sobretudo, dar espaço para
uma troca de experiência entre os profissionais e pesquisadores da área de Ensino de
História, contribuindo, dessa forma, para torná-lo mais significativo e reflexivo
acerca da realidade social dos (as) estudantes.
Sessão I (04/09/23)
1. O ENSINO DE HISTÓRIA E A RESIDÊNCIA PEDAGÓGICA:
teorias/experiências, metodologias, desafios e perspectivas.
Ewerton Oliveira de Jesus (ewerton.oliveira.ufal@gmail.com)
Neste trabalho apresento as atividades e experiências do Programa Residência
Pedagógica no Subprojeto História, da UFAL por meio da imersão em uma escola
pública. Dessa forma, foi possível trabalhar o ensino de História na escola,
envolvendo os métodos e recursos utilizados. Possui como um de seus objetivos,
mostrar a importância do discente está inserido no âmbito da universidade e da
escola, sendo possível articular teoria e prática. A metodologia se deu a partir de uma
abordagem qualitativa e a base teórica tem como referência, Bittencourt (2011),
Pimenta (2012), entre outros.
2. AS PERCEPÇÕES HISTÓRICAS DOS ESTUDANTES DA ESCOLA
ESTADUAL DR. RODRIGUEZ DE MELO.
Monyck Evelyn Santos Oliveira (monyck.oliveira@ichca.ufal.br)
José Victor César Batista De Oliveira (victor.cesar.batista.oliveira@gmail.com)
49
A presente comunicação visa apresentar reflexões sobre as percepções históricas dos
estudantes da Escola Estadual Dr. Rodriguez de Melo. Estas reflexões nascem ao
longo das atividades desenvolvidas entre preceptor e residentes do programa de
residência pedagógica de História da UFAL. Em especial, lançamos como fonte de
investigação as atividades da disciplina eletiva História e Cinema, ofertada e
acompanhada pelo programa. Colocando em diálogo com a perspectiva e as
categorias de análise da educação histórica (SCHMIDT, 2012).
3. EXPERIÊNCIAS DA RESIDÊNCIA PEDAGÓGICA DE HISTÓRIA DA
UFAL 2022-2024: Possibilidades de Utilização do Cinema e Representações
Mortuárias como Fontes Históricas.
Jinny Mikaelly Batista de Albuquerque (jinny.albuquerque@ichca.ufal.br)
Luciele Pereira de Barros (luciele.barros@ichca.ufal.br)
Na presente comunicação, pretende-se expor representações mortuárias a partir do
processo de decodificação da cultura e as possibilidades de utilização do cinema
como fontes históricas através das experiências dos residentes e discentes da Escola
Estadual Dr. Rodriguez de Melo, no Programa de Residência Pedagógica de História
da UFAL 2022-2024. Durante o programa foram desenvolvidas atividades com
fontes históricas que auxiliaram os estudantes na compreensão das aulas históricas.
Assim, propõe-se relatar as metodologias de ensino e os resultados alcançados
desenvolvidos na Residência.
4. REFLEXÕES CRÍTICAS SOBRE O ENSINO INTEGRAL E O NOVO
ENSINO MÉDIO: desafios no processo ensino-aprendizagem.
José Roberto Silva de Lima Júnior (jose.junior1@ichca.ufal.br)
Jennifer Thayná de Lima dos Santos (jennifer.santos@ichca.ufal.br)
Este seguinte trabalho busca expor o cenário com a Lei 13.415/17, que modifica as
Leis de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, o qual resulta em uma mudança
drástica nas dinâmicas de ensino das escolas brasileiras. O Projeto do Novo Ensino
Médio inspira receio na comunidade docente, principalmente nos profissionais da
educação que trabalham em escolas da rede pública, devido à diluição das disciplinas
de História, geografia, filosofia e sociologia, todas elas pertencentes ao campo de
estudos das Ciências Humanas, resultando na diminuição de carga horária nessas
áreas do saber, na implementação das chamadas "Trilhas" e do ensino integral. Nesse
contexto de negligência para as Ciências Humanas, a disciplina de História de
maneira especial enfrenta adversidades significativas. A redução da carga horária do
Ensino Médio, com a implantação do N.E.M (Novo Ensino Médio), tem suscitado
preocupações sobre como garantir a profundidade e a abrangência do conteúdo
histórico. Com menos tempo dedicado a cada disciplina, professores de História
estão tendo que se desdobrar para adotar novas ferramentas metodológicas que
50
otimizem o ensino e mantenham a relevância da matéria na formação dos alunos.
Dessa forma, este trabalho tem como objetivo principal mostrar as ações
implementadas pelos residentes no atual edital do Programa de Residência
Pedagógica do curso de História da Universidade Federal de Alagoas, que buscam
analisar e executar alternativas que possam contornar a lógica reducionista do projeto
e as principais dificuldades presentes na realidade educacional das escolas de MaceióAL, já existentes e que agora foram agravadas pelo novo sistema educacional imposto
pelo antigo governo. Será também discutida a relevância da abordagem histórica
nesse novo contexto educacional, enfatizando as consequências para o
desenvolvimento dos estudantes e os desafios enfrentados pelos professores. A
intenção é promover uma análise aprofundada das potenciais falhas e desafios
encontrados nesses sistemas, bem como buscar alternativas para melhorar a
qualidade da educação.
5. AS POSSIBILIDADES E ABORDAGENS DA DISCIPLINA DE
HISTÓRIA EM TERRITÓRIO E IDENTIDADES.
Vanieire dos Santos Oliveira Ramos (vanieire1988@gmail.com)
Elaine Menezes Araujo (emenezes455@gmail.com ;
Maria Laura Rosas Soares Silva (maria.rosas@ichca.ufal.br)
A presente proposta de comunicação tem por objetivo apresentar as possibilidades
da abordagem do Ensino de História na disciplina de Territórios e Identidades, a
partir da experiência do PRP da UFAL, na Escola Estadual Professor Edmilson de
Vasconcelos Pontes. Essa concepção parte do entendimento de uma compreensão
acerca de determinados temas nas dinâmicas territoriais e de identidades que estão
presentes nos contextos sociais dos discentes, bem como permite entender as raízes
históricas das sociedades e de valorizar a diversidade cultural.
Sessão II (05/09/23)
1. EXPERIÊNCIAS NO SUBPROJETO PRP HISTÓRIA UFAL 2022-2024:
o desenvolvimento das identidades individuais e coletivas no ambiente
escolar.
Vitória Silva (vitoria.silvaa194@gmail.com)
Luciana Santos de Oliveira (luciannasantos345@hotmail.com)
Esta comunicação tem como princípio relatar as experiências vivenciadas no PRP
2022-2024, do Subprojeto de História, da Universidade Federal de Alagoas. À priori,
o objetivo principal encontra-se em investigar a partir da pesquisa qualitativa a
formação das identidades dentro do espaço escolar mediante as análises obtidas nas
observações de uma turma do sexto ano do Ensino Fundamental, especialmente na
disciplina de Projeto integrador, cuja temática intitulada é Direitos Humanos e
51
Mediação de Conflitos da Escola Estadual Professor Edmilson de Vasconcelos
Pontes.
2. A INTERDISCIPLINARIDADE E A EDUCAÇÃO HISTÓRICA: a
BNCC e os percalços dos temas transversais no Ensino de História.
Adriana da Conceição Nascimento (hist.drica@gmail.com)
Este trabalho vem discutir a interdisciplinaridade no ensino de história, e os
transtornos provocados pelos temas transversais orientados pela BNCC. A
interdisciplinaridade contribui no despertar para uma consciência de interpretação da
educação histórica, por meio da sociabilidade dos elementos multiculturais. A
transversalidade na qual é imposto pela BNCC, desnorteia a formação do professor
dentro da sua especificidade, como também precariza e mecaniza o ensino, e os
processos de sociabilidade e formação dos sujeitos históricos. Ele tem o objetivo de
discutir as dificuldades dos professores de história em trabalhar os conteúdos
específicos, conjuntamente com os temas transversais de forma interdisciplinar na
disciplina história no ensino básico, pois a interdisciplinaridade é uma necessidade
real, concreta, histórica e cultural, relacionado com questões ético-políticos,
econômicos e epistemológicos. A pesquisa foi direcionada por meio do estudo
bibliográfico referente à educação, historiografia, através da pesquisa qualitativa, e
relatórios produzidos nas discursão das reuniões dos horários de HTPC, das escolas
estaduais de ensino básico, no ensino médio. Assim, compreender a
interdisciplinaridade como metodologia de ensino e desenvolvimento cognitivo para
os estudantes de história, e a compreensão dos temas norteadores da BNCC como
desestruturação metodológica no processo de construção da consciência histórica.
3. A MÚSICA COMO METODOLOGIA NO ENSINO DE HISTÓRIA NA
ESCOLA ESTADUAL MONSENHOR MACÊDO EM PALMEIRA DOS
ÍNDIOS NA CONTEMPORANEIDADE.
Kleber Bezerra Costa (prof.historiakleber@hotmail.com)
Deiseane Maria Silva (deiseane@alunos.uneal.edu.br)
Este estudo aborda a música como metodologia no Ensino de História, tendo em
vista que ela se constitui em uma importante forma de linguagem e comunicação. A
música possibilita o questionamento e a reflexão da realidade pelos alunos,
desenvolvendo a criatividade e o pensamento crítico. O objetivo do estudo é
compreender como a música pode enfocar conteúdos da disciplina História mediante
a observação participante durante o estágio supervisionado em uma escola pública
estadual da educação básica. Como referencial teórico, foram utilizados Carvalho
(2015), Cristal (2014) e Fonseca (2009).
52
4. A PRODUÇÃO DA HISTÓRIA INDÍGENA ALAGOANA NO
PERÍODO DE 1996 A 2008: análise da dimensão cognitiva da cultura
histórica do curso de História da Universidade Federal de Alagoas.
Jonathan Vieira da Silva (jonathan.vieira@ichca.ufal.br)
Este artigo analisa as obras publicadas em Alagoas de 1996 a 2008 sobre os indígenas
alagoanos, utilizando a teoria da Cultura Histórica e enfocando a dimensão cognitiva
da cultura histórica. Com base na perspectiva intercultural da História, busca-se
compreender a influência dessas pesquisas na formação da cultura histórica dos
professores de História em Alagoas. Autores como Rüsen (2010), Maria Auxiliadora
Schmidt (2014), Bodo Von Borries (2018) e outros colaboram com a compreensão
da consciência histórica e da cultura histórica, explorando suas dimensões estéticas,
cognitivas e políticas. A análise das obras é dividida em três seções. A primeira seção
destaca a importância da cultura histórica para a formação da consciência histórica,
abordando as competências de interpretação, orientação e experiência que moldam
nossa percepção do passado. A segunda seção realiza o levantamento das obras
publicadas no período determinado em Alagoas, com um recorte geográfico e
temporal específico. Autores indígenas e pesquisadores interculturais, como
Catherine Walsh, Maria da Penha Silva e Terena Wanderlei Cardoso, contribuem
para a compreensão da relação entre a cultura histórica e a história indígena. Os
resultados revelam problemas como o apagamento da história indígena em Alagoas
e uma abordagem superficial dos indígenas como meros dados estatísticos. Isso
reflete uma cultura histórica que invisibiliza essa população e influencia a formação
da consciência histórica dos professores. A discussão se estende para a necessidade
de analisar o processo de formação continuada dos professores e suas práticas em
sala de aula, visando identificar mudanças na consciência histórica e a adoção de
abordagens interculturais. Autores como Luiz Sávio de Almeida, Flávia Ruas
Fernandes Pereira e outros vinculados à UFAL são relevantes para compreender a
produção historiográfica sobre os indígenas alagoanos e a influência dessas
produções na formação dos futuros professores de História. Em conclusão, este
artigo destaca a importância das pesquisas sobre os indígenas alagoanos e sua
influência na cultura histórica dos professores de História em Alagoas. Identifica-se
a necessidade de superar o apagamento histórico e promover uma abordagem
intercultural mais ampla, que valorize a diversidade e contribua para a formação de
uma cultura histórica antirracista. A análise das obras e a discussão sobre a formação
dos professores trazem à tona questões relevantes, como a implementação da Lei
11.645/2008, a existência de disciplinas específicas sobre história indígena e a
realização de formação continuada para reparar a falta de conhecimento dos docentes
formados antes desse período.
53
ST 08 - HISTÓRIA CULTURAL DO PROTESTANTISMO
Coord.: Paulo Julião da Silva (UFPE)
Objetiva-se receber trabalhos que transitem no viés da História Cultural do
Protestantismo no Brasil, os quais partam do princípio de que as religiões são
produtos culturais, buscando entender as interfaces da pluralidade desse grupo
religioso que teve nuances de sua presença no território nacional nos séculos XVI e
XVII, mas que só viria a consolidar seu espaço entre as religiões e religiosidades
brasileiras a partir do século XIX. Pretendemos debater questões missionais,
educacionais, biográficas, institucionais, tendo como arcabouço teórico os
referenciais da história cultural, principalmente no que diz respeito à História
Cultural das Religiões. A diversidade de estudos que vem sendo desenvolvidos nos
últimos anos sobre as mais diversas correntes protestantes nos possibilita entender o
crescimento expressivo dos evangélicos no País, principalmente aqueles que se
enquadram no que se convencionou chamar de neopentecostais. Nesse sentido, o
simpósio contribuirá com as discussões e possibilidades de ampliação das temáticas
acerca dos diversos seguimentos protestantes existentes no Brasil.
Sessão I (04/09/23)
1. O ENSINO RELIGIOSO IDEAL NUMA ESCOLA PÚBLICA.
Greicy Kelly Silva Veloso (klyveloso@gmail.com)
O ensino religioso em uma escola deve ser abordado de forma plural e inclusiva,
respeitando a diversidade de crenças e valores dos alunos e suas famílias. A
neutralidade e imparcialidade devem estar sempre presentes. O ensino religioso não
deve favorecer nenhuma religião específica ou promover uma visão religiosa em
detrimento de outras. O objetivo é fornecer informações sobre diferentes tradições
religiosas sem juízos de valor. Em países com princípios laicos, o ensino religioso
deve ser oferecido como uma disciplina opcional e não obrigatória. Professores de
ensino religioso devem receber treinamento adequado para abordar a diversidade de
crenças religiosas de forma sensível e imparcial. Os alunos devem ser incentivados a
expressar suas crenças e a aprenderem sobre as crenças dos outros, criando um
ambiente de respeito mútuo. O currículo deve abranger uma variedade de religiões,
incluindo as principais religiões do mundo, bem como crenças e filosofias não
religiosas, como o agnosticismo e o ateísmo. O foco deve ser na história e na cultura
das religiões, em vez de doutrinação religiosa. Isso ajudará os alunos a entenderem
como as crenças religiosas moldaram a sociedade ao longo do tempo. O ensino
religioso deve seguir uma abordagem acadêmica, baseada em evidências e estudos
comparativos, para que os alunos desenvolvam habilidades críticas e analíticas. O
54
ensino religioso deve seguir uma abordagem acadêmica, baseada em evidências e
estudos comparativos, para que os alunos desenvolvam habilidades críticas e
analíticas. Os pais devem ser envolvidos no processo educacional, e suas perspectivas
e preocupações sobre o ensino religioso devem ser levadas em consideração. Em vez
de se concentrar exclusivamente nas diferenças religiosas, é essencial ressaltar os
valores universais compartilhados por muitas crenças, como amor, compaixão,
empatia e respeito ao próximo. Ao adotar essas diretrizes, a escola pode criar um
ambiente de ensino religioso inclusivo e plural, onde os alunos podem aprender
sobre as diversas crenças religiosas e filosofias, promovendo a compreensão mútua
e a tolerância em nossa sociedade diversificada.
2. A SOCIEDADE BÍBLICA AMERICANA E AS ESTRATÉGIAS PARA A
CRIAÇÃO E CIRCULAÇÃO DE BIBLIOTECAS PEDAGÓGICAS
PROTESTANTES: notas introdutórias.
Maria Vanderlania Freitas Sampaio (vanderlania.freitas@gmail.com)
Ester Fraga Vilas-Bôas Carvalho do Nascimento (esterfraga@gmail.com)
Esta pesquisa investiga a criação e a circulação de bibliotecas protestantes produzidas
pela Sociedade Bíblica Americana (SBA), publicadas no período de 1878 a 1929,
evidenciando estratégias difundidas para o campo pedagógico através do impresso,
entre os séculos XIX e XX. Considerando que as bibliotecas protestantes são objetos
culturais que contribuíram para o desenvolvimento da educação brasileira, este
trabalho pretende demonstrar como a Sociedade Bíblica Americana definiu normas
e regras para a criação e circulação de bibliotecas pedagógicas protestantes no
período investigado. Inserida nos campos da História Cultural, da História da
Educação e da História do Livro, a investigação tem por problema de pesquisa a
seguinte questão: como a Sociedade Bíblica Americana elaborou estratégias para a
criação e circulação de bibliotecas pedagógicas protestantes? A hipótese elaborada é
a existência de um espaço para a circulação de impressos protestantes, dentre outros
impressos, contribuiu para a implantação de modelos educacionais protestantes
presentes nos países em que a Sociedade Bíblica Americana fez circular bibliotecas
pedagógicas protestantes. Amparada sob os pressupostos teórico-metodológicos de
Carlo Ginzburg (2007) no que concerne ao método indiciário, em Michel de Certeau
(1998), nas orientações da categoria de análise sobre táticas e estratégias a qual esta
última possui lugar próprio, manifesta-se fisicamente por esses lugares de operação,
com o fim de exercer a ordem dominante; e, em Nascimento (2019), no conceito de
biblioteca pedagógica protestante, a investigação está em curso e através da
materialidade das obras, evidenciando os indícios, sinais e marcas deixadas nas
fontes. Os poucos debates ainda sobre o tema e os destaques sobre a pedagogia
protestante desde a Reforma Protestante ocorrida no século XVI e que se expandiu
nos vários continentes, nos instiga a possibilidade de demonstrar estas normas e
regras, todavia, observando os desafios de enxergar o lugar dos que pouco puderam
falar ou escrever ao longo da história.
55
3. ENTRE AS VAIAS E OS ALARIDOS: os tumultos religiosos na imprensa
de Alagoas e Pernambuco (1873-1910).
César Leandro Santos Gomes (cesarl.gomes@hotmail.com)
A imprensa alagoana e pernambucana entre a segunda metade do século XIX e início
do século XX, relatam a ocorrência de conflitos entre grupos católicos e protestantes.
Essas fontes narram casos de depredação de casas de culto, violência coletiva e
agressões a missionários protestantes. Tais tensões são consideradas resultados de
disputas por espaços na sociedade e fazem parte da dinâmica do campo religioso,
onde ambos os grupos utilizam esses conflitos para construir as suas identidades.
Logo, a comunicação tem como finalidade discutir as representações dos episódios
de tumultos envolvendo católicos e protestantes, através dos jornais disponíveis na
Hemeroteca Digital Brasileira (BNDigital) no período de 1873 e 1910. Autores como
Charles Tilly (1978), George Rudé (1982), E. P. Thompson (2020) e Natalie Zemon
Davis (1990) destacam a influência de aspectos políticos, econômicos e culturais
como motivações para as manifestações de violência religiosa. A análise documental
desses conflitos busca identificar os agentes sociais, os indícios de possíveis discursos
presentes e a forma como os sujeitos históricos vivenciam e ressignificam suas visões
de mundo.
4. “IPB AME-A OU DEIXE-A”: resistência e repressão na Igreja
Presbiteriana do Brasil (IPB) nos tempos da ditadura (1964-1985).
Maylla Barradas Pedreira (mayllabarradas20@outlook.com)
A pesquisa tem como objetivo analisar e compreender a resistência dos membros da
Igreja Presbiteriana do Brasil à Ditadura civil-militar e as formas de repressão
desenvolvidas pela instituição para com os dissidentes. A metodologia consiste na
análise de depoimentos de membros leigos e pastores da IPB, encontrados no livro
“Memórias Ecumênicas protestantes” (2014) e o segundo volume do relatório da
Comissão Nacional da Verdade (CNV). Como resultado, esse trabalho possibilita
uma maior compreensão acerca da resistência dos protestantes ao regime militar.
5.
A
INFLUÊNCIA
DO
PENSAMENTO
CRISTÃO
DESENVOLVIMENTO DO CAPITALISMO.
Joaquim Gomes de Farias Neto (joaquim_rap@hotmail.com)
NO
Influenciados pelo pensamento sociológico de Max Weber muitos historiadores
concluíram que a ética protestante foi a principal expoente do cristianismo na
justificação do capitalismo. Com base na pesquisa que desenvolvi para o meu TCC,
pretendo demonstrar por meio do meu trabalho que algumas ideias econômicas
adotadas por Calvino tiveram origem no catolicismo escolástico, em um período
anterior à Reforma Protestante. Bem como que a escolástica tardia (católica) teve
56
mais influências no desenvolvimento do pensamento liberal do que o
protestantismo.
6. A EDUCAÇÃO PROTESTANTE NORTE-AMERICANA COMO
PROPOSTA DE SALVAÇÃO DA SOCIEDADE BRASILEIRA NAS
PÁGINAS D'O JORNAL BATISTA DURANTE A PRIMEIRA
REPÚBLICA.
Paulo Julião da Silva (paulo.juliao@ufpe.br)
A educação protestante no Brasil figurou entre as principais táticas missionárias até
pelo menos 1950. Entre os evangélicos, a ideia de transformação do Brasil não se
daria apenas no campo religioso, mas, também, em traços culturais diversos, e isso
incluía as questões educacionais. Elas se dariam em frentes plurais, tais como família,
costumes, lazer, e, principalmente, escolar. Os periódicos protestantes foram
fundamentais nesse processo, uma vez que se tratava de veículos não só de
comunicação, mas de formação de toda uma mentalidade para leitores, bem como
para aqueles que, mesmo de forma indireta, tinham acesso às ideias de missões norteamericanas que desembarcavam no Brasil desde os anos 1850. Na presente
comunicação, o objetivo é analisar como os missionários, provenientes em sua
maioria dos Estados Unidos, enxergavam que o Brasil precisaria ser salvo de um
processo de degradação patrocinado, principalmente, pela Igreja Católica. Para tais
análises faço uso de propostas teóricas da História Cultural das Religiões, bem como
da História Cultural da Educação. Espera-se, com essa comunicação, contribuir para
os debates em torno da História do Protestantismo no Brasil e de suas pluralidades
de ações na Primeira República.
57
ST 09 - HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO: Objetos de estudo, Teorias, Fontes e
Metodologias de Pesquisa
Coord.: Francisco Tenório da Silva (Cedu-UFAL); Ivanildo Gomes dos
Santos (Cedu-UFAL)
Objetiva possibilitar o diálogo entre pesquisadores e pesquisadoras e a socialização
de estudos acadêmicos concluídos ou em andamento que tratam dos fenômenos
políticos, econômicos, sociais e culturais relacionados à constituição de práticas
educativas escolares e não escolares em diferentes tempos e espaços históricos.
Considera a diversidade dos sujeitos históricos (alunos/as, mulheres, gestores/as,
indígenas, população negra e outros), como abordagem central das pesquisas da
História da Educação do Brasil da colônia à república e em Alagoas. Busca a
exposição de estudos sobre biografias de intelectuais e professores, instituições
educativas e culturais, teorias pedagógicas, políticas educacionais, recursos
pedagógicos e didáticos, cultura escolar, educação e higiene, educação e imprensa,
disciplinas escolares, movimentos sociais, etnia e gênero, étnico-racial, patrimônio
educativo, arquivos e acervos. Estudo teórico e práticos com fontes documentais.
Sessão I (04/09/23)
1. EPISÓDIOS DA EDUCAÇÃO FEMININA NO IMPÉRIO
BRASILEIRO: o caso do Atheneu Alagoano para o Sexo Feminino.
Marcondes dos Santos Lima; (marcondeslima12@gmail.com)
Danielle Fernanda Lopes Matheus Dias danielle.fernanda@gmail.com)
A Lei Geral do Ensino (1827) possibilitou para as meninas o acesso às escolas de
primeiras letras em locais mais populosos. Contudo, havia uma diferenciação do
currículo entre os gêneros, pois a elas seria ensinado o ler, escrever e contar, ao passo
que para os meninos, as matérias mais complexas como a geometria e a aritmética.
Havia no imaginário da época a ideia de que para a mulher não haveria a necessidade
de um estudo mais aprofundado, pois os seus afazeres sociais não lhe exigiam tal
conhecimento (SANT’ANA, 2010). Em relação à educação feminina nos colégios
públicos, acreditava-se que esses estabelecimentos não mantinham os padrões
religiosos, bem como de disciplina e moral que haviam recebido em casa
(ALMEIDA, 1998; (ALMEIDA; BOSCHETTI, 2012). Em consequência disso, os
internatos particulares surgiram para suprir essa demanda (CONCEIÇÃO, 2016).
Poucas instituições no país se interessavam por uma elevação intelectual feminina,
encontramos o Atheneu Alagoano para o Sexo Feminino (1883-1887) de Maria Lucia
Romariz com essa intenção. Todavia, o colégio não subsistiu por muito tempo, pois
funcionou por apenas 3 anos. Diante disso, tem-se como objetivo discorrer acerca
58
dos modos de educação feminina no Império brasileiro tendo como fio condutor da
análise o Atheneu Alagoano. Trata-se, portanto, de um estudo de caráter
bibliográfico de modo a rever algumas questões atinentes ao tema e a partir disto
evocar novas reflexões e/ou repensar antigas questões. Os resultados indicaram que
a educação feminina retratada no Império buscava um polimento social da mulher,
ela deveria saber falar outras línguas, principalmente o francês e o inglês, cantar, tocar
piano, bem como as prendas domésticas, além de ler, escrever e contar. E o que, de
uma certa forma, foi reforçado pela cultura escolar do Atheneu Alagoano.
2. INSTRUÇÃO PARA OS FUTUROS CIDADÃOS: ingênuos e menores
desvalidos no século XIX.
Maria Lidiane Santos Cardoso (lyydkalise2019@gmail.com)
Pensar nas práticas de escolarização e letramento destinada à população negra que
habitara as diversas províncias brasileiras no século XIX é adentrar num campo de
domínio e submissão de um povo sobre outro. Este estudo privilegiará as lutas e
disputas ocorridas em meio ao mundo escravista, num cotidiano de opressão e
inferiorização, que ofuscavam os confrontos e conquistas do povo negro rumo à
liberdade e ao acesso ao ensino. As pretensões de ascensão social a partir do ensino
se apresentarão nesta investigação como um eixo norteador responsável por colocar
o povo negro frente às profundas mudanças, buscando uma vida longe do cativeiro
e da submissão dos senhores. Iremos, nas próximas páginas, nos debruçar em
compreender como o povo negro acessou o ambiente escolar a partir da década de
1871, momento em que a Lei do Ventre Livre foi aprovada. Os conflitos e disputas
em prol da libertação do povo negro foram intensificados a partir da criação da Lei
2.040, que, além de libertar o fruto do ventre, proporcionava libertação gradual aos
cativos. Esse fato colocou a sociedade brasileira em alerta para o problema de os
libertos serem inseridos na sociedade sem instrução. De acordo com a mentalidade
dos senhores e da elite brasileira, a libertação da grande massa de cativos causaria
sérios problemas para o projeto de sociedade moderna que o Brasil almejava naquele
momento. Foi seguindo essa lógica que, a partir de 1872, a sociedade dominante
começou a procurar formas de como esses futuros cidadãos seriam incluídos dentro
desse projeto de sociedade.
3. O USO DE FONTES HISTÓRICAS NAS PESQUISAS DE HISTÓRIA
DA EDUCAÇÃO EM ALAGOAS.
Francisco Tenório da Silva (francisco.tenorio@cedu.ufal.br)
A História da Educação é uma área de conhecimento que tem crescido
gradativamente nas últimas décadas nos cursos de pós-graduação em educação. A
utilização de fontes históricas como, por exemplo: jornais e revistas tem sido uma
ferramenta primordial para a construção de conhecimento pelos pesquisadores. Os
59
jornais e revistas são fontes que circularam numa determinada época, revelando as
ideologias, as mentalidades, as ideias de uma sociedade. O objetivo deste estudo é
refletir a importância das fontes históricas para a história da educação em Alagoas. É
uma pesquisa introdutória que visa apresentar dados quantitativos de pesquisas que
utilizaram às fontes de jornais e revistas nas dissertações e teses do Programa de PósGraduação em Educação (PPGE) do Centro de Educação na Universidade Federal
de Alagoas entre os anos (2012 – 2019), além de uma análise discursiva dos debates
pedagógicos na “Revista Ensino” que circulou entre os anos de (1927 – 1931).
Espera-se nesta pesquisa refletir sobre esta importante temática e apresentar dados
mais elaborados.
4. UM ARQUIVO, MUITAS MEMÓRIAS: recuperação e preservação do
acervo do Grupo de Estudos e Pesquisas História da Educação, Cultura e
Literatura.
Marcondes dos Santos Lima (marcondeslima12@gmail.com)
Ivanildo Gomes dos Santos (ivanildoeduc@gmail.com)
Maria Rafaela Ferreira da Silva (maria.rafaela@cedu.ufal.br)
O texto em apreço tem como escopo apresentar e discutir o conjunto de atividades
que foram realizadas no seio do projeto de extensão: Um arquivo, muitas memórias:
recuperação e preservação do acervo do Grupo de Estudos e Pesquisas História da
Educação, Cultura e Literatura, do Centro de Educação da Universidade Federal de
Alagoas. O referido projeto teve como objetivo recuperar e preservar a
documentação que estava acondicionada de forma irregular nas dependências do
Centro de Educação da UFAL há mais de cinco décadas, notadamente, os
documentos históricos pertencentes à Faculdade de Medicina, à Faculdade de
Direito, à Faculdade de Filosofia e do Centro de Educação. A metodologia se
fundamentou na realização de procedimentos de identificação diagnóstica dos
documentos e, em seguida, a sua higienização e catalogação. Como fundamentação
teórica nos servimos das orientações de Vidal e Paulilo (2020) e Lopez (2002) para o
manuseio desse processo. No que tange aos resultados, conseguimos num curto
espaço de tempo higienizar, catalogar e acondicionar 3 pastas, um referente à
Faculdade de Medicina e dois referente à Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras.
Outrossim, é que este projeto de extensão viabilizou o nascedouro de um acervo e
no qual através deste os/as pesquisadores/as poderão extrair temáticas de pesquisas,
trabalhos de conclusão de curso, monografias, dissertações e teses a partir dos
documentos higienizados e catalogados pela equipe.
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5. RECUPERAÇÃO DE LEIS E REGULAMENTOS DA INSTRUÇÃO
PÚBLICA ALAGOANA NO SÉCULO XIX: os modelos pedagógicos na
legislação (1835 e 1899).
Marcondes dos Santos Lima (marcondeslima12@gmail.com)
Ivanildo Gomes dos Santos (ivanildoeduc@gmail.com)
Cristiane Cardoso (cristiane.santos@cedu.ufal.br)
O texto em apreço tem como escopo apresentar e discutir o conjunto de atividades
que foram realizadas na pesquisa de iniciação científica intitulada: Recuperação de
Leis e Regulamentos da Instrução Pública Alagoana no século XIX e, mais
especificamente, os modelos pedagógicos que foram prescritos na legislação
provincial e circulado nas aulas. O referido projeto foi uma ação desenvolvida pelo
Grupo de Estudos e Pesquisas História da Educação, Cultura e Literatura, do Centro
de Educação da Universidade Federal de Alagoas. O estudo é de natureza qualitativa
e se deu a partir da análise documental e produção de dados empíricos através das
peças legislativas ligadas à instrução pública provincial. O arcabouço teóricometodológico contou com as discussões propostas por: Oliveira (2022); Cardozo
(2022); Albuquerque e Boto (2021); Vidal e Paulilo (2020) e outros. Os resultados
acusaram a prescrição e circulação do Método Lancaster nas escolas alagoanas, criado
por Antônio Feliciano de Castilho (1855). O referido método foi considerado pela
corte portuguesa como uma das ferramentas de delineamento para fins não apenas
pedagógicos, mas também políticos e culturais. Desta forma, o Império português
institucionalizou o ensino da Língua Portuguesa através de uma pedagogia
pragmática e, assim, viabilizou o seu projeto civilizatório no Brasil. Um outro
resultado alcançado diz respeito a emergência de se preservar fontes atinentes à
história da educação local.
Sessão II (06/09/23)
1. UMA ESCOLA ATIVA A FAVOR DO CAPITALISMO: análise da Revista
de Ensino (AL) (1927 -1931).
Pedro Lucas Epifânio de Lima (pdrlucaa33@gmail.com)
O trabalho parte do conceito de Aparelho Ideológico de Estado, do filósofo Louis
Althusser, para analisar a Revista de Ensino de Alagoas, criada originalmente como
órgão oficial da Diretoria Geral da Instrução Pública de Alagoas, e depois tornandose meio de divulgação da Sociedade Alagoana de Educação. A pesquisa busca
compreender a atuação da Revista na expansão das ideias da Escola Nova em
Alagoas; o embate com as demais concepções educacionais; como as ideias do
escolanovismo pretendiam moldar um sujeito apto ao capitalismo e quais planos os
escolanovistas tinham para a educação alagoana.
61
2. QUESTÕES RACIAIS NA HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO RURAL NA
BAHIA.
Gilmario Moreira Brito (gilmariobrito@gmail.com)
Diego Lino Silva e Silva (historia.lino@gmail.com)
O cenário da educação rural na Bahia dos anos 1940 e 1950 compõe o pano de fundo
temático do trabalho. O objetivo é discutir as questões raciais que estiveram
associadas à educação escolar rural na Bahia mobilizado pela seguinte pergunta:
Como a bibliografia das Ciências Sociais e da História da Educação do negro tem
concebido a educação escolar e não escolar para as relações raciais, sociais e políticas
do Brasil no período mencionado? Para tanto, recorre-se ao diálogo com a produção
bibliográfica sobre a temática e a metodologia de análise documental no exame de
publicações e correspondências de intelectuais que discutem a educação e questão
racial nos anos 1950, como Anísio Teixeira e os etnógrafos Luiz de Aguiar Costa
Pinto e Harry Hutchinson. O diálogo teórico vai ser realizado com o conceito de
dispositivo de racialidade proposto por Sueli Carneiro (2005) e de campo de força
estabelecido na tensão campo e cidade constitutivo do processo histórico da
construção do conceito de civilização apresentado por Raymond Williams (2011).
No processo de análise dos documentos foi possível observar que houve, tanto
algum nível de diálogo de intelectuais e políticos baianos com as ideologias raciais da
época, apesar de dissimulado, quanto as questões raciais se mostravam mais evidentes
quando associadas às representações produzidas sobre população camponesa.
3. APONTAMENTOS ACERCA DE ELEMENTOS SILENCIADOS E
ACRESCIDOS NA OBRA DE JEAN-JACQUES ROUSSEAU, EMÍLIO OU
DA EDUCAÇÃO.
Ivanildo Gomes dos Santos (ivanildo.santos@cedu.ufal.br)
Alyny Valéria Cardoso Pontes (alyny.pontes@cedu.ufal.br)
O presente texto tem por objetivo apontar alguns elementos silenciados e acrescidos
na obra Emílio ou Da Educação, de Jean-Jacques Rousseau, bem como demonstrar
que apesar dos avanços da educação iluminista, ainda existe uma barreira para lidar
com a educação feminina, pois fica presa ao “ideal” de mulher do antigo regime.
Com tal intento, entendemos que a referida obra não se trata de um simples “manual
de como educar”, mas de um respeitável tratado de filosofia da educação, no seu
tempo o autor fez avanços no que trata a primeira infância até a adolescência, foi um
dos primeiros a deixar claro que criança (meninos) devem ser tratados como tal, não
semelhante a pequenos adultos. No entanto, em que pese o exposto anteriormente,
Rousseau silencia a respeito da educação das pessoas com deficiência, uma vez que
para ele “é uma perca de tempo do preceptor dedicar seu intelecto às crianças que
não conseguem manter o corpo firme”. Além disso, no V capitulo ao que toca a
educação de Sofia, o autor naturaliza o papel social da mulher de modo a reproduzir
uma educação típica da mulher cristã, fruto da sociedade patriarcal. Para realizar tais
62
apontamentos nos apropriamos do referencial teórico-conceitual de autores como
Paiva (2007) e Wollstonecraft (2016). As considerações finais possibilitam afirmar
que a obra Emílio ou Da Educação teve grandes censuras e aclamações, sendo até a
atualidade grande exemplo educacional em Emílio, porém, o mesmo não se pode
afirmar quanto a educação feminina, em Sofia, pois há uma permanência dentro do
seu processo de rompimento com o velho, a mulher continua sendo a “mera
reprodutora” e não uma agente de mudança.
4. ATIVIDADE FÍSICA E SAÚDE NA OBRA “AS BASES SCIENTIFICAS
DA EDUCAÇÃO PHYSICA”: notas para a história da inserção dos exercícios
físicos no espaço escolar.
Gilson Sales De Albuquerque Cunha (gilson.cunha.2021@alunos.uneal.edu.br)
As práticas de higienização da sociedade através do espaço escolar e pela educação
física marcam os primórdios da estruturação dos sistemas públicos de educação,
conforme amplamente registrado na História da Educação e da Educação Física. Em
Alagoas, encontramos fontes documentais que permitem vislumbrar a relação entre
saúde e exercícios físicos na educação física escolar, pautada no discurso higienista
propagado sobremodo por médicos, militares e autoridades políticas daquela época.
Uma dessas fontes consiste na publicação de 1923, de autoria de Mário de Miranda,
“As Bases Scientificas da Educação Physica”. Filiando-se ao Mecanicismo biológico,
expressando assim o cientificismo pedagógico da época, o autor desenvolver
argumentos pautados nas ciências da saúde para justificar a inserção da educação
física no espaço escolar, argumentando acerca da relevância dos exercícios físicos
para o desenvolvimento da saúde corporal e moral, a formação cívica e
‘engrandecimento da pátria’. Assim sendo, nosso objetivo consiste em analisar a
concepção de ‘saúde’, ‘exercício físico’ e “educação física escolar’ contidas na obra
sob comento. Trata-se de pesquisa bibliográfica e documental, na perspectiva da
História Cultural, procurando abordar a Educação Física Escolar nas terras
alagoanas, no período de 1910 a 1930. A referência às bases científicas da Educação
Física e do Exercício Físico, sobremodo as bases fisiológicas, no discurso médicohigienista das décadas de 20 e 30 do século passado, apontam para a produção de
saberes e práticas sociais pelos atores educacionais que ratificam o discurso oficial do
Estado brasileiro. A fonte analisada apresenta indícios do discurso médico-higienista
para a inserção de exercícios físicos na educação escolar, suas razões e motivações:
exercícios físicos para o “justo equilibrio entre suas funções intelectuaes e physicas”.
5.
PRÁTICAS
TEATRAIS
REALIZADAS
NO
PROCESSO
TERAPÊUTICO/EDUCACIONAL NO CAPS - CENTRO DE ATENÇÃO
PSICOSSOCIAL DE MACEIÓ-AL.
Cleidson Alan Cardoso da Silva (alan_cardoso.al@hotmail.com)
63
Na maioria das pesquisas sobre Educação Inclusiva, observa-se que o ensino de
Teatro, bem como outras artes, não é evidenciado no campo da pesquisa em
educação, embora que se deva considerar os pequenos avanços obtidos dentro de
ambientes educacionais que vislumbra de fato a inclusão de alunos e alunas com suas
especificidades educacionais diferenciadas no ensino regular, levando em
consideração as diferentes perspectivas de educação especial que proporcionava aos
alunos e alunas com deficiência, transtornos globais, entre outros, uma segregação
com demais alunos tidos “normais” como em Escolas Regulares e Técnicas,
Universidades e Ongs, e Associações que trabalham com ensino. Para tanto, esse
trabalho buscar entender como funciona o ensino de Teatro fora do ambiente
educacional regular e a sua importância na formação dessas pessoas. Na área da
saúde, os Doutores da Alegria, por exemplo, que atuam em hospitais por todo o
Brasil com pessoas formadas ou não na área artística, como ocorreu com a Médica e
Psiquiatra alagoana Nise da Silveira que revolucionou o método do tratamento com
pacientes de hospitais psiquiátricos no Brasil. Essa pesquisa encontra-se em
andamento no Curso de Pós-Graduação em Arte e Sociedade no Instituto de
Ciências, Comunicação e Artes – ICHCA, da Universidade Federal de Alagoas –
UFAL. Surge a partir das oficinas de jogos teatrais, confecção de Mamulengos, e
Máscaras Cênicas que foram realizadas dentro dos CAPS – Centros de Atenção
Psicossocial, da Secretária Municipal de Saúde de Maceió de Alagoas, com o objetivo
de compreender a sua relevância no tratamento desses Usuários e Usuárias dentro
do Serviço de Saúde e como o Ensino do Teatro pode contribuir no processo
Terapêutico/Educacional no período que esses usuários estejam fazendo seus
tratamentos. Será a partir dessas necessidades que se propõe investigar como
funciona/reage a abordagem terapêutica e educacional dessas práticas teatrais, tendo
como mecanismo metodológico os jogos teatrais.
64
ST 10 - HISTÓRIA, IMAGENS E DIMENSÕES DO AUDIOVISUAL
Coord.: Beatriz Souza Vilela; Maria Viviane de Melo Silva (IFAL); Roseane
Monteiro Virginio (Egressa-PPGH/UFAL/UFSC)
Vivemos em um mundo imagético desde os nossos primórdios, seja como forma de
sentir, refletir e representar. Diante do poder que a imagem alcançou, nas sociedades
contemporâneas, urge a necessidade de refletirmos sobre as diferentes possibilidades
de recepção delas. Nesse sentido, o presente Simpósio Temático visa ser um espaço
proveitoso para mediar pesquisas, dos séculos XX e XXI, onde a imagem seja
dialogada com problematizações que têm um métier caleidoscópico com obras
relacionadas ao audiovisual, a fotografia, a pintura, aos HQs, entre outras formas,
onde ela seja objeto e fonte de análise. Dessa maneira, entendemos que a produção
imagética deve ser pesquisada de maneira cuidadosa seguindo preceitos
metodológicos e teóricos. Aqui, nos interessa discutir como a imagem é perpassada
pelos aspectos sociais, culturais e políticos, de sua época, e como ela pode suscitar
diferentes debates que envolvem variadas temáticas aos pesquisadores das ciências
humanas e sociais.
Sessão I (05/09/23)
1. CAMINHOS DO ENSINO: uma discussão sobre o filme “Elizabeth”.
Rafaele Reis Archanjo (rafaellyreisarchanjo@hotmail.com)
A Inglaterra do século XVI enfrentou uma grande crise política, o conflito entre
católicos e protestantes implicaram em um atrito na sucessão do trono inglês após a
morte do rei Henrique VIII. As reviravoltas do contexto da época inspiraram
diversos cineastas a explorarem o cotidiano daquele período, resultando em obras
sublimes como: “Elizabeth” (1998). A respectiva obra foi explorada pela visão do
paquistanês Shekhar Kanpur, onde seu ponto de vista apresenta a imagem de uma
Inglaterra romantizada e liberal. Entendemos que este panorama mostrado na
película e explorado pela historiografia, marcador de um tempo, é algo possível de
ser explorado em sala de aula. Esta comunicação objetiva explorar a potência
pedagógica do uso de uma película em sala de aula, entendendo que um filme é
sempre uma representação. Neste trabalho evidenciaremos uma experiência realizada
em uma turma de Licenciatura em História do campus IV (Jacobina-Bahia) da
Universidade do Estado da Bahia. Nesta ação o filme citado foi mostrado e debatido
entre discentes e docentes, gerando análises e questionamentos e essa comunicação
pretende realçar. É objetivo da comunicação ainda, explorar metodologias de ensino
da História, e considerar que esta ação foi desenvolvida neste tempo, marcado pelo
evento contemporâneo que assolou a humanidade a partir do ano de 2020, onde foi
65
necessária uma reinvenção das formas e metodologias de se lecionar, diante da
Pandemia do Corona Vírus (COVID-19). Este evento fez com que muitos alunos e
alunas continuassem seus estudos de forma remota, tendo como imperativo a
adequação a este novo momento. Em suma, é objetivo deste presente escopo
destacar a crise sucessória inglesa através do emprego da película “Elizabeth” em
aulas de História.
2. A REPRESENTAÇÃO DO CORPO FEMININO NO CINEMA
SLASHER ESTADUNIDENSE: um novo olhar sobre s Trilogia Slumber
Party Massacre (1982-1990).
Nara Machado Gonçalves de Andrade (naramachadog@gmail.com)
O gênero de horror ainda é considerado inferior por alguns pesquisadores(as).
Durante a década de 1980 o subgênero slasher invadiu os cinemas estadunidenses.
Considerado por muitos como misógino pela violência gráfica contra o corpo
feminino. Ao analisar a trilogia Slumber Party Massacre (1982-1990), dirigido e
roteirizado por mulheres, é possível observar diferenças nas formas nas quais as
mulheres estão representadas em cena. A trilogia seria um embrião de um slasher
mais feminista? Acredito que este trabalho pode contribuir para os estudos de gênero
e estudos de Cinema x História.
3. FILMES PREJUDICIAIS: breve estudo sobre a relação entre história,
cinema e moral cristã.
Maria Viviane de Melo Silva (viviane.melo@ifal.edu.br)
Letícia Nunes de Farias (leticia.farias@fsso.ufal.br)
Este trabalho tem como objetivo apresentar parte de uma pesquisa desenvolvida na
modalidade PIBIC no IFAL Campus Batalha em 2022, onde buscamos abordar a
relação entre Igreja Católica, moral cristã e o cinema em Alagoas (1945-1960). Por
compreendermos que o filme também é um produto do seu tempo e que a recepção
fílmica (Valim, 2012) pode apresentar -se como um instrumento relevante no estudo
envolvendo história e cinema, analisaremos dois filmes em questão: Que espere o
céu (1941) e Sorrisos de uma noite de amor (1955), mostrando por meio deles
algumas temáticas que causavam dilemas sociais na época e como tais problemas
eram vistos pela Igreja Católica, repercutindo na sociedade como um todo.
4. GUERRA FRIA E HISTÓRIA NO CINEMA: uma análise comparativa
entre os filmes A questão russa (1947), de Mikhail Romm, e Ivasion U.S.A.
(1952), de Alfred E. Green.
Cristiano Cezar Gomes da Silva (cristianocezar.pe@bol.com.br)
Yuri Alexandre Duarte de Macêdo (yurialexamdre30@gmail.com)
66
Na interface entre História Cultural e Cinema, este trabalho analisa
comparativamente o filme soviético A questão russa (1947), dirigido por Mikhail
Romm, e o filme estadunidense Invasion U.S.A. (1952), dirigido por Alfred E. Green.
Através dessas obras, o estudo possibilita entender como os dois blocos antagônicos
utilizavam o cinema como representação de seus imaginários durante a Guerra Fria,
especificamente no final da década de 1940 e o início da década de 1950. Para tanto,
foram mobilizados autores como Ballerini (2020), Barros (2000), Burke (2005),
Lanari (2019) e Pesavento (2005).
5. HISTÓRIA, HQ E GUERRA FRIA: O Capitão América e as suas
representações no contexto Pós-guerra.
Ewerton Augusto Carvalho de Oliveira (ewertonaugusto01@gmail.com)
Cristiano Cezar Gomes da Silva cristianocezar@uneal.edu.br)
As histórias em quadrinhos (HQs) foram utilizadas como propaganda estadunidense
em vários momentos da história. Criado em 1941, em plena Segunda Guerra
Mundial, o super-herói Capitão América simbolizava o antagonismo ao nazismo.
Após o término do conflito bélico, foi utilizado em oposição ao comunismo durante
a Guerra Fria. Assim, este trabalho analisa o uso das HQs como fonte histórica,
buscando compreender as representações antagônicas engendradas a partir do
Capitão América. Para isso, foram utilizados autores como: Araújo (2020),
Hobsbawm (1995), Pesavento (2012) e Sanches (2021).
Sessão II (06/09/23)
1. A SALVAGUARDA DIGITAL OPORTUNIZANDO DEBATES DIANTE
DO ACESSO A MUSEUS NO SÉCULO XXI.
Alvanir Ivaneide Alves Da Silva (alvaniralves2017@gmail.com)
Com a ampliação do uso da internet e o acesso rápido às mídias digitais no século
XXI, o museu também teve a sua representatividade colocada em debate. Com os
chamados museus virtuais, exposições de acervos passaram a chegar de forma mais
facilitada ao grande público, no mesmo espaço que proporcionam uma
democratização de acesso a objetos museológicos, também ampliam debates diante
de quais rememorações estão sendo salvaguardadas e representadas nesses espaços
de memória. Sendo assim, para este trabalho visamos debater o conceito de museu
virtual e analisar as percepções que esses acervos virtuais têm representado em nossa
sociedade, além disso, apontaremos alguns museus que tangem possibilidades de
debates diante das Leis Nº 10. 639/2003 e Nº 11.645/2008, dando foco ao ensino
de História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena, a partir da cultura imagética.
67
2. NOTAS SOBRE O ENLACE ENTRE CINEMA E EDUCAÇÃO A
PARTIR DO PROJETO DE EXTENSÃO “CINEMA DA PARTE ALTA”.
Magda Carla Braz Dos Santos; Beatriz Souza Vilela; Anastácia Serdiane
(magda.santos@ics.ufal.br; beatriz.vilela@ics.ufal.br; serdiane.santos@ics.ufal.br)
O presente trabalho tem por objetivo apresentar um conjunto de relatos de
experiência dos integrantes do projeto de extensão ´´Cineclube Cinema da parte alta:
cultura, sociabilidade e reflexão´´ desenvolvido na Universidade Federal de Alagoas,
e também provocar algumas reflexões sobre a relação entre cinema e educação, a
partir de um olhar crítico sobre a desigualdade do acesso à cultura na cidade de
Maceió, além de pontuar a contribuição da prática cineclubista na formação de uma
compreensão reflexiva sobre alguns temas sociais vivenciados coletivamente.
3. SOBRE A IMAGEM QUE QUEIMA: narrativas plásticas sobre signos
afro-alagoanos.
Anderson Diego da Silva Almeida (andersondiego.almeida@gmail.com)
Carlos Eduardo Oliveira de Souza (kadududu.ol@gmail.com)
Ermerson Juan Dias da Silva (ermersonjuan22@gmail.com)
A imagem queima. Ela queima pelo sopro. Pelo eternizar das memórias. A imagem
perturba, assim como um signo eterno, num contínuo vai e vem. O artigo em
construção relata os processos imagéticos utilizados na produção da Exposição
Zumbi Rei, fruto do edital e Projeto Vivências Artísticas 2022, da Universidade
Federal de Alagoas (UFAL). Da metáfora da imagem que é acesa pelo sopro, nas
palavras de Didi-Huberman (2018), a descrição do processo visual é tecida nos signos
e símbolos da cultura quilombola, das representações da figura de Zumbi dos
Palmares e todo o arsenal plástico que compõe a estética afro-alagoana. Serão
apresentadas as etapas de pesquisa e construção de um dos figurinos que compõem
Zumbi Rei. Neste sentido, Zumbi será mostrado a partir de elementos que
apresentam uma Alagoas ritualizada pelos candomblés, pelas lagoas, folguedos e
materiais que denunciam essa estética local e, decerto, raiz de uma personagem que
está longe dos livros e dos noticiários, um rei africano.
4. CASA DE FARINHA NO SERTÃO ALAGOANO: o poder do
documentário no estudo e salvaguarda do patrimônio.
Maria Clara Araújo Santana (mcas7@aluno.ifal.edu.br)
Palloma Medeiros de Lima (pml1@aluno.ifal.edu.br)
Marina Milito de Medeiros (marina.milito@ifal.edu.br)
O trabalho tem como objetivo principal valorizar e salvaguardar a casa de farinha do
sertão alagoano, demonstrando sua importância patrimonial através da produção de
um documentário que registra todas as etapas da produção artesanal da farinha de
68
mandioca. As casas de farinha têm sido esquecidas com o passar do tempo e a
elaboração de um documentário sobre suas práticas, facilita a divulgação desse
patrimônio e de sua importância econômica e afetiva. A produção audiovisual se
apresenta tanto como produto final a ser divulgado para o público em geral, quanto
documento para coleta de dados.
5. O CINEMA CONTEMPORÂNEO ALAGOANO E A CONSTRUÇÃO
DAS IMAGENS DA CIDADE DE MACEIÓ ENQUANTO PARAÍSO DAS
ÁGUAS.
Roseane Monteiro Virginio (rosemonteiro13@gmail.com)
O intuito dessa comunicação é pensar sobre as representações da cidade de Maceió
e sua relação com o meio ambiente tendo a produção cinematográfica
contemporânea em curta-metragem: Cidade Líquida (2015) e Corpo D´Água (2018)
como fonte principal para análise. Neste caso, Maceió é vista como paraíso das águas,
ou seja, a cidade é um espaço harmonioso com a natureza onde essa perspectiva é
difundida na mídia hegemônica como aporte de discurso para especulação imobiliária
e para o turismo. Tendo em vista a multiplicidade de olhares que o cinema constrói,
as produções alagoanas do campo do cinema estão gerando fontes para se pensar a
cidade, mas que cidade é essa?
6. A VERDADEIRA MACEIÓ É MASSA?
Carlos Eduardo da Silva Lopes (eduardolopesdu14@gmail.com)
A atual proposta de pesquisa é trazer uma tragédia que está em andamento em 5
bairros de Maceió - AL, trago comigo um acervo fotográfico mostrando como foi o
processo de expulsão desses moradores das suas casas. A construção da fábrica de
cloro-soda, o campo de salmoura e o terminal marítimo, localizado no Bairro do
Pontal da Barra em Maceió, tiveram início em 1974. A produção comercial só teve
início em fevereiro de 1977 e a unidade de diclorometano, em 1979. Essa vinda gerou
protestos da população do bairro e de outras áreas, anos após, em 1985 os protestos
voltaram a acontecer, após o anúncio de ampliação da capacidade operacional da
empresa e da instalação do Pólo Cloro químico em Marechal Deodoro -AL., nessa
época já existia um medo das consequências que isso poderia trazer para o futuro.
As fissuras e afundamento de solo, ocorridas em março de 2018, o terremoto de 2,4
na escala Richter, trouxe à tona o problema primeiramente no bairro Pinheiro e logo
após vindo atingir os bairros do Mutange, Bebedouro, Bom parto e Farol, isso é só
mais alguns dos problemas ocasionados com a instalação da empresa no estado. Vale
lembrar que um dos momentos mais críticos provocado pela localização da empresa
ocorreu no início da manhã de 31 de março de 1982, quando uma “violenta
explosão’’, seguida de chamas que alcançaram cerca de 15 metros”, “Houve pânico,
correria, desmaios e choros por parte dos moradores e familiares dos funcionários
69
da empresa. As ruas próximas à sal-gema, embora chovesse muito em Maceió,
ficaram movimentadas, com a população procurando abandonar suas casas”, prova
que a mineradora na época Sal-gema e hoje Braskem sabia dos problemas “A censura
à imprensa era a regra durante a ditadura militar e muitos acidentes e vazamentos de
produtos químicos não foram noticiados pela imprensa de Alagoas. O governo, em
‘conluio’ com a sal-gema, criou uma cortina de proteção’’. Cortina essa que se
mantém até hoje, os afundamentos dos bairros são pouco noticiados aqui no estado,
a impressão que é passada para a sociedade que nada aconteceu nesses últimos 5
anos. Mais de 70 mil famílias tiveram que sair das suas casas por conta dessa tragédia,
os bairros atingidos foram cada vez mais ficando sem a circulação de pessoas, placas
de rota de fuga foram colocadas sinalizando para onde as pessoas poderiam fugir
caso o pior acontecesse, o fato é, que tudo isso poderia ser evitado, se lá atrás a voz
da população fosse ouvida, hoje, infelizmente o que podemos ver nesses bairros são
ruínas. Nesse campo de riquezas o audiovisual e a fotografia, foi que me fez pensar
em um tema que tivesse grande importância para sociedade, e que eu pudesse trazer
através dessas duas ferramentas um resultado significativo. Foram 5 bairros
destruídos que mudou a vida dos Maceioenses, toda cidade foi atingida, isto é,
diretamente os mais de 70 mil moradores dos bairros, e também aqueles que
passavam diariamente por aquela região, porém, essa tragédia não é vista diariamente
na tv, isso causa uma nuvem de que Maceió é massa, das belas praias e da cadeira
gigante, onde tudo é lindo e magnífico. Maceió é massa pra quem?
70
ST 11 - HISTÓRIA, MEMÓRIA E HISTORIOGRAFIA DO BRASIL
REPUBLICANO
Coord.: Anderson da Silva Almeida (UFAL); Michelle Reis de Macedo
(UFAL)
A República no Brasil nasceu de um Golpe levado a cabo em 15 de novembro de
1889. Consagrado nos livros didáticos com o nome oficial de “Proclamação”, o
acontecimento passou a ser analisado pela historiografia como um processo
desencadeado pelos grupos dominantes. O povo teria assistido a tudo passivamente,
“bestializado”, na expressão clássica de Aristides Lobo. Seria esse “o pecado original”
de nossa República: o risco ou vocação a Golpes e Ditaduras quase sempre com a
acomodação, consenso e consentimento de setores expressivos de nossa Sociedade?
Somos mesmo amantes da Democracia? Tratar sobre o Brasil Republicano – ou as
várias Repúblicas -, articulando diversas temporalidades, com ênfase para o tempo
contemporâneo e o tempo presente; e temáticas plurais, tais como: movimentos
sociais, história indígena, práticas culturais, resistências, acomodações, silêncios e
silenciamentos é o objetivo principal deste Simpósio Temático. Pretendemos,
também, proporcionar um espaço de relatos de experiências, debates, trocas e afetos
com estudantes, público em geral e trabalhadores/as da educação.
Sessão I (04/09/23)
1. CANUDOS OU BELO MONTE: um movimento social de viés religioso.
William Gustavo dos Santos Paulino Valadão (william.valadao@delmiro.ufal.br)
Canudos foi uma comunidade autônoma que durou de 1893 até 1897, quando foi
destruída pelo exército brasileiro. Sob a liderança de Antônio Conselheiro, as pessoas
do sertão encontraram em Canudos uma chance de mudar de vida, adquirindo meios
dignos de subsistência. Formado majoritariamente por pessoas humildes, esse
movimento tinha nos preceitos religiosos a sua vertente ideológica. Canudos, ou Belo
Monte, prosperou de forma organizada e isso afetou a dinâmica social local, gerando
incômodos em poderosos e culminando em seu fim. A proposta deste texto é fazer
uma releitura deste movimento.
71
2. HISTÓRIA E HISTORIOGRAFIA SOBRE O MOVIMENTO DO
CONTESTADO (1912-1916).
Márcia Janete Espig (marcia.espig70@gmail.com)
A guerra do Contestado, ocorrida entre os anos de 1912 e 1916, desafiou os poderes
estabelecidos pela República brasileira ao derrotar forças policiais e do exército
nacional. Apenas através de uma grande expedição militar o Estado logrou derrotar
os rebeldes, cuja resistência se tornou inspiração para movimentos populares
atualmente. Sobre tal conflito, muitos foram os olhares e as análises historiográficas
realizadas. Em minha comunicação, irei abordar parte dessa produção, trazendo em
destaque os trabalhos relacionados ao Grupo de Investigação sobre o Movimento
do Contestado (CNPq).
3. “ESSAS COISAS VERDADEIRAS PODEM NÃO SER VEROSSÍMEIS”:
memória e narrativa nas “Memórias do cárcere”, de Graciliano Ramos.
Gerson Castro dos Santos (gerson.cs@gmail.com)
Em “Memórias do cárcere”, Graciliano Ramos combina memória e narrativa literária
e nos desafia a identificar limites entre suas lembranças e a ação do seu gênio criativo.
Ao abordar a violência do “nosso pequenino fascismo tupinambá” levada a cabo por
Getúlio Vargas, o escritor faz da obra documento e registro histórico. Neste trabalho,
analiso, a partir de conceitos discutidos por Jelin, Halbwachs, Nora e Le Goff,
aspectos historiográficos do livro, sua condição memorialística e a própria
historicidade da narrativa, já que é elemento do contexto que retrata.
4. XANGÔ E POLÍTICA: as “seitas africanas” de Pernambuco na
experiência democrática do pós-Estado Novo.
Raphael Souza Lima (raphael.slima88@gmail.com)
Com a deposição de Getúlio Vargas do cargo de presidente, em 1945, e o
consequente fim do regime do Estado Novo, a política brasileira deixou para trás
nove longos anos de centralização política, autoritarismo e repressão a inimigos
políticos do regime. As eleições presidenciais no fim do mesmo ano e a promulgação
da constituição de 1946, inauguraram um novo período de experiência democrática
no Brasil. Tal período no qual o povo deveria eleger seus representantes no executivo
e legislativo exigia dos políticos a ida ao encontro das massas e lideranças
comunitárias visando a captação de votos. Com efeito, vozes outrora ignoradas, ou
mesmo rejeitadas passavam a integrar grupos de potenciais eleitores. Dentre esses,
estavam as denominadas em Pernambuco de “seitas africanas” ou “xangôs”, grupos
religiosos proibidos de funcionar no território pernambucano durante a vigência do
regime estado-novista. Este trabalho tem como objetivo refletir sobre como os
distintos grupos políticos locais estiveram se relacionando com essa parcela da
72
população nesse período, principalmente durante os anos eleitorais. A metodologia
empregada consistiu em uma ampla busca por palavras-chave nos conteúdos dos
periódicos locais disponibilizados na hemeroteca digital da Biblioteca Nacional.
Focamos, nesse trabalho, nossas análises no Diário de Pernambuco, por ser um
periódico de grande relevância no recorte analisado, além de ser o que nos trouxe
respostas mais relevantes. Através da leitura de matérias que tratam da relação do
povo de terreiro com políticos, foi possível construir uma perspectiva de como
políticos de diferentes partidos e grupos passaram a articular suas ações visando
aproximação, apoio político e captação de votos nesses grupos religiosos para as
eleições estaduais de 1947, 1950 e 1955. Por outro lado, buscamos construir uma
ideia de como tais grupos outrora execrados, conscientes da força política que agora
possuíam, passaram a agir visando garantir para si as liberdades de culto, crença e
associação que, apesar de previstas constitucionalmente, vinham lhes sendo negadas
em conjunto com a negação política e social do estatuto de religião. A hipótese
defendida aqui é que a mudança observada na forma como o Estado buscou se
relacionar com os xangôs de Pernambuco nesse período, manifestadas na aprovação
da lei estadual nº 1166/1951 - mas não apenas nela, foi produto da agência desses
religiosos. A ação política desses fiéis dos xangôs pernambucanos no período
analisado configura mais um capítulo da longa luta pela aceitação e legitimação social
de tais religiões no Brasil. Movimento esse que, por sua vez, pode ser interpretado
como uma entre as múltiplas formas de atuação de grupos de negros brasileiros
visando construção de cidadania no pós-abolição.
5. NOVAS CONFIGURAÇÕES NA POLÍTICA DO AGRESTE
PERNAMBUCANO: leis estaduais de emancipação (1962-1964).
Lucas Bezerra Vilela (vilela352@outlook.com)
O presente resumo trata-se de uma pesquisa em andamento no Programa de Pós
Graduação em História da Universidade Federal de Alagoas (PPGH-UFAL) na linha
de pesquisa relações de poder, conflitos e movimentos sociais. É possível perceber
essas ramificações a partir de estudos sobre a formação de municípios no estado de
Pernambuco durante a década de 1960, observou-se que a partir do dia três de
dezembro do ano de 1963, foi iniciado a publicação no Diário do Poder Legislativo
do Estado de Pernambuco o que no final viria a ser 61 novos municípios, distribuídos
em todo o estado de Pernambuco, aprovados na Assembleia Legislativa de
Pernambuco-ALEPE para obterem sua independência administrativa das antigas
cidades a qual pertenciam. No entanto, dentre eles, somente 40 alcançaram de fato
emancipação nesse período e foram sancionadas pelo então governador do Estado
de Pernambuco na época, Miguel Arraes de Alencar. Todas essas novas cidades
surgem após a aprovação de um conjunto de Leis estaduais, em que a cada número
da lei acrescentado representa o novo município em criação. As leis foram aprovadas
em fins do ano de 1963, com criações de municípios próximos ao litoral para,
posteriormente, iniciar as aprovações de cidades mais interioranas. A observação das
73
leis em questão foi possível a partir da investigação sobre a emancipação do
Município de Capoeiras-PE, que se tornou independente do Município de São Bento
do Una-PE, a partir da atuação da Lei nº 4998, sendo localizado nas proximidades
da cidade de Garanhuns-PE. Com isso, a presente pesquisa tem o intuito de analisar
o papel destas leis na transformação do cenário da política local compreendendo a
constituição e dinâmica do poder local no agreste pernambucano, em especial as
cidades próximas ao município de Garanhuns-PE, como os municípios de
Paranatama e Caetés, contribuindo para a história política desses municípios
historiograficamente anônimos.
6. PERIÓDICOS E METODOLOGIAS EM PESQUISAS HISTÓRICAS.
Matheus Araújo Machado de Freitas (mamfress@gmail.com)
O objetivo do presente trabalho é desenvolver uma discussão acerca do estudo em
história política a partir dos periódicos como fonte historiográfica. Buscando refletir
sobre os caminhos que os jornais possibilitam em uma pesquisa que discute o Golpe
Civil Militar de 1964 em Alagoas. Operando metodologicamente a partir de
referências como Tania Regina de Luca e José de Assunção Barros. Dialogamos com
Rodrigo Patto Sá Motta, Jorge Ferreira e Angela de Castro Gomes, ao procurar
compreender esse período como construção de um regime autoritário, com atuação
conservadora.
Sessão II (05/09/23)
1. “MACEIÓ GRITA SOCORRO!”: assassinatos de pessoas LGBTQIA+ nos
anos 1970-1980 em Alagoas.
Alexandre da Silva (alexandre.silva1@ichca.ufal.br)
Nas páginas dos boletins do Grupo Gay da Bahia (GGB), da década de 1980, o nome
do estado de Alagoas aparece correlacionado a diversas situações, dentre elas,
algumas reivindicações de “movimentos homossexuais” perante o Governo do
Estado de Alagoas. No boletim do ano de 1982, podemos ler a seguinte
reivindicação: “Homossexuais de Alagoas pedem liberdade gay”, assim começa uma
“cartinha” enviada de Maceió, onde um gay local enumerou uma série de violências
que as “bichas” locais veem sofrendo por parte da polícia, publicado em abril de
1982, ano I n° 03 do GGB (p. 35). Esta comunicação tem como principal objetivo
traçar um panorama dos assassinatos praticados contra a população LGBTQIA+ na
cidade de Maceió, no estado de Alagoas, entre as décadas de 1970 e 1980, por meio
do recorte das categorias de gênero, raça, classe e sexualidade analisadas nas páginas
dos boletins do Grupo Gay da Bahia e nos periódicos dos jornais alagoanos Gazeta
74
de Alagoas e Jornal de Alagoas. A metodologia empregada foi a pesquisa em arquivos
físicos, boletins do GGB e dos jornais locais Gazeta de Alagoas e Jornal de Alagoas,
entre as décadas de 1970-1980, consultados na Biblioteca Graciliano Ramos, em
Maceió. A busca nos arquivos, necessitou de uma sistematização das informações
coletadas nestas fontes. Para isto, pretende-se montar Fichas de Conteúdo, segundo
o método de “análise de conteúdo”, de psicanalista Laurence Bardin (1977), como
meio organizacional do material coletado e como enfoque teórico, os recortes das
categorias de gênero, classe, raça e sexualidade, atrelados a questão da precarização
social, que pode ser traduzida como uma condição politicamente construída; através
da qual determinadas populações são assimetricamente expostas a contextos de
violência, perigo, enfermidade, migração forçada, pobreza ou morte (BUTLER,
2009, p. 25). A escolha de trabalhar com estas fontes, parte da tentativa de analisar e
compreender como os jornais alagoanos e os boletins do GGB tem enquadrado e
reconhecido a visibilidade nos casos de assassinatos de pessoas LGBTQIA+ em
nosso estado, e como foi perpetuado a questão da violência contra estes corpos e
sujeitos historicamente marginalizados pelo Estado. O resultado que se espera
alcançar através desta pesquisa, é um mapeamento panorâmico dos assassinatos de
pessoas LGBTQIA+ no Estado de Alagoas, entre 1970-1980. Visando identificar os
grupos étnico-raciais e sociais que estes indivíduos integravam. Além de realizar
problematizações a respeito dos discursos midiáticos presente nos veículos de
comunicações analisados, e os seus impactos na esfera pública estadual. E como as
denúncias encontradas nas fontes, serviram como base para a criação do GGAL, na
década de 1990.
2. TERRORISMO DE ESTADO E
MULHERES NA DITADURA DE
BRASILEIRA (1964-1985).
Natália Silva Lima (liman9404@gmail.com)
VIOLÊNCIA SEXUAL DE
SEGURANÇA NACIONAL
Esta comunicação se propõe a apresentar uma pesquisa em andamento referente ao
projeto de Iniciação Científica que busca investigar e compreender o uso ilimitado
das torturas, sobretudo a violência sexual, executadas nas mulheres pelo Estado
Terrorista durante a Ditadura de Segurança Nacional brasileira (1964-1985). Dessa
forma, utilizo depoimentos de mulheres que sofreram, em alguma medida, tal
violência, produzidos pela Comissão Nacional da Verdade (CNV). A metodologia
aplicada ampara-se no conceito de gênero, tendo como referência Joan Scott (1995),
usado para analisar a penetração e naturalização da violência sexual contra os corpos
femininos, transformando-os em “butins de guerra”, e como esses atos operam por
meio da repressão, impondo a submissão ao outro.
75
3. IVAN ZANONI HAUSEN: os critérios de indianidade do “Golbery da
Funai”. Paulo Rafael Torres (prtorres1984@gmail.com)
Em 1981, o jornal Movimento se referiu ao coronel Ivan Zanoni Hausen como “O
Golbery da Funai”. Ivan foi o responsável pela institucionalização d’Os Critérios de
Indianidade/Integração dentro da Funai. Baseado em preceitos racistas (incluindo a
caracterização de indígenas por fator sanguíneo, desajustamento psicossocial,
formato de nariz, etc.), os Critérios de Indianidade foram, inicialmente, aplicados aos
povos indígenas Avá-Guarani (PR) e os Tingui-Botó (AL). Mas existiria, de fato,
como defendia o Movimento, uma relação entre os Critérios e a obra Brasil: Por que
os militares? (1975), escrita por Zanoni?
4. CONTRIBUIÇÕES DO MOVIMENTO INDÍGENA BRASILEIRO AOS
ESTUDOS DE HISTÓRIA INDÍGENA.
Verônica Araújo Mendes (historia.veronica96@gmail.com)
Desde os primórdios da história do Brasil os povos originários apresentaram
respostas diversas às iniciativas de matriz colonialista. Mas é apenas na década de
1970 que o Movimento Indígena Brasileiro se constitui enquanto organização
coletiva, caracterizada, sobretudo, pelo sentimento de pertencimento a uma
consciência étnica comum. Em oposição ao contexto político autoritário instaurado
com a ditadura civil-militar, os povos indígenas gestaram um movimento notável que
culminou com importantes conquistas, como o direito à diferença e a
autodeterminação. Os frutos de suas mobilizações atingiram a sociedade como um
todo, conforme Daniel Munduruku (2012), a ela foi oferecida a oportunidade de
olhar para os povos indígenas com novos olhos. Tal mudança de olhar também pode
ser percebida na historiografia. À vista disso, este trabalho objetiva apresentar
algumas contribuições do Movimento Indígena Brasileiro aos estudos de História
Indígena.
5.
AS
ASSEMBLEIAS
INDÍGENAS
COMO
ESPAÇO
DE
REIVINDICAÇÕES: o parecer dos povos originários às políticas
indigenistas da Ditadura Civil-Militar (1964-1985).
Matheus Henrique Pereira Ayres Câncio (tipymo@gmail.com)
Ao longo dos séculos, a imagem que os não indígenas tinham dos povos originários,
muitas vezes influenciadas por pensamentos positivistas, carregavam noções
estigmatizadas quanto a eles. Revisitando o começo do século XX, o historiador
Oliveira Filho, mencionado por Cintia Rodrigues, afirma que “os positivistas
76
reelaboraram a polaridade entre “índio amigo” e “índio inimigo” (que, no fundo, é a
dicotomia entre o índio “bom” e o “mau”, com o primeiro podendo-se concluir
alianças, com o segundo justificando-se a guerra), situando todos os índios em uma
só seqüência evolutiva, sua adesão ou resistência sendo resultado da forma de
intervenção do homem branco.” (Oliveira Filho, 1999, p.144, apud. RODRIGUES,
R. Cintia, 2011, p. 219). A ideia de tutela para eles, então considerados incapazes de
tomar decisões próprias, seguiu do século XVI ao século XIX e foi responsável por
trazer uma versão infantilizada dos povos indígenas no século XX -- que se alinhava
aos interesses do Estado. O interesse em “civilizar” e paternalizar os indígenas seguia
uma lógica de interesse: se eles “deixam de ser” indígenas, o Estado não necessita
demarcar seus territórios e nem atender às suas necessidades; se eles não são
consultados sobre as ações que lhes atingem direta e indiretamente, ficam à mercê
das decisões sociais, políticas e econômicas que os não indígenas desenvolveram.
Considerado um dos pilares do Movimento Indígena brasileiro (Bicalho, 2010, p.
160), as Assembleias Indígenas surgem em 1974 como forma de reunir os interesses
e reivindicações dos povos originários, “evidenciando o protagonismo na luta por
reconhecimento” (Ib.). Diante disso, as diferenças entre os povos e suas
especificidades foi capaz de uni-los por questões maiores: as políticas indigenistas da
década de 1970, como o Estatuto do Índio (Lei nº 6.001, de 1973) e o Decreto de
Emancipação (de 1978), e a atuação da Funai, ambos criticamente discutidos nas
Assembleias Indígenas.
6. NOVO SINDICALISMO RURAL NO SERTÃO DE ALAGOAS:
experiência do Sindicato Rural de Inhapi no contexto de redemocratização,
1984-1989.
Aline Oliveira da Silva (allinneholiveira@gmail.com)
José Vieira da Cruz (jose.vieira@academico.ufs.br)
A pesquisa investiga a experiência do Sindicato Rural de Inhapi, localizado no Sertão
de Alagoas, por meio das fontes orais, impressa popular e dossiês do Serviço
Nacional de Informações (SNI), entre 1984 a 1989. A referida entidade articulou
diferentes agendas, dentre elas a reforma agrária e cidadania. Marco temporal
estabelecido a partir de 1984, quando uma chapa organizada por trabalhadores(as)
advindos das pastorais populares assumiu a diretoria. Recorte temporal estendido até
1989 quando após processo de formação parte das reivindicações sociais do referido
Sindicato foram atendidas.
77
Sessão III (06/09/23)
1. AS DIRETAS JÁ ATRAVÉS DA REVISTA PLACAR: uma análise a partir
do futebol masculino brasileiro.
Hanna Caroline Oliveira Santos (hannacaroline05@hotmail.com)
O presente trabalho busca explicar como a revista Placar noticiou as manifestações
das Diretas Já dentro do futebol brasileiro, analisando entrevistas, fotografias, capas,
matérias e comentários de leitores que foram publicados no semanário entre os anos
de 1983 e 1984. Para isso, é necessário compreender o processo de abertura política
e a relação entre o futebol e a sociedade brasileira. Foi possível perceber por meio da
revista Placar que os jogadores e as torcidas estavam engajados na campanha para a
aprovação da Emenda Constitucional nº5.
2. DE GOVERNADOR A PRESIDENTE: A ascensão de Fernando Collor de
Mello e a criação do Partido da Reconstrução Nacional (PRN) através do
Jornal de Alagoas e da Gazeta de Alagoas (1989).
José Cláudio Lopes dos Santos Júnior (claudioal11@gmail.com)
Ao analisarmos as eleições de 1989, especificamente a figura de Fernando Affonso
Collor de Mello, é importante destacarmos uma simbólica efeméride daquele ano. O
contexto do Centenário da “Proclamação” da República foi emblemático para a
mídia brasileira, pois ganhou adereços para a divulgação dos candidatos daquela
eleição. Fernando Collor entrou na disputa depois de um breve governo estadual
onde sua imagem foi construída de maneira contínua. A construção de um partido
fazia parte do projeto de poder e depois de alguns debates foi decidido o nome:
Partido da Reconstrução Nacional – PRN. A proposta da comunicação é fazer uma
análise de como a Gazeta de Alagoas, e o Jornal de Alagoas noticiaram a formação
do PRN, e sua projeção nacional.
3. “EU SOU AMBUNDO”: A Trajetória Intelectual de Zezito Araújo (19802007).
Pedro Vinícius dos Santos Lima (pedro.vinicius@ichca.ufal.br)
A conjuntura como se dá a movimentação de luta por direitos da população negra
atualmente em Alagoas, remonta do período de redemocratização do Brasil, após
uma longa e intensa ditadura civil-militar que ocorreu durante os anos de 1964 a
1985. Período esse, que irá servir – o processo de reabertura política, principalmente,
a partir de 1979, com a aprovação da Lei da Anistia – de cenário para os diversos
grupos e movimentos sociais na atuação social e reinvindicação de direitos. Como é
o caso do movimento negro, o qual vai se utilizar de militantes que começavam sua
78
vida política durante esse período, ao mesmo tempo que outros que já estavam
atuantes desde a década 1930 – militantes como Abdias do Nascimento. Nesse
momento, que ocorre a formação do movimento negro alagoano e a luta pela cultura
e afirmação de identidade da população negra. Zezito de Araújo advém, portanto,
desse processo de efervescência política dos movimentos sociais na década de 1980.
Formado em história pela Universidade Federal de Alagoas, tem sua entrada como
docente da instituição no início dos anos 1980, quando passa no concurso pela vaga
de professor no departamento de História. Entretanto, sua formação intelectual
militante não se dá dentro dos muros da universidade, e sim na interação com os
movimentos negros em Alagoas no período. Seu início de organização começa com
a Associação Cultural Zumbi – organização que se forma pelo caso de racismo
ocorrido com o estudante de medicina da UFAL Marcelino Dantas, amigo dos
militantes da ACZ, em 1979 – que vai pressionar a iniciativa do projeto de
tombamento da Serra da Barriga, em 1980, para que tenha protagonismo negro. É a
através desse projeto que ocorrerá, durante toda a década de 1980 e meados de 1990,
turbilhão de encontros dentro do território alagoano, visando o estudo e formação
de um sítio arqueológico na Serra da barriga, bem como a formação e instituição do
Memorial Zumbi. O professor Zezito de Araújo, vai ser de tamanha importância,
pois ficou à frente do CEAB (Centro de Estudos Afro-Brasileiros), atual NEABI
(Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas), órgão que ficou responsável pela
organização dos projetos do Memorial, bem como outros projetos ligados a educação
e valorização da identidade negra em Alagoas. Projetos esses que irão trazer diversas
conquistas para o estado, tal qual o pioneirismo da adesão às cotas na UFAL em
2003.
4. DO BAOBÁ QUE PLANTAMOS SURGEM NOVAS RAÍZES: Análise da
produção intelectual na revista Kulé Kulé (2000-2010).
Nicolas Kervin Menezes de Almeida (nicolas.almeida@ichca.ufal.br )
O NEABI, em constantes diálogos com lideranças do Movimento Social Negro em
Alagoas e no Brasil, pautou a implementação das ações afirmativas na universidade
a partir dos anos 1990 (SILVA, 2006, p. 96-105). Em 2003, graças a essa
movimentação, a UFAL foi uma das três instituições pioneiras no desenvolvimento
das ações afirmativas universitárias, liderando a implantação do sistema de cotas
raciais no vestibular. Visando “desencadear um processo produtivo de identidades
que superem os problemas advindos do racismo presente na sociedade brasileira” e
possibilitando a “construção de uma universidade plural, pública e efetivamente
democrática” (UFAL, 2003), o Programa de Políticas de Ações Afirmativas (PAAF)
da UFAL foi constituído por um conjunto de ações que tinham como objetivo
eliminar desigualdades sociais históricas. O Programa de Políticas de Ações
Afirmativas (PAAF) da UFAL, idealizado pelo professor Moises Santana, foi
aprovado pelo Conselho Universitário (CONSUNI), em 2003, com a participação da
sociedade civil e organizações não governamentais, além da sociedade acadêmica
79
(docentes, discentes e técnicos). O Núcleo de Estudos Afro-brasileiros desenvolveu,
através do PAAF/UFAL, para a formação de profissionais, especialmente
professores, um ‘Projeto Editorial’ sobre diversidade étnico-racial e é nesse momento
que surge a revista Kulé Kulé. Com a participação de nomes importantes do
Movimento Negro nos textos publicados e a gradual inserção de artigos dos alunos
de graduação, alunos esses que passam a ocupar a universidade ao longo da
implementação das cotas na UFAL, o periódico toma, assim, forma. Discorrendo
sobre temas de relevância para os estudos étnico-raciais e renovando os debates
acerca do tema, e inclusive sobre as ações afirmativas, agora também com a
participação ativa de uma intelectualidade negra que vai reivindicar seu acesso nos
espaços de produção acadêmica na universidade e da escrita de aliados que foram
movidos, seja pela força avassaladora desse processo de luta racial, deflagrado pela
presença deste corpo negro agora na universidade, ou até pela incapacidade de negála.
5. CULTURA POLÍTICA: o caminho ao conservadorismo e a influência de
alagoas na eleição presidencial de 2018.
Erik Raniere Ferreira Da Silva (ranieree6@gmail.com)
O Brasil está marcado em sua historiografia por uma rede complexa e múltipla de
culturas políticas em seu território. Em cada região, existem fatores internos que
ajudam a compreender a formação política nacional. Contudo, notamos mudanças
após o período conturbado da ditadura civil-militar, que mudou parte desse processo.
Com o advento da redemocratização, essa cultura política foi modificada e
conquistou seu momento de apogeu. No entanto, durante as grandes manifestações
de 2013 e 2016, notou-se uma virada desse pensamento e discursos de caráter
antidemocrático emergiram da marginalidade e faz-se persevera até a
contemporaneidade. Além disso, o estado de Alagoas é marcado por períodos de
perturbações políticas e processos de dominação da elite açucareira no território. Sua
base conservadora é muito presente nas corridas eleitorais e, após períodos de
dominação do Partido dos Trabalhadores, ocorrem algumas mudanças nesse
processo que levaram a ajudar o candidato do Partido Social Liberal a alcançar a
cadeira do poder executivo nacional. Este trabalho tem o intuito de apresentar esse
período marcado na historiografia eleitoral brasileira. Visa desvendar a eleição
presidencial de 2018 e a ascensão do conservadorismo ao poder executivo, logo após
o período em que o país foi abalado por escândalos de corrupção, impedimento da
Presidente Dilma e crise econômica e moral que assolou toda a nação. Analisar esse
processo mostra, como um candidato com características impossíveis ganhou uma
eleição e a participação do eleitor alagoano nesse processo. Quais as nuances que
levam o estado de Alagoas a participar desse processo e, em sua base historiográfica,
apresentar como é visível o pensamento conservador em sua cultura política estadual.
Utilizando uma metodologia bibliográfica e documental, explorando textos que
auxiliem a explorar nas vias historiográficas e políticas as justificativas os caminhos e
80
as consequências que conduz essa eleição, marcada por reviravoltas nas urnas e a
chegada de um candidato novo à corrida eleitoral presidencial.
81
ST 12 - PODER E CONHECIMENTO EM ALAGOAS/ ST 17 - PENSAR A
PROVÍNCIA DAS ALAGOAS NO IMPÉRIO DO BRASIL: política, economia
e sociedade no Brasil oitocentista
Coord.: Alex Rolim Machado; Amaro Hélio Leite da Silva; Claudemir
Martins Cosme; Felipe da Silva Barbosa
ST 12: Por séculos, houve um grupo que operacionalizou o Conhecimento para
exercício de um determinado poder sobre Alagoas. Era a criação e a manutenção do
Pacto do Açúcar enquanto base material de pesquisa teórico-metodológica e política
de perpetuação de uma escrita. Por ser um Simpósio que discute criticamente o
Poder, por consequência estamos interessados na leitura crítica do Conhecimento
até hoje perpetuado em Alagoas. Estamos falando de uma história a contrapelo,
como foi bem metaforizada por Walter Benjamin. E, dessa história pesquisada,
narrada e contada contra a narrativa oficial dos donos do poder, pretendemos
encorpar a concepção do contrapelo a característica de uma história ao rés-do-chão,
vista de baixo, subversiva, combativa e até mesmo revolucionária. Em outras
palavras, espera-se trabalhos de uma posição historiográfica que combata o viés prósenhorial da escrita da história de Alagoas. Pretende o Simpósio aceitar trabalhos de
temas e temporalidades diversas da história de Alagoas, sem perder de vista o
comprometimento com a crítica e produção de Conhecimento, em tempo de,
igualmente, avaliar e disputar as operacionalidades do poder no âmbito acadêmico e
político.
ST 17: Este simpósio temático propõe-se a acolher trabalhos e reflexões relacionadas
às interfaces entre poder, sociedade e economia no Brasil oitocentista. Interessa-nos
discutir, a partir da Província das Alagoas, múltiplas experiências coletivas e
individuais que, por meio de diversas problemáticas, objetos e abordagens, possam
apontar para diferentes temporalidades, permanências e rupturas. Buscam-se análises
que em seus jogos de escalas consigam ampliar o lugar da história local ou regional
no debate historiográfico contemporâneo, ao articular a esfera micro à dimensão
macro da história nacional durante o século XIX. Desse modo, procura-se elaborar
um debate que evidencie as diversas formas de expressão dos conflitos sociais, das
negociações e/ou relações de poder entre diferentes sujeitos histórico em diferentes
espaços e instituições da Província das Alagoas.
Sessão I (04/09/23)
1. A ESCRITA DA HISTÓRIA DO SÉCULO XVIII DE ALAGOAS: o
período aristocrático-liberal, 1860-1930.
Alex Rolim Machado (arolimm@hotmail.com)
82
A proposta dessa comunicação é contribuir na leitura e debate crítico acerca da
historiografia alagoana em suas origens. Espera-se que tal texto ajude nas
formulações de hipóteses para desenvolver as seguintes perguntas: como se deu a
escrita da história sobre o século XVIII e da Comarca das Alagoas? Quais os
possíveis porquês que explicariam os rumos que essa historiografia tomou?
2. ORDEM E SEGURANÇA NA PROVÍNCIA DE ALAGOAS: a construção
do Estado Nacional sob a ótica do executivo provincial de Alagoas (18401850).
Maria Eliziane Barboza (barbozaeliziane@gmail.com)
Nesta pesquisa pretende-se examinar como se deu o enfretamento dos problemas
relacionados a manutenção da ordem, tranquilidade e segurança individual na
Província de Alagoas entre 1840 e 1850. Uma vez que tais aspectos foram
considerados importantes para a consolidação do Estado Nacional desejado. Para a
compreensão deste processo utilizou-se da historiografia já produzida e analisamos
de forma qualitativa os relatórios e falas produzidos pelo executivo provincial ao
longo dos primeiros dez anos do Segundo Reinado.
3. O COMBATE À VADIAGEM NOS PERIÓDICOS GUTENBERG E
ORBE A PARTIR DO PRINCÍPIO UTILITARISTA.
Ingrid Stefanny Santos da Conceição (ingriddstefanny@gmail.com)
O presente trabalho foca na análise do combate à vadiagem presente nos periódicos
alagoanos Gutenberg e Orbe, entre os anos de 1879 e 1889. Buscamos articular a
dimensão micro ao apontar quem são os sujeitos históricos considerados vadios nos
jornais alagoanos, relacionando com a dimensão macro da história nacional, a partir
da emergência do Projeto n°33/1888 de combate à ociosidade. Observou-se um
princípio utilitarista presente no combate à vadiagem em ambos os periódicos
supracitados, porém cada um deles defendia formas distintas de inserção desses
sujeitos históricos no mundo do trabalho.
4. CRIMES VIOLENTOS NA VILA DE ÁGUA BRANCA, PROVÍNCIA DE
ALAGOAS, 1871-1890.
Marília Lima de Araújo (marilia.limaaraujo@ufrpe.br)
Esta pesquisa apresenta uma investigação dos crimes violentos na vila de Água
Branca, localizada na província de Alagoas, na região do Sertão do São Francisco.
Por meio da utilização de sumários crimes, guardados no acervo do Fórum Miguel
Archanjo de Siqueira Torres, analisa-se os crimes na perspectiva da micro-história,
83
privilegiando uma visão micro das fontes. Nesse sentido, o estudo traz algumas
considerações sobre a atuação do poder judiciário e as motivações dos conflitos que
resultaram na abertura de processos criminais na vila sertaneja de Água Branca.
5. CONTRIBUIÇÕES NA LUTA POR TERRITÓRIOS.
Sthefany Vitoria de Carvalho Venâncio (sthefany.venancio@igdema.ufal.br)
Tainá Angelo (angelotaina23@gmail.com)
Rute Ferreira Barbosa (rute.barbosa@iphan.gov.br)
A abordagem interdisciplinar histórico-arqueológica-geográfica como proposta tem
o objetivo de apresentar contribuições em torno dos territórios tradicionais e
questionar as narrativas oficiais no Estado de Alagoas. Essa perspectiva pode
contribuir significativamente para uma reflexão sobre esses territórios, ao investigar
vestígios materiais que asseguram a presença de povos tradicionais desde a época
pré-colonial. Em um contexto político burocrático, a socialização dessa abordagem
pode tornar-se um aliado crucial na garantia dos direitos dos povos originários.
6. TEATRO NEGRO EM MACEIÓ - HISTÓRIA E CRÍTICA.
Abides de Oliveira Junior (abidesoliveira@gmail.com)
O projeto Teatro Negro em Maceió – História e Crítica visa pesquisar o teatro negro
na capital alagoana e descobrir como ele foi desenvolvido através de uma discussão
dentro duma linha de percepção, olhar histórico e crítico, que corroborem com os
seguintes questionamentos: por que nunca se pesquisou o teatro negro em Maceió?
Que teatro é esse? Por que nunca fizeram ou deram ênfase ao teatro negro em
Maceió? Nunca fizeram teatro negro antes ou estamos diante de algo inédito? Como
essas memórias são registradas e repassadas através dos tempos? O estudo pretende
registrar a história e descobrir os precursores do teatro negro na cidade de Maceió.
Entre os atuais grupos e artistas que montam espetáculo em Maceió e que trazem a
vertente do teatro negro, na atualidade, estão: Grupo Hetêaçã, Cia LaCasa, Coletivo
Volante, Rilton Costa, Daniela Beny. Este trabalho, inédito para o teatro alagoano,
tentará buscar a origem do teatro negro e sua formação em Maceió, resgatar a
memória e a historicidade do negro na perspectiva do teatro local. O resgate se dará
através das memórias bibliográficas, entrevistas com artistas e grupos, para dar
visibilidade a um tema que é pouco explorado no teatro local.
84
ST 13 - SOCIEDADES ESCRAVISTAS NO MUNDO ATLÂNTICO - SÉCULOS
XVI AO XIX
Coord.: Flávia Maria de Carvalho (UFAL); Gian Carlo de Melo (UFAL)
O presente Simpósio tem como proposta analisar sociedades envolvidas no comércio
atlântico de escravizados entre os séculos XVI e XIX. O objetivo é de que possamos
dialogar sobre como o cotidiano foi moldado ou teve de ser adaptado para garantir
a sobrevivência das diversas sociedades que se formaram no litoral ou em locais mais
afastados dos centros de poder. Dentro dessa proposta debateremos questões sobre
economia, relações de poder, administração e das produções culturais nas diversas
sociedades que formavam o complexo atlântico para entender as implicações de
temas ligados à família, escravidão, Igreja, etc. Serão acolhidos resumos para
contribuir no debate geral sobre o Atlântico para além de um oceano, sobre
sociedades escravistas no continente africano e no Brasil. De acordo com essa
perspectiva o Atlântico é entendido como um canal que possibilitou conexões e
transmissão de saberes ao longo dos séculos, extrapolando suas limitações
geográficas, formando sociedades e colocando pessoas até então desconhecidas em
contato, gerando um mundo novo, um mundo conectado.
Sessão I (04/09/23)
1. O "CONDE" DO SONYO DO "REINO" DO CONGO E
MARCADORES HOLANDESES EM MEADOS DO SÉCULO XVII.
Flávia Maria de Carvalho (flavia.carvalho@ichca.ufal.br)
O presente trabalho é o resultado preliminar de uma pesquisa que venho realizando
sobre as relações comerciais e diplomáticas estabelecidas entre holandeses e o líder
bakongo intitulado Muene Sonyo (Muene Sonho, Muene Soyo) em meados do século
XVII nos territórios do antigo "reino" do Congo. Após a expulsão dos holandeses
dos territórios que atualmente chamamos de Angola, parte desses estrangeiros se
deslocou em direção ao norte com o interesse de estabelecer atividades comerciais.
Na sequência de pesquisas dedicadas aos poderes locais centro-africanos identifiquei
um personagem ainda pouco estudado que governava os territórios da "província"
do Sonyo, que de acordo com a historiografia dedicada ao tema, era subordinada
politicamente ao Mani Congo (principal liderança do reino). As pesquisas mostram
intensas disputas entre portugueses, luso-angolanos e luso-brasileiros em relação as
alianças firmadas com o chefe do Sonyo, e a relação direta entre essa dinâmica
mercantil e a busca crescente pela autonomia da região. O trabalho tem como
objetivo principal debater o protagonismo desse personagem e sua articulação com
85
agentes mercantis da Coroa holandesa e da Coroa portuguesa, além de seu
envolvimento com comerciantes envolvidos no comércio bilateral do Atlântico.
2. TRÁFICO E ESCRAVIDÃO NA COMUNICAÇÃO POLÍTICA DE
CABO VERDE (1706-1717).
Marlos Santos da Cunha (marlossantoscunha@gmail.com)
O arquipélago de Cabo Verde desempenhou um papel de suma importância nas
viagens ultramarinas ao longo dos séculos. Assim sendo, diante da importância deste
local para a navegação e comércio ultramarino, este trabalho é desenvolvido com o
objetivo de compreender melhor as relações de tráfico e escravidão de africanos a
partir da comunicação política. Este conceito é válido para esta pesquisa pois, a partir
dele, é possível identificar os padrões presentes na documentação referente às esferas
governamentais da sociedade, permitindo-nos compreendê-las melhor e analisar a
relevância dos temas tratados na comunicação.
3. PÃO, DISCIPLINA E TRABALHO: discursos do jesuíta Jorge Benci e as
justificativas para o cativeiro africano (segunda metade do século XVII).
Manuela da Silva Batista (manuth.mb@gmail.com)
O presente trabalho foi um dos frutos do Programa Institucional de Bolsas De
Iniciação Científica (PIBIC), intitulado: Almas livres e corpos escravos: a ação dos
padres jesuítas em Angola nos séculos XVII e XVIII. Assim, nasceu esse artigo
intitulado: Pão, Disciplina e Trabalho: Discursos do Jesuíta Jorge Benci e as
Justificativas Para o Cativeiro Africano (Segunda Metade Do Século XVII), que tem
como objetivo analisar os discursos dos jesuítas sobre a legitimidade do cativeiro
africano e como estes argumentos foram usados para manter e justificar as práticas
escravistas no Império Português, tendo como foco específico o pensamento do
padre Jorge Benci, um missionário inaciano que escreveu uma importante fonte
dedicada a orientar os proprietários de escravos sobre as formas corretas de tratar
seus cativos de acordo com os princípios cristãos. E as possibilidades de investigar a
lógica do cativeiro e indícios das hierarquias sociais que organizavam a sociedade
colonial escravista na segunda metade do século XVII e no início do XVIII, através
das relações de poder entre Igreja, senhores e cativos. Apontando como as pregações
e os sermões serviram como referência e orientação para a condução do cotidiano e
das noções de resgate das almas de africanos e seus descendentes que deveriam pagar
seus pecados em vida para receber as virtudes pós morte. O padre Jorge Benci fazia
parte da Ordem Religiosa Companhia de Jesus. Os padres dessa ordem conhecidos
como jesuítas e inacianos estiveram envolvidos em diferentes etapas do sistema
atlântico escravista, desde seus envolvimentos com grupos responsáveis pela
negociação dos escravizados, quanto nas etapas que envolviam os sacramentos,
quanto na “orientação espiritual” que deveriam conferir tanto aos senhores quanto
86
aos cativos para que tal prática fosse compatível com doutrina pregada pela Igreja
Católica no período Colonial o papel dos jesuítas no comércio atlântico de escravos
durante o período colonial. Os jesuítas eram uma ordem religiosa que desempenhou
um papel significativo na colonização das Américas e na expansão do império
português. Apesar de sua reputação como defensores dos direitos humanos, os
jesuítas também estavam envolvidos no comércio de escravos, tanto como
proprietários de escravos quanto como provedores de orientação espiritual para
proprietários de escravos e escravos. O artigo enfoca os discursos dos jesuítas sobre
a legitimidade da escravidão e como esses discursos foram usados para justificar a
prática. O envolvimento dos jesuítas no comércio de escravos era complexo e muitas
vezes contraditório, pois eles simultaneamente pregavam contra a prática da
escravidão e, ao mesmo tempo, participavam dela. Dessa forma esse trabalho tenta
esclarecer algumas das maneiras pelas quais os discursos dos jesuítas sobre a
legitimidade da escravidão foram usados para manter o poder do império português
e perpetuar a prática da escravidão. O artigo também examina o papel dos jesuítas
na administração dos sacramentos e na provisão de orientação espiritual tanto para
proprietários de escravos quanto para escravos. Os jesuítas acreditavam que era seu
dever converter o maior número possível de pessoas ao cristianismo e viam os
escravos como potenciais convertidos. No entanto, seus esforços para converter os
escravos muitas vezes enfrentaram resistência, pois os escravos viam o cristianismo
como uma ferramenta de seus opressores. O artigo destaca a relação complexa e
muitas vezes desconfortável entre religião, poder e escravidão no período colonial.
O trabalho explora a relação entre proprietários de escravos e escravos no Brasil
colonial e como a Igreja Católica justificou a prática da escravidão. E se concentra
nos escritos de Jorge Benci, um padre jesuíta que argumentou que os proprietários
de escravos tinham a obrigação moral de suprir as necessidades básicas de seus
escravos, incluindo alimentos, roupas e cuidados de saúde.
4. PORTUGAL E O IMAGINÁRIO CRISTÃO: Relações entre Fé, Expansão
e Escravidão.
Alissany Danmarys Porfírio Araújo Severo (alissanyd@gmail.com)
O Império Ultramarino Português frequentemente buscou articular domínio
temporal e espiritualidade. A missão apostólica portuguesa estava pautada não só na
conquista de terras e povos desconhecidos dos portugueses e que não possuíam a fé
cristã, objetivando sua posterior conversão, como também no direito de reduzir tal
população à escravidão perpétua. Enquanto elemento básico do aparelho
colonizador português, a escravidão, além de seu aspecto comercial, foi moldada e
concebida como uma das formas de os povos gentios alcançarem a fé cristã e, por
conseguinte, a salvação de suas almas.
87
5. A DEUS À LIBERDADE: conflitos religiosos e escravidão no Brasil
holandês (1630-1654).
Roberval Santos da Silva (cifalpenedo@hotmail.com)
Com a dominação holandesa sobre a Capitania de Pernambuco no século XVII,
período que durou 24 anos (1630-1654), a Companhia de Comércio das Índias
Ocidentais (WIC) obteve das Sete Províncias Unidas dos Países Baixos poderes
administrativos, políticos, econômicos e jurídicos sobre todo o território ocupado no
Nordeste brasileiro. Dentre os europeus que aqui estiveram, judeus, protestantes
calvinistas e católicos conviveram e divergiram quanto ao exercício de suas doutrinas
religiosas em meio as disputas e a reafirmação de seus credos nos territórios sob
domínio batavo. Deste modo, este texto procurou entender como se deu essas
divergências e suas repercussões nas estruturas administrativas e jurídicas coloniais
neerlandesas em Pernambuco, além de procurar compreender como os três credos
lidavam com o processo de escravização indígena e africana na região ocupada. Para
isso, objetivamos investigar de que modo e até que ponto as questões e querelas
religiosas foram tratadas pelo governo colonial holandês a fim de assegurar, pela pax
nassoviana, a permanência de portugueses e brasileiros na região. Quanto a
metodologia, recorremos e sistematizamos as informações esparsas relacionadas a
temática religiosa e escravista disponíveis na bibliografia sobre a presença holandesa
no Brasil. Consultamos as fontes primárias da época, a exemplo das instruções,
missivas, regimento de 1629, acordo da Paraíba e as atas classicais (protestantes)
disponibilizadas por Pedro Souto Maior para confirmar a hipótese de que as querelas
religiosas e as ações administrativas dos batavos desconstroem a ideia da existência
de plena liberdade de religião entre os moradores da parte holandesa ocupada do
Nordeste brasileiro e a prática escravagista durante o período neerlandês. “Liberdade
religiosa” oferecida pelo governo nassoviano na tentativa de regular a sociedade e a
administração colonial associada as garantias jurídicas e vantagens econômicas para
que parte da população portuguesa e brasileira, detentora das técnicas da produção
do açúcar, permanecesse na Capitania de Pernambuco viabilizando por determinado
período o projeto holandês de dominação e a exploração econômica do principal
território pertencente as coroas ibéricas no Brasil sem abrir mão do controle do
comércio de escravos a partir da capitania de Pernambuco.
6. O BAIRRO DO RECIFE E SEU PASSADO ESCRAVISTA: A Alfândega
dos escravos (XVIII).
Luanna Maria Ventura dos Santos Oliveira (luannaventura@gmail.com)
A presente comunicação visa promover um debate sobre a temática da escravização
de africanos no entorno do bairro e Porto do Recife na primeira metade do século
XVIII. Nossa intenção é difundir a memória social sobre a escravidão no Recife
colonial e problematizar - através desse passado - as transformações que foram
promovidas no bairro por indivíduos e instituições de uma elite dominante que
88
buscaram apagar os elementos referentes ao passado escravista da região e criar uma
imagem de modernização por meio das transformações urbanística do início do
século XX. Utilizaremos a instituição da Alfândega como fio condutor para as
práticas de fiscalização sobre o comércio escravista.
7. “POR SER PESSOA NOBRE, ABASTADA DE BENS E BEM QUISTA”:
os critérios de seleção dos mestres de campo e a ascensão de um efetivo
militar nos quadros do império português, c. 1739-1806.
Everton Rosendo dos Santos (everton-rosendo@hotmail.com)
A partir de 1739, a Coroa portuguesa colocou em prática em sua possessão americana
uma medida que reordenou a estrutura beligerante. Ela ampliou os efetivos auxiliares
nas regiões litorâneas do continente, e suprimiu uma variedade de postos que julgou
irregulares, visando acabar com a multiplicidade de incoerências do modelo vigente,
identificadas especialmente nas ordenanças. Para os colonos, conduzidos à uma nova
modalidade de tropa – a auxiliar, em teoria, mais atuante –, essa medida trazia consigo
implicações diretas para a manutenção das suas atividades de subsistência. Contudo,
para um grupo da elite colonial, que pôde se apropriar estrategicamente da mudança,
a medida serviu para incrementar mecanismos e ações que visavam o
acrescentamento social e o enriquecimento. Portanto, este trabalho busca investigar
o perfil social dos homens que passaram a compor os postos de mestres de campo,
entre 1739 e 1806, nas chamadas capitanias do Norte (Pernambuco, Paraíba, Rio
Grande do Norte e o Ceará), e apresenta dados sobre a centralidade que os terços
auxiliares assumem no Império português a partir da segunda metade do século
XVIII.
Sessão II (05/09/23)
1. AFRICANOS ESCRAVIZADOS EM ALAGOAS E PERNAMBUCO SÉCULOS XVI-XVIII.
Gian Carlo de Melo Silva (profgianufal@gmail.com)
A presente comunicação tem o ensejo de abordar como os africanos estavam
presentes na dinâmica social da capitania de Pernambuco e na comarca de Alagoas
ao longo dos séculos XVI, XVII e XVIII. Buscamos entender as rotas de comércio,
os agentes envolvidos e as funções exercidas por esses indivíduos sequestrados e
forçados ao trabalho escravo no Brasil de outrora. Nossas fontes são de origens
variadas e estão dispersas em vários acervos, desde o AHU, o Arquivo Público e
fontes oriundas da coleção Bonifácio da Silveira, que foi publicada no início do
século XX no jornal Diário de Alagoas. Esta pesquisa faz parte de um projeto que
tem financiamento da Fapeal e intitula-se "História da Escravidão e da Sociedade em
Alagoas - Séculos XVI ao XIX - Documentos Históricos".
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2. A PRESENÇA AFRICANA NA PROVÍNCIA DE ALAGOAS:
legitimações e o trânsito de africanos escravizados, livres e libertos (18401880).
Fabianne Nayra Santos Alves (fabiannenayra88@gmail.com)
Para além das cenas do universo do trabalho, do mundo da escravidão, dos conflitos
e violências, das lutas e conquista das alforrias, uma janela que nos possibilita
conhecer mais um pouco da presença africana em Alagoas são as legitimações
emitidas pela Secretaria de Polícia da província. Este documento, de registro e
emissão obrigatórios para os que ensejavam sair do Império, revelou alguns rastros
de mulheres e homens africanos em suas vidas cotidianas na busca da realização de
objetivos os mais diversos.
3. VESTÍGIOS DO PROCESSO DE DIÁSPORA AFRICANA EM
ALAGOAS: indivíduos exumados no interior da Igreja Matriz de Marechal
Deodoro.
Karina Lima de Miranda Pinto (kaririarqueologia@gmail.com)
Danúbia Valéria Rodrigues de Lima (danubia.rodrigues2@gmail.com)
Flávio Augusto de Aguiar Moraes (flavioaguiarac@gmail.com)
A Igreja Matriz de Marechal Deodoro (AL) passou por obras de restauro nos anos
de 2021 e 2022 (Pinto, 2022). O trabalho arqueológico identificou entre os indivíduos
exumados 8 dentes intencionalmente modificados (Nesi,1969). Tais modificações
são bastante documentadas em povos de origem africana, estão associadas a rituais
de iniciação e podem ser praticados desde a puberdade. Este estudo teve como
objetivo caracterizar as modificações dentárias identificadas em indivíduos de origem
africana sepultados no interior da Igreja Matriz, prática incomum no período colonial
(Magalhães, 2014).
4. POLÍTICA, FAMÍLIA E ESCRAVIDÃO EM ALAGOAS, ENTRE 18351839.
Isabelle Isis Vasconcelos Santos de Lima (isabelleisisv.s.lima@gmail.com)
Gian Carlo de Melo Silva (profgianufal@gmail.com)
A pesquisa “Famílias, políticos, elite econômica e escravizados em Alagoas”, o qual
faz parte do projeto PIBIC UFAL 2022/2023, tem como objetivo a listagem e análise
de perfis dos membros da política alagoana imperial, buscando identificar quais
estiveram ligados ao tráfico negro. Até o momento conseguimos traçar alguns dos
perfis, sendo englobadas de nossa ampla catalogação duas legislaturas provinciais,
temos em destaque: 1 deputado provincial, oito deputados gerais e quatro
presidentes. Os deputados que identificamos são em sua maioria: religiosos ou
advogados tendo em mente que famílias com dinheiro tinham filhos formados nas
90
faculdades de direito brasileiras, sendo possível este ser, também, proprietário de
engenho ou vinculado a este sendo as famílias reconhecidas neste recorte; Mello e
Melo, Souza, Mendonça, Uchôa, Vasconcelos, Albuquerque, Ribeiro, Leite.
Analisamos, também, os debates e os discursos em periódicos, buscando entender a
posição os quais se encontram frente ao tráfico de escravos. O recorte temporal para
atualmente abarca os anos de 1835-1839.
5. FAMÍLIAS ESCRAVAS DO BARÃO DO VALE DO CEARÁ-MIRIM,
SÉC. XIX.
Aristildes Morais da Silva Neto (aristildes73@gmail.com)
A historiografia brasileira, no decênio de 1980 passou por importantes alterações em
relação as interpretações acerca das famílias escravas. Ela se contrapôs as concepções
que subestimavam a construção de laços entre os cativos. Neste sentido, a abordagem
da história social buscou observar os escravizados enquanto sujeitos da história,
levando-se em conta as suas agências e experiências. Desse modo, lançou mão de
variadas fontes, entre elas os documentos paroquiais. Destarte, o objetivo desta
comunicação é analisar a formação dos arranjos familiares da comunidade de
escravizados do Engenho São Francisco, pertencente ao senhor Manoel Varella do
Nascimento, o Barão do Ceará-Mirim, durante o século XIX. Para isso tomaremos
como fontes os arquivos da freguesia de Extremoz e Ceará-Mirim, de que o engenho
fazia parte. Destacamos que o recorte circunscrito favorece a análise das experiências
e a dinâmica própria de um determinado grupo. Sendo este grupo selecionado o
daqueles cativos pertencentes a um dos mais importantes senhores de engenho da
Província do Rio Grande do Norte, o Barão do Vale do Ceará-Mirim.
6. MAJOR BONIFÁCIO MAGALHÃES DA SILVEIRA: um homem em
meio aos documentos históricos e a cultural de Maceió no limiar dos
Oitocentos.
Sofia Holanda (sofia.silva@ichca.ufal.br)
Gian Carlo de Melo Silva (profgianufal@gmail.com)
Este trabalho faz parte do projeto Pibic 2023/2023 e do Projeto Humanidades com
apoio da FAPEAL, e tem como objetivo apresentar a vida de Bonifácio Magalhães
da Silveira e a sua participação na vida cultural dos bairros de Maceió de outrora. O
Major ao longo da vida foi funcionário público e tem sua atuação na preservação de
documentos históricos, transcritos nas colunas “Velharias” e “Patrimônio Histórico”
do jornal Gazeta de Alagoas, no período de 1938 a 1945. A coluna “Velharias” era
publicada aos domingos com documentos mais extensos, e a de “Patrimônio
Histórico”, ao longo da semana, de terça a sábado. Entre os documentos, os que
fazem referência a heranças e sobre a escravidão são os mais frequentes, desde cartas
de alforria a venda de escravizados. A pesquisa está em fase inicial e tem o objetivo
91
de fazer um apanhado dos mais de 2.000 documentos publicados, catalogar, analisar,
construir séries e disponibilizar para acesso ao público. Construindo assim, a história
de vida de um homem abolicionista, que acompanhou o declínio da escravidão e o
pós-abolição, e que nos legou um acervo documental pouco estudado na História de
Alagoas.
7. OS ANÚNCIOS DE FUGA: uma possibilidade para compreensão da
indumentária dos escravizados.
Dionisio Tito de Barros Neto (dionisiobarros@yahoo.com.br)
A presente apresentação busca expor como os anúncios de fuga, mais precisamente
os veiculados no jornal Diario de Pernambuco, podem ser uma documentação
possível para o estudo sobre a indumentária de pessoas submetidas a escravidão para
o contexto do Recife no século XIX. Abordamos também os desafios e as
contribuições da temática para o campo da História Social, bem como as veste
poderiam atuar no pós fuga.
8. NOVOS REGISTROS DE AFRICANOS/AS LIVRES EM ALAGOAS NO
SÉCULO XIX.
Natalia Santos Freitas (nataliafreitas@outlook.com)
A presente comunicação tem por finalidade apresentar achados documentais
recentes sobre a presença de africanos/as livres no cenário escravista alagoano do
XIX. Tem-se como foco de análise falas e relatórios provinciais; assim como
periódicos, nos quais estão contidas pistas sobre a rotina de controle legal e moral
do trabalho compulsório aplicado a essa categoria de indivíduos advindos/as da
proibição do tráfico atlântico (a partir da Lei de 07 de novembro de 1831).
Objetivamos, assim, aumentar a catalogação de dados referentes aos tipos de serviços
e as condições de vida do grupo social em questão. E, ainda, perceber como a
liberdade foi tratada pela oficialidade política da Província de Alagoas.
Sessão III (06/09/23)
1. ESCRAVIDÃO E SOCIEDADE NA JACOBINA OITOCENTISTA (18151818).
Raílson Cezar Costa De Oliveira Júnior (oliveirajunior.r1997@gmail.com)
Esta comunicação se propõe a apresentar o resultado de uma pesquisa de Iniciação
Científica (PICIN/UNEB) que está sendo desenvolvida sobre a escravidão na Vila
de Santo Antônio de Jacobina, no século XIX. Para tal, foram analisados os registros
92
de pessoas livres e escravizadas no Livro de Batismo da Igreja Matriz de Santo
Antônio de Jacobina, entre 1815-1818. A Vila de Santo Antônio de Jacobina foi
fundada no século XVIII devido a exploração do ouro, porém após o apogeu da
mineração destacou-se como espaço agropecuário de fornecimento de alimentos
para as tropas mercantis e abastecimento de gado a Salvador. Assim sendo, a análise
dos registros de batismos buscou compreender a importância da escravidão na Vila
de Jacobina no final da colônia a partir da composição demográfica dos cativos
dentro do contingente populacional jacobinense. A partir da tabulação dos dados
realizadas no Acess, foi possível identificar a distribuição espacial dos cativos, as
relações de parentesco ritual, arranjos familiares, padrão por posse de escravizados e
alforrias na pia batismal. A metodologia aplicada trata-se de abordagem quantitativa
de história serial, a partir da elaboração de um banco de dados com as informações
extraídas da fonte, além de uma abordagem qualitativa, para compreender as relações
tecidas entre livres e cativos, e pelos cativos entre si.
2. FRANKLIN TÁVORA E AS PRÁTICAS FESTIVAS: Cultura, relações de
poder e a província pernambucana no século XIX.
Joana Cristina Souza do Nascimento Rosa (joanacrissrosa@gmail.com)
A utilização do tempo livre e as práticas de divertimentos pernambucanas
oitocentistas, foi possível ser observada a partir da literatura do escritor cearense,
Franklin Távora. Considerando a fonte literária, as obras do romancista criam um
ambiente para entender aspectos das festas, da política e da organização social dos
oitocentos de Pernambuco. Além disso, a influência das escolas literárias do período,
permite uma ampla discussão para compreender traços culturais e sua relação com o
poder dentro da conjuntura social da época. A Literatura do Norte - como um
movimento político e literário, nomeado pelo Franklin Távora -, constituía um estilo
de escrita que tinha como objetivo criar suas próprias características, desvinculandose ao máximo dos traços europeus e das províncias sulistas, oficialmente, sobretudo,
afastando-se de narrativas que foram construídas para as elites provinciais A
possibilidade de analisar as conjunturas festivas a partir dos seus livros encontra-se
em inúmeras práticas – desde as flores utilizadas para decoração até os instrumentos
que os músicos escolheram para dedilhar durante um casamento. Como elemento do
coletivo, as festas são expostas pelo autor como espaço para expressar as narrativas
regionais e noções sobre o cotidiano. A obra “O Cabeleireira”, escrita pelo
naturalista, em 1876, reproduz um cenário do Brasil Colonial e a trilogia do
contratempo encontrada na esfera pernambucana do século XVIII: a seca, a
epidemia de febre amarela e o início do bandidismo social. Dentro da obra, foi
possível extrair traços dos elementos festivos que permaneciam no convívio
pernambucano durante o século XIX – entre a realização de comemorações desde o
sentimento envolvido em casos festivos. Como consequência da calamidade do
período, o autor descreve os desvios e soluções para realidade do momento: como
as práticas sociais e festejos, que caracterizam uma sociedade e toda sua singularidade.
93
Dessa forma, a utilização da literatura oitocentista será notável para a intepretação e
atuação da utilização do tempo livre na construção social de Pernambuco.
3. EXPERIÊNCIAS DA ESCRAVIDÃO NA MATA NORTE DE
PERNAMBUCO: estrutura da posse escrava, resistências, negociações e
exercício do poder senhorial num contexto de desarticulação do sistema
escravista (1850-1888).
David Borges de Fraga (davidborgesgpe@gmail.com)
Esta comunicação tem como objetivo discutir a estrutura da posse de escravos na
comarca de Goiana, Zona da Mata Norte de Pernambuco, entre 1850 e 1888. Além
de trazer à tona a pequena posse nessa zona de plantation, frequentemente atribuída
a grades posses, buscamos também problematizar questões como a experiência da
escravidão e da liberdade, noções de resistência, negociações e exercício do poder
senhorial numa região agroexportadora, conectada ao mundo atlântico e marcada
veementemente pela produção de açúcar, pelo trabalho escravizado e pelo tráfico
ilegal de africanos entre 1831 e 1850.
4. ESCRAVIDÃO E LIBERDADE NA VILA/CIDADE DE BANANEIRASPB NA SEGUNDA METADE DO SÉCULO XIX.
Daniel de Oliveira (danielprofhistoria@hotmail.com)
O presente trabalho é parte da pesquisa de doutoramento que desenvolvo junto ao
PGH-UFRPE. Nela, eu discuto a participação dos africanos e de seus descentes na
colonização do Brejo das Bananeiras não apenas como engrenagem desse processo,
mas como sujeitos históricos de suas vidas. Tanto que muitos conseguiram trilhar o
caminho até chegar à liberdade. Para isso, faço o cotejamento entre diversas fontes
como ações de liberdade, inventários post-mortem, lista de matrícula, censo de 1872,
cartas precatórias, assentos eclesiásticos dentre outros.
5. IGUALDADE, CIDADANIA E QUESTÃO RACIAL EM ALAGOAS NO
FINAL DO SÉCULO XIX.
Ricardo Alves da Silva Santos (riko.alves28@gmail.com)
Esta comunicação tem como foco a experiência da liberdade e da cidadania na
Província de Alagoas nos momentos finais da escravidão e no pós-abolição.
Buscamos aqui investigar o lugar social dos egressos do cativeiro e sua inserção na
sociedade livre, evidenciando a discriminação racial e os preconceitos de cor como
característica de uma sociedade fundada a partir da escravidão. Para isso, veremos
por meio da Revista de Ensino, dos jornais, dos relatórios policiais e da legislação,
94
como a sociedade alagoana interpretou o movimento da abolição e a assimilação dos
libertos como possíveis cidadãos. Do mesmo modo, nas cartas dos ex-senhores ao
Presidente da Província, veremos como a classe dos proprietários interpretou as
atitudes dos libertos e o discurso público dos egressos do cativeiro na afirmação da
sua liberdade, expressa no cotidiano onde buscavam “demarcar limites e expressar a
diferença entre o passado de escravidão e a liberdade” (FRAGA, 2014). Na literatura
do século XIX, faremos uma retrospectiva para debatermos a construção do ideário
da inferiorização do negro e assim compreender a perpetuação do racismo. Nessas
fontes buscaremos através do filtro dos redatores, proprietários e autoridades
policiais analisar as expectativas de cidadania e de igualdade dos ex-escravizados
diante de uma sociedade cujas novas relações foram pautadas na racialização dos
indivíduos.
6. OS CAMINHOS DA LIBERDADE: reflexões sobre o processo de Abolição
em Alagoas.
Vanieire dos Santos Oliveira Ramos (vanieire1988@gmail.com)
A presente proposta de comunicação visa refletir sobre o processo de abolição da
escravatura em Alagoas. O período que antecedeu a abolição da escravidão foi
marcado por um intenso debate político, social e econômico, que refletiu suas
nuances nos jornais da época. Pretende-se investigar como o tema da abolição foi
abordado, as estratégias discursivas utilizadas e o papel da imprensa na construção
de narrativas sobre o movimento abolicionista, além de compreender as diferentes
resistências e estratégias que moldaram o caminho rumo à liberdade dos escravizados
em Alagoas.
7. CIDADE DAS ALAGOAS: Família e Sociedade (1881-1900).
Altina Maria Rodrigues de Farias (altina.farias@ichca.ufal.br)
Esta comunicação abordará resultados parciais de pesquisa sobre a sociedade
alagoana com a utilização principal de fontes produzidas pela Igreja Católica entre os
anos de 1881 e 1900, período marcado pela abolição da escravatura, o pós-abolição
e a ascensão da República. Assim, tendo como recorte espacial a antiga cidade de
Alagoas, e utilizando técnicas como o cruzamento onomástico e de fontes e o aporte
teórico e metodológico da história social da família, esta pesquisa se insere em
estudos sobre as dinâmicas e mudanças sociais ocorridas no Brasil no final do século
XIX.
95
ST 14 - A RELIGIÃO COMO ORGANIZADORA DE MOVIMENTOS
SOCIAIS NO NORDESTE BRASILEIRO/ ST 16 - AS MULTIFACES DA
RELIGIOSIDADE DAS GENTES SERTANEJAS NORDESTINAS
Coord.: Alex Benedito Santos Oliveira (Seduc-AL/Egresso-PPGH/UFAL);
Gustavo Bezerra Barbosa (Seduc-AL/Egresso-PPGH/UFAL);
Janaina Freire dos Santos; José Ferreira Júnior
ST14: O presente simpósio temático tem por objetivo reunir trabalhos científicos
que expressem as atividades de organização, instrução, mobilização cultural, política
e social, promovidos pelas diversas matrizes religiosas existentes no Nordeste. Este
espaço teórico visa compreender o período de 1964 a 1990, tempo histórico que
corresponde à ditadura Civil-Militar que governou o Estado brasileiro e o período de
abertura democrática na sociedade brasileira. Este recorte temático pretende
compreender as mobilizações de movimentos sociais, comunidades de trabalhadoras
e trabalhadores que buscaram perante a sociedade civil reivindicar direitos sociais (os
quais se encontravam excluídos), e também objetiva denunciar as condições de
pobreza, exclusão social, perseguições políticas e a exploração que a classe subalterna
vivenciava durante a Ditadura Civil-Militar. Assim, este espaço de trabalho
possibilitará apresentar para a comunidade acadêmica a capacidade de mobilização
que os agentes religiosos desempenhavam junto as comunidades nas quais suas
representações religiosas estavam inseridas, expressando, desse modo, a conexão que
a religião apresenta com a infraestrutura da sociedade civil nordestina.
ST 16: O Sertão é a maior das quatro partes que formam o que se conhece como
região Nordeste brasileira. Nessa espacialidade se desenvolveu / desenvolve, quase
sempre sob a nomenclatura de catolicismo popular, complexidade religiosa que se
expressou / expressa de forma diversificada, podendo-se afirmar ter existido e ou
existir uma religiosidade multifacetada proveniente de uma gente diversificada,
chamada sertaneja. Assim, os Sertões nordestinos foram palcos das religiosidades de
escravizados, indígenas, messias e cangaceiros e se constituem, em seu hoje histórico,
de continuidades de tais práticas e de novas expressões de fé. Este Simpósio
Temático, que se pretende espaço de diálogo da História com outros campos de
conhecimentos, abre-se ao acolhimento de discussões provenientes dos campos das
Ciências Humanas e das Ciências Sociais, que contemplem expressões e práticas
religiosas ocorridas ou que ocorrem nos Sertões nordestinos.
96
Sessão (06/09/23)
1. ROMARIAS E PEREGRINOS NA CULTURA POPULAR.
Antonio Jose Villarim Alves da Silva (professorantoniovillarim@gmail.com,
villarimhumanas@hotmail.com)
Romaria e peregrinação se apresentam como um tema de muita complexidade,
mistérios, superstições, lealdade, fé, medo da morte, promessas e tantos outros que
a mentalidade fértil das pessoas desenvolve na esperança de agradar à Deus. O seu
afastamento através do pecado original, exige dentro dessa mentalidade católica
medieval, a necessidade de uma ligação com o Criador. Foi imaginada no início da
Era Cristã como penitência para expiação de suas faltas, romeiros e peregrinos,
afastavam-se de seus lugares e seguiam por terras alheias em sacrifício físico, para
chegarem a Lugares Sagrados. A veneração a Terra Santa, ficou atestada por um fluxo
de homens que não temeram nem mesmo a morte para tentar seguir os passos de
Cristo e se mostrarem piedosos, porém alguns peregrinaram por imposição
eclesiástica ou de outra autoridade, outros se auto impuseram viajar como penitência
ou simples devoção. O termo religião, como entendemos no Ocidente, consiste no
ato de religar ao transcendente ou a uma divindade. Em todas as culturas existe uma
linha imaginária que separa o que é considerado humano daquilo que é considerado
não humano ou sobrenatural, representado pelo constructo simbólico, pelas crenças
e os ritos incorporados pelas populações utilizando a religião como possibilidade de
solução para as suas necessidades e angústias cotidianas. No Brasil, as peregrinações
relacionam-se diretamente a festas do catolicismo popular, festas de santos
padroeiros e parte delas são comumente associadas a fluxos de romeiros,
ultrapassando em muitos eventos a dimensão de festividade local. Os romeiros
interpretam o mundo que vivem, procuram dar significados aos fatos que ocorrem,
sempre de acordo com suas práticas e experiências religiosas.
2. “A JUVENTUDE É A BANDEIRA DO AMOR”: surgimento da Pastoral
da Juventude do Meio Popular nas periferias da Arquidiocese de Olinda e
Recife.
João Filipe Santos da Silva Xavier (jfilipe_33@hotmail.com)
No contexto da Ditadura Civil-Militar Brasileira, setores católicos inspirados na
Teologia da Libertação buscavam conscientizar as classes subalternas sobre seus
direitos sociais e políticos. Concomitantemente, nas Igrejas periféricas da
Arquidiocese de Olinda e Recife surgiram experiências de grupos de jovens
engajados em lutas sociais e populares, germinando assim, a Pastoral da Juventude
do Meio Popular, sendo responsável pela mobilização das juventudes empobrecidas.
Dessa forma, a PJMP buscou reivindicar direitos juvenis, denunciando as condições
de miséria, exploração e marginalização.
97
3. AS IRMÃS FRANCISCANAS DE SANTO ANTÔNIO DE PÁDUA NO
MÉDIO SERTÃO DE ALAGOAS (1966-1990).
Derllânio Telecio da Silva (derllaniotelecio@hotmail.com)
Este trabalho apresenta o trabalho missionário feminino que as Freiras de Asten
desenvolveram no Médio Sertão de Alagoas, em Palestina, Pão de Açúcar e São José
da Tapera. Essa congregação, de origem holandesa, prestou serviços missionários
voltados à educação, saúde e assistência social. Para essa análise, fontes documentais
serão utilizadas. As narrativas de vida serão analisadas para a percepção de aspectos
da vida feminina católica. Metodologicamente, serão analisadas sob uma ótica “vista
de baixo”, através de sujeitos que foram assistidos pelos trabalhos dessas freiras
holandesas.
4. DIRETRIZES IDEOLÓGICAS E POLÍTICAS
BRASILEIRO NAS DÉCADAS DE 1960 A 1980.
Ythalo do Amaral (ythalo0106@gmail.com)
DO
CLERO
O presente estudo se debruçara em analisar o pensamento político das lideranças
eclesiásticas brasileira e alagoanas no recorte temporal que vai de 1964, ano do golpe
e da instauração da ditadura militar brasileira, até a década de 1980, no contexto da
redemocratização. Partiremos de observações que levarão em conta os espectros
políticos, bem como Teorias consolidadas como a Teologia da Libertação, buscando
compreender como se organizava ideologicamente o clero brasileiro e, como tais
pensamentos reverberaram em suas atuações no meio social. Traçaremos os
antecedentes históricos que construíram a ideologia eclesial, bem como,
pincelaremos as condições de vida do campesinato brasileiro para descobrirmos
como a Igreja através da luta político-sindical, organizou e influenciou a vida dos
trabalhadores também discorreremos sobre o pensamento político do regime militar
e o motivo de lançarem tanta desconfiança contra as ações do clero. Para tanto, as
condições sociais da classe proletária alagoana devem ser explanadas detalhadamente,
assim como as contradições sociais com a elite política e econômica do estado que,
através de seus pactos políticos articula-se como uma aliada da Igreja católica
alagoana. Esta, por sua vez atua para aliviar o sofrimento das classes menos
favorecidas do estado, ao mesmo tempo em que articula a manutenção de seu poder
e influência com a ordem oligárquica vigente. Assim sendo, a história da Igreja
alagoana e brasileira também deve ser compreendida passando por pontos chaves
como o regime do padroado, o ultramontanismo e o Concilio Vaticano II. Já a
compreensão do pensamento dos agentes da Ditadura Civil-Militar no estado, se faz
necessário para entendermos como o regime atuou na perseguição aos membros da
Igreja que, levado pelas mudanças do período, dedicaram-se ao assistencialismo e
mesmo à luta política contra as oligarquias estaduais e contra a Ditadura nacional.
98
5. É CHEGADA HORA DA PENITÊNCIA: o Beato Franciscano, trajetória,
lutas e esquecimentos.
Luiz David dos Santos Lima (ldavi2442@gmail.com)
Gilvan Gomes das Neves (gilvan.neves@uol.com.br)
O texto discute o processo messiânico envolvendo Antônio Fernandes Amorim,
popularmente conhecido como “Beato Franciscano”, enfatizando sua formação
religiosa e trajetória entre os municípios de Batalha e Quebrangulo e a atuação que
desencadeou um processo messiânico no interior do estado de Alagoas. Dialogando
a respeito das facetas da cultura popular, identidade, diásporas e poder. Bem como
as definições de messianismo, beatismo e o papel da das disputas por terra para o
surgimento de líderes messiânicos. Para o alcance dos objetivos propostos, será
utilizado usando como referencial os pressupostos de Facó (1963), Berger (2013),
Léger (2008) Moura (1994), Neves (2010).
ST 15 - TERREIROS COMO LUGAR DE CONSTRUÇÃO DE SABERES
E MEMÓRIA/ ST 19 - DINÂMICAS RELIGIOSAS NA HISTÓRIA
Coord.: Daniela Beny Politto Moraes; Rosileide da Silva; Jadson Ramos de
Queiroz (Egresso-PPGH/UFAL); Sérgio Ricardo Coutinho (KAIRÓS)
ST 15: Tomando como ponto de partida experiências acadêmicas desenvolvidas por
filhas de santo do Terreiro de Umbanda Aldeia dos Orixás no campo das Artes
Cênicas e Ciências Sociais, este simpósio temático busca através da
transdisciplinaridade refletir os terreiros de matrizes/motrizes afroameríndias –
sejam eles de Candomblé, Umbanda, Jurema e afins – como espaço de construção e
preservação de saberes e memória. Compreendendo que aqui buscamos uma
abordagem da ecologia de saberes que visa observar fatos e fenômenos do ponto de
vista dos seus praticantes, colocando-os como protagonistas das investigações
acadêmicas. Aqui buscaremos estabelecer o maior contato possível entre o
conhecimento produzido dentro destas comunidades tradicionais e a academia, seja
por meio de pesquisas desenvolvidas por membros destas comunidades, através das
suas práticas performáticas ou de outros meios de registro e compartilhamento.
ST 19: O Simpósio Temático "Dinâmicas religiosas na História" tem como proposta
abrir um espaço de diálogo e debates a respeito de pesquisas concluídas e em
andamento na área de História das Religiões e Religiosidades, em nível de graduação
e pós-graduação. Diferentes objetos, temporalidades e abordagens são bem-vindos,
como também problemáticas que demonstrem os processos de continuidades e
mudanças nas diversas experiências religiosas da humanidade. Partimos do
pressuposto que a luta por justiça religiosa no Brasil passa, necessariamente, pela
99
construção de um conhecimento histórico e das ciências sociais crítico que possa
contribuir nas ações de ensino, pesquisa e extensão voltadas para a fortificação e
defesa do pluralismo, da diversidade religiosa e do Estado democrático e laico.
Sessão I (04/09/23)
1. FEITICEIRAS, ALCOVITEIRAS E CULPADAS: a mulher como
transgressora nas documentações pedagógicas entre Espanha e Portugal no
século XVI.
Fernando de Sá Oliveira Júnior (fjunior.oli@hotmail.com)
Este trabalho tem como proposta analisar a ação de manuais como o Formicarius e o
Malleus Maleficarum, que eram escritos para orientar um público específico, em relação
a um comportamento ideal, e neste caso, tendo a mulher como figura central. Ou
seja, estabelecendo condutas femininas aceitáveis e não aceitáveis, em relação a
última temos a feiticeira e a alcoviteira, modelos que eram associados não só às
práticas demoníacas e contra a moral, mas, também à sobrevivência financeira,
principalmente durante o final da Idade Média e início da Época Moderna.
2. DE REZAS E CURAS: Práticas religiosas na Chapada Diamantina (Morro
do Chapéu, Bahia, século XIX).
Francisco Tanilson de Lima Gois (chico.tanilson@gmail.com)
Objetiva-se apresentar resultados iniciais que abordem as dinâmicas das práticas
religiosas afro-brasileiras, analisando as relações entre as devoções católicas e o perfil
étnico dos devotos e identificando práticas religiosas de matrizes africanas presentes
em Morro do Chapéu. Dentro dessas práticas religiosas afro-brasileiras, o trabalho
apresenta as relações ligadas ao curandeirismo no século XIX, analisando os
possíveis significados dos objetos usados nos rituais de cura e identificando as
possíveis origens das práticas de curas realizadas. A metodologia do trabalho é ligado
na análise do livro de Fazenda da Igreja Matriz de N. S. da Graça do Morro do
Chapéu e em três documentos criminais que indicam a presença de práticas de curas
e da religiosidade para além da ortodoxia católica.
3. BATUQUES E XANGÔS NOS CÓDIGOS DE POSTURAS: controle
social e dinamismo religioso em Alagoas no século XIX.
Felipe A Araujo (felipe.araujo@ichca.ufal.br)
Neste trabalho analisamos a formação das religiões afrobrasileiras em alagoas no
século XIX, a partir do mapeamento dos batuques, suas diversas confluências, seus
100
aspectos conflitivos, sociais e políticos, pesquisamos elementos como: a presença de
africanos e seus descendentes; os códigos de posturas das cidades e vilas; o sucesso
ou não, da vigilância e repressão pela ação policial; os espaços sociais de práticas dos
batuques e os conflitos advindos com o controle social sobre a mobilidade da
população negra. A articulação desses elementos ajudaram a compreender a
formação do xangô alagoano.
4. QUEBRA MENINO, MAIS NÃO TIRA SABER: história e memória da
perseguição aos Xangôs em Alagoas (1912).
Iara Katielle Pereira da Silva (iara.silva2@alunos.uneal.edu.br)
O objetivo deste trabalho é fazer uma análise acerca do episódio de fevereiro de 1912
que ocorreu em Maceió – AL considerando as ligações e processos sociopolíticos
que levaram ao Quebra de Xangô em Alagoas. Traçando a trajetória histórica e seu
processo de mudança e permanência no espaço político e afro-religioso no estado,
considerando ainda a trajetória cultural e de resistência diante dos movimentos de
opressão que deslegitimava o espaço e a consciência religiosa do povo de santo frente
aos discursos civilizatórios de uma sociedade que secularmente foi preparada para
negar os traços africanos que compõe o conjunto sociocultural e religioso de um país.
Levando em consideração o processo de opressão social que atinge e profana as
comunidades afro-religiosas de Alagoas, resultando no silêncio das expressões do
culto religioso o que resulta em adaptações e novas formas de comunicação e
simbolismos. Tomamos como aporte historiográfico e teórico os escritos de Ulisses
Rafael (2004), Douglas Apratto (2009) e Pollak (1989).
5. ENCRUZILHADANÇA: O corpo preto que gira de uma Pombagira.
Maciel Ferreira de Lima (sheltermaciel132@gmail.com)
Essa pesquisa é um desdobramento de um estudo auto etnográfico para entender a
importância da atuação da pomba gira e sua relação de afetividade com médiuns de
incorporação que se identifiquem como homossexuais pretos para desmitificar as
narrativas que depreciam as senhoras das encruzilhadas, desvelando que nem todas
foram mulheres da vida, não foram donas de cabarés. Objetiva-se mapear e
identificar quais narrativas tem interessado a perpetuação de tais deturpações, bem
como se utilizar da “encruzilhadança” para, através das artes cênicas, eliminar os
equívocos existentes na atualidade.
6. E TUDO COMEÇA PELA COZINHA: uma autoetnografia a partir da
vivência como Yabassé no Terreiro de Candomblé.
Mariana Rodrigues dos Santos (marianards91@gmail.com)
101
Através da minha vivência na religião do candomblé e tendo em vista que ocupo no
Terreiro Ilê axé Yakelomimpandá raízes legionirê como yabassé, cargo responsável
pelas comidas dos Orixás e de todo o terreiro lancei-me na observação no que diz
respeito à importância das oferendas aos orixás, tanto para mim como para outras
yabassés. A partir dessa observação, pude perceber que comer é um ato de resistir
para o povo preto de terreiro. Mas essa resistência não parte apenas da alimentação,
no sentido de nutrir toda a comunidade, mas também parte do ato de alimentar o
sagrado. Os orixás na religião do candomblé são alimentados quase que diariamente
no ambiente religioso, mas isso também depende do culto de cada terreiro. Com isso,
a compreensão a respeito da religião é necessária para que possamos entender e
respeitar os ritos de alimentação como aspectos fundamentais na tradição de culto
aos Orixás. Para isso, vi a necessidade de falar sobre o alimento cultuado nos
terreiros, alimento sagrado, rezado e ofertado. A partir disso, surgiu o
questionamento de como esses alimentos pertencentes à cultura de terreiro estão
sendo representados, consumidos e vistos fora do ambiente sagrado. Através dos
ensinamentos no terreiro Ilê Axé Yakelomimpandá, compreendo que o consumo
dos alimentos ancestrais africanos no Brasil começou desde a chegada dos povos
africanos escravizados, antes mesmo de existir o primeiro terreiro de candomblé.
Partindo de minhas inquietações, pude perceber o vasto comércio de alimentos
votivos dos orixás nas ruas, nos centros, shoppings e feiras, porém sendo
comercializados sem fazer referência às histórias desses pratos. É importante
observarmos uma cultura primeiramente e ouvir os membros nela inseridos, antes
de adotarmos certos hábitos pertencentes a essa cultura. Não deveria ser diferente
com as religiões de matriz africana, em que costumes que vão desde ao que se come
até as vestes são tão característicos da religião deveriam ser observados com respeito.
Assim, não desrespeitando a origem desses costumes, é possível evitar seu
desaparecimento da história. Mas sei que ao longo dos anos, a história vai sofrendo
suas modificações, e consequentemente a cultura sofre essas alterações. Porém,
sabemos que existe um grande apagamento da cultura afro no Brasil se mantém desde
o período escravista. E partindo dessas questões, proponho abordar o assunto
através da metodologia da autoetnografia, trazendo minha vivência no espaço
religioso explorando o ambiente da cozinha de terreiro e a culinária ancestral africana,
com o objetivo de compreender o papel das comidas ofertadas para os orixás.
7. A JUREMA SAGRADA: na Irmandade do Cercado de Boiadeiro ICERBO, no Rio de Janeiro - RJ, e no Grupo União Espírita Santa Bárbara GUESB, em Maceió - Al.
Claudia Cristina Rezende Puentes (claupuentesmestrado@gmail.com)
Lannay Egidia Pereira dos Santos (lannaypereirapsic@gmail.com)
Esta pesquisa intitulada “A Jurema Sagrada: Na Irmandade do Cercado de Boiadeiro
- ICERBO, no Rio de Janeiro-RJ, e no Grupo União Espírita Santa Bárbara GUESB, em Maceió-AL, compõe uma parte da pesquisa de dissertação intitulada
102
“Trânsitos do Sagrado: da Irmandade do Cercado de Boiadeiro - ICERBO, no Rio
de Janeiro-RJ ao Grupo União Espírita Santa Bárbara - GUESB, em Maceió-AL.
Apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social, do Instituto
de Ciências Sociais, da Universidade Federal de Alagoas, como requisito parcial para
a obtenção do título de Mestra em Antropologia Social da autora Cláudia Puentes.
Na pesquisa supracitada, foi realizado um estudo de elementos físicos e espirituais
entre duas casas de culto afro-brasileiras: a Irmandade do Cercado de Boiadeiro
(ICERBO), situada no bairro de Sepetiba, na zona oeste do Rio de Janeiro, e o Grupo
União Espírita Santa Bárbara (GUESB), situado na periferia da Cidade Universitária,
Village Campestre II, Maceió, Alagoas, que têm, ambas, a prática da Jurema Sagrada
como uma das atividades rituais. Como participante direta no Grupo União Espírita
Santa Bárbara, há oito anos, a segunda autora integra o presente artigo, com
contribuições acerca da Jurema Sagrada no terreiro em Maceió-Al. O estudo das
casas descreve como são realizados os ritos em espaços geográficos distintos, que
têm - segundo levantamento feito através da pesquisa de campo – similaridades, sem,
contudo, serem executados da mesma forma. No entanto, para este artigo, nos
deteremos a uma breve relação da Jurema encontrada ao longo da pesquisa e na
Jurema praticada, ou das Juremas praticadas nos terreiros em questão.
Sessão II (05/09/23)
1. A EXEGESE VISUAL DO APOCALIPSE NOS MANUSCRITOS
MEDIEVAIS HISPÂNICOS (SÉCULOS X A XII).
Raquel de Fátima Parmegiani (rparmegiani@gmail.com)
Os livros carregam consigo uma história de leitura que, dialeticamente, se soma a eles
ao longo do tempo. Assim, pensar historicamente um texto, não é meramente situálo na época, lugar e circunstância de sua composição, mas levar em conta sua vida
no tempo humano. Diante desta afirmação nos propomos aqui a fazer uma flexão
sobre um complexo temático imagético ligados ao livro do Apocalipse que, desde a
antiguidade tardia, fez-se presente em iluminuras que acompanharam os códices de
comentários a ele. Partimos da ideia de que o desenvolvimento iconográfico de temas
ligados a este texto canônico como Jerusalém Celeste, cordeiro na montanha, o livro
dos sete selos, alfa e ômega, os quatro videntes etc., sem dúvida, gestou-se de forma
dialogal com as interpretações dadas a este livro. Porém, é evidente, numa análise
inicial, que as imagens dos manuscritos medievais produzem significados que vão
além dos textos que ilustram. Nesse sentido, nos propomos a pensar como as
imagens ocupam lugar, preenchem lacunas nas páginas dos códices de comentários
ao Apocalipse, mas principalmente sobre atuação interpretativa que das iluminuras.
Estas, sem dúvida, enfatizam ou elaboram aspectos particulares da experiência
103
visionárias e produzem detalhes que podem adicionar novos sentidos/interpretação,
que se distanciam e/ou desafiam o significado do texto e do seu comentário.
2. AUTORREPRESENTAÇÕES E ESTRATÉGIAS POLÍTICAS NOS
HECHOS DEL CONDESTABLE (SECÚLO XV).
Hugor Soares de Melo (hugor_smelo@hotmail.com)
Esta comunicação é uma adaptação de um projeto de pesquisa submetido e aprovado
pela seleção do Programa de Pós-graduação em História da Universidade Federal de
Alagoas. A proposta é uma dissertação de mestrado que consiste no uso da Análise
do Discurso e da História Comparada para identificar uma série de estratégias
políticas que podem estar presentes nos textos das crônicas pessoais aristocráticas
produzidos na península ibérica tardomedieval. A fonte principal dessa pesquisa é a
Relación de los Hechos del muy Magnífico e más Virtuoso Señor don Miguel Lucas, Muy Digno
Condestable de Castilla. Uma crônica escrita durante terceiro quartel do século XV que
narra os feitos de Miguel Lucas de Iranzo, um importante nobre, político e guerreiro
castelhano que viveu naquele período. Conta a história de uma figura controversa.
Companheiro, confidente e grande apoiador do rei Enrique IV, Miguel Lucas,
personagem principal do texto, é introduzido no círculo de convivência do então
príncipe ainda na infância, torna-se amigo muito próximo, quase inseparável, e por
essa proximidade, acaba agraciado com uma explosiva e alarmante ascensão
nobiliárquica. Miguel Lucas vive num contexto de conflitos intermitentes durante a
parcela final das chamadas guerras de Reconquista da península ibérica, deste modo,
busca formas de utilizar seus novos títulos ao exercer sua função enquanto cavaleiro.
Miguel Lucas vive também em um período de turbulência política, onde vários
grupos aristocráticos mais tradicionais castelhanos buscavam impor seus interesses
sobre uma monarquia enfraquecida, que enobrecia e se cercava de novos grupos de
aliados, numa tentativa de se fortalecer. Miguel Lucas é um desses novos guerreiros
nobres e, desta forma, sua história está marcada pelas necessidades constantes de se
provar e de tentar se fazer aceito no contexto político e militar, em constante conflito
com outros aristocratas guerreiros da época. Farto desses conflitos, Iranzo deixa a
corte de Enrique e se estabelece na cidade fronteiriça de Jaén, com o objetivo de
devotar-se ao esforço de guerra contra o inimigo mouro. Em Jaén, Miguel Lucas se
envolve com a administração pública da cidade, onde encabeça uma série de projetos
e intervenções à infraestrutura da cidade e suas cercanias, além de se tornar a figura
mais importante na sociabilidade gienense, patrocinando um sem-número de festas,
tanto religiosas, normais do calendário cristão, quanto seculares em homenagem à
vitórias ou convidados ilustres. Essa parte de sua atuação na cidade configura uma
parcela muito significativa da narrativa dos Hechos, onde o foco aparente torna-se a
distinção, a elegância, a generosidade, a habilidade administrativa e a lealdade
inabalável de Iranzo, características talvez consideradas secundárias que, muitas
vezes, acabaram escolhidas pelo autor do texto em detrimento das não tão
impressionantes conquistas militares de Miguel Lucas. Nessa aparente inversão, ou
104
pelo menos nova configuração, dos valores tão caros à Cavalaria, ferozmente
defendidos e reafirmados nas crônicas, podem ser observados uma série de desafios
e necessidades que, tanto Miguel Lucas quanto o autor anônimo da crônica, precisam
combater. Esse combate se dá justamente no discurso produzido: nas estratégias
narrativas, que também são estratégias políticas, que estão impressas e presentes em
todo o texto.
3. QUADRO SOCIAL DA MAÇONARIA EM ALAGOAS (1862-1868).
Marney Garrido (marneysgarrido@gmail.com)
O objetivo da comunicação é analisar a composição social da Maçonaria em Alagoas
a partir do quadro de membros da loja Virtude e Bondade, em Maceió, na segunda
metade do século XIX. Procura-se, através de uma análise quantitativa dos dados
obtidos entre os anos de 1862 (ano da fundação) e 1868, dimensionar a presença de
diversos setores ocupacionais aos quais pertenciam os seus associados, entre
empregados públicos, oficiais do exército, negociantes e profissionais liberais. Bem
como buscar identificar as origens de membros ligados à Ordem, suas
nacionalidades, proveniências e locais de residência, possibilitando estabelecer
relações de fluxo entre a loja maçônica alagoana e indivíduos provenientes de outras
localidades do império.
4. A HERANÇA DE LUTERO NA TERRA DOS MARECHAIS.
Fernando Rodrigues de Souza (fernandordesouza@yahoo.com)
Em 2023, a Igreja Evangélica Luterana do Brasil completa 42 anos desde sua
fundação em Maceió. A igreja, ao longo dos anos, consolidou-se como espaço de fé
e ação social, contribuindo para o ecumenismo e a diversidade religiosa da região.
Explorando fontes documentais e testemunhos de membros da comunidade, a
pesquisa historiográfica revelou sua trajetória como parte significativa da história
religiosa local, bem como sua importância na promoção de valores humanitários,
pautados nos pressupostos da Reforma Protestante, encabeçada por Martinho
Lutero em 1517.
5. LAICIDADE EM CIMA DO MURO: análise histórica sobre as
repercussões midiáticas do caso da imagem de Baphomet/Exu Maioral em
Alvorada – Rio Grande do Sul.
Fabio Ferreira dos Santos da Silva (fabio.ferreirass@professor.educ.al.gov.br)
Post com imagem de entidade religiosa viralizou a nível nacional em várias redes
sociais em março deste ano, dando origem a debates de diferentes matizes no
ciberespaço. Erguida dentro dos muros de uma casa/templo, a imagem/estátua pode
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ser visualizada também do lado de fora/rua. Busca-se elencar aqui algumas razões
históricas para a supracitada comoção virtual, valendo-se dos conceitos de imaginário
social e de representação. Além disso, visa-se identificar elementos dessa repercussão
que possam contribuir para os estudos acerca da laicidade e do pluralismo religioso
no Brasil.
6. “E COM GRANDE CONTENTAMENTO RECEBERÃO O
SACRAMENTO DE BATISMO”: O batismo de sobas em Mossamedes.
Alice Maria da Silva Araújo (alice.araujo@ichca.ufal.br)
Esta pesquisa visa aprofundar a compreensão da intrincada relação de poder
subjacente aos batismos ocorridos em Angola durante o século XIX. Através de uma
análise de fontes manuscritas presentes no livro de batismos de Mossâmedes datado
de 1843, emergiu um padrão notável de batismos coletivos de Sobas, líderes
tradicionais angolanos. Esses batismos, realizados sob a autoridade dos governantes
ou seus representantes, e no mesmo assentamento de batismo esses Sobas são
prometidos de vassalagem à princesa. Esta constatação lança luz sobre uma complexa
teia de interconexões entre os rituais religiosos cristãos, a dinâmica política e a
estrutura de hierarquia sociocultural na sociedade angolana do século XIX. A prática
de conduzir batismos coletivos de Sobas revela-se um instrumento perspicaz de
consolidar e reforçar relações de poder preexistentes. Adicionalmente, a atitude de
prometer fidelidade à princesa no contexto desses batismos insere um simbolismo
intrincado e uma submissão política. Diante dessas observações, surge uma
indagação fundamental: de que maneira os batismos coletivos de Sobas na Angola
do século XIX ecoaram nas dinâmicas de poder, na hierarquia social e na identidade
cultural? Isso requer uma análise profunda da intersecção entre práticas religiosas
cristãs e estruturas políticas locais, explorando como essa convergência influenciou
a percepção e a distribuição do poder dentro da sociedade. Ademais, é imperativo
examinar a integração desses batismos coletivos na estratégia global de exercício e
consolidação do poder político. Como essas práticas se encaixaram nas táticas
utilizadas pelos governantes para reforçar sua autoridade e perpetuar a ordem social
existente, visto que os Sobas são homens de grande influência social? Além disso, a
pesquisa também almeja examinar se houve resistência por parte dos líderes
tradicionais ou da população local em relação a essas práticas. A possibilidade de
confrontação ou adaptação por parte dos Sobas em resposta a essa dinâmica introduz
outra camada de complexidade a essa relação. Por último, os desdobramentos a
longo prazo desses batismos coletivos na sociedade angolana também devem ser
abordados. Será de grande importância explorar se esses eventos moldaram a
evolução da sociedade, alterando as estruturas de poder e as normas culturais, ou se
representaram apenas um momento isolado na trajetória histórica do país. Em suma,
esta pesquisa busca entender essa faceta intrigante da história angolana, analisando
como os batismos coletivos de Sobas no século XIX transcendem além das águas
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batismais, oferecendo um olhar sobre a complexa interação entre poder, práticas
religiosas e identidade cultural.
7. BALANÇO HISTORIOGRÁFICO DAS PRODUÇÕES SOBRE
RELIGIÃO E INSTITUIÇÕES RELIGIOSAS NOS PROGRAMAS DE
PÓS-GRADUAÇÃO DE HISTÓRIA EM PERNAMBUCO (2003 – 2023).
Francisco Ytalo de Lima Silva (ytalo.lima@urca.br)
Anderson da Silva Felix (anderson.asf@ufpe.br)
O presente trabalho teve por premissa realizar um balanço historiográfico das
produções (teses e dissertações) no campo da história das religiões nos programas de
pós-graduação de História, em Pernambuco no período de 2003 a 2023. Como
problema de pesquisa, questionamos se as pesquisas que têm como objeto de análise
as religiões e suas instituições, tendo como ponto de partida discussões e
sistematizações concernentes a outros eixos de análise, como campo político, social
e econômico. Neste sentido, buscamos ao longo do trabalho destacar como tem sido
as abordagens dos diversos temas, como também as concepções teóricas,
metodológicas e as respostas dos(as) pesquisadores(as) aos problemas delineadores
dessas pesquisas. O método que utilizamos foi o da pesquisa historiográfica, visando
a análise e sistematização dos estudos desenvolvidos nos Programas de PósGraduação em História das seguintes universidades: Universidade Federal de
Pernambuco; Universidade Federal Rural de Pernambuco; Universidade de
Pernambuco e Universidade Católica de Pernambuco. Quanto aos resultados, ainda
estamos finalizando, todavia, podemos mensurar que existe uma produção
significativa de trabalhos nesse campo, sobretudo no que tange ao período da
restauração católica (1889 – 1930), como também sobre a atuação da Igreja Católica
durante a ditadura militar brasileira (1964 – 1985). Por fim, esperamos contribuir
com o campo da história das religiões, apresentando um estudo conciso e instigante
sobre as discussões epistemológicas, as temáticas, as respostas aos problemas
levantados pelas pesquisas e as lacunas existentes.
Sessão III (06/09/23)
1. QUEIXAS, CONFLITOS E REVOLTAS NA COMARCA DAS ALAGOAS
COM ÊNFASE NOS AGENTES DO CLERO: século XVIII.
Dermeval Santana de Oliveira (dermevalsantana@gmail.com)
Durante a conquista, a colonização portuguesa introduziu estruturas e cargos
representativos destinados a servir de bases e melhor administrá-los. Ele deu honras
e títulos a seus vassalos mesmo de longe. No entanto, a esfera política e
administrativamente, não era muito estável. Inclusive, os conflitos com
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representantes do clero. O objetivo é, portanto, dar sentido a esses conflitos e
disputas e mostrar como funcionavam as relações de poder na comarca das Alagoas
no século XVIII. Utiliza-se das fontes do Conselho Ultramarino, relativo a Alagoas.
2. "A PÓLVORA DO CONVENTO DE SÃO FRANCISCO":
A
reorganização da administração Civil-eclesiástica na província de Alagoas
(1828-1842).
Lydio Alfredo Rossiter Neto (lydio.rossiter@gmail.com)
A presente comunicação pretende estudar as complexas e graduais modificações de
cunho político e eclesiológico ocorridas na esfera da Igreja Católica da província de
alagoas em decorrência da reorganização de cunho jurídico e administrativo do
Estado Imperial Brasileiro; desde o início do Primeiro Reinado até o período
Regencial. Contemplando ainda a participação de agentes públicos e eclesiásticos em
conflitos armados na província ao longo do recorte temporal como exemplo da
crescente erosão do Padroado Régio.
3. AS IRMANDADES RELIGIOSAS E O PODER CIVIL EM MACEIÓ
(1845-1900).
Élida Kassia Vieira da Silva (elida.kassia.v@outlook.com)
A presente proposta de apresentação visa discutir as relações de poder estabelecidas
entre as irmandades religiosas e o poder civil em Maceió. Para tal discussão, serão
utilizadas fontes disponíveis no Arquivo Público de Alagoas e que foram produzidas
por tais associações e enviadas aos setores públicos no período analisado. Busca-se,
assim, refletir as limitações entre o público e o privado no XIX, bem como as lutas
pelos espaços de poder na capital da então província de Alagoas.
4. A IGREJA CATÓLICA E A EDUCAÇÃO NO MEIO RURAL: o Programa
de Educação de Base para a Zona Norte de Alagoas.
Wellington da Silva Medeiros (well_medeiros@hotmail.com)
Em 7 de julho de 1959, em atendimento às sugestões do II Encontro dos Bispos do
Nordeste, o então presidente Juscelino Kubitschek assinou o decreto nº 46.378, que
dispõe sobre o programa de educação de base para a zona Norte do estado de
Alagoas. O programa seria constituído de três elementos: (1) uma missão rural de
educação; (2) um centro de treinamento destinado a técnicos, auxiliares e líderes
rurais; e (3) uma emissora de educação rural, com duzentas escolas radiofônicas. Por
diferentes fatores políticos e históricos, a estrutura montada para a implementação
desse programa resultou no desenvolvimento do Movimento de Educação de Base
(MEB), no espaço social que constitui a Arquidiocese de Maceió. Essa comunicação
tem como objetivo contribuir para a compreensão dessa relação entre o programa
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de educação de base para a região Norte do estado e a gênese do MEB, através da
análise de fontes, até então, pouco exploradas, como, por exemplo, as atas do Grupo
de Trabalho de Educação de Base da arquidiocese, presentes no Arquivo da Cúria
Metropolitana de Maceió.
6. PADRES ESTRANGEIROS, UM PERIGO A SEGURANÇA
NACIONAL? MONITORAMENTO DESTES PADRES PELO SISTEMA
NACIONAL DE INFORMAÇÃO (SNI) NO ESTADO DE ALAGOAS
(1964/1985).
Marcelo Floriano da Silva (iaimarcelo_25@hotmail.com)
O presente trabalho constitui-se em parte de pesquisa em andamento, inserido em
um projeto de pesquisa com outros pesquisadores mais amplo, intitulado “Agentes
e movimentos católicos alagoanos nos arquivos do Sistema Nacional de Informação
(SNI)”, abordaremos, dentro do contexto da ditadura civil-militar no Brasil, o
monitoramento pelo SNI aos padres estrangeiros em atuação missionária na igreja
católica no estado de Alagoas, tendo como problemática verificar se os sacerdotes
estrangeiros representavam perigo a Segurança Nacional conforme documentação
do SNI no Arquivo Nacional.
7. MARXISMO E HISTÓRIA SOCIAL DAS RELIGIÕES: perspectivas de
pesquisa.
Irinéia Maria Franco dos Santos (irineia.franco@ichca.ufal.br)
A proposta dessa comunicação é, a partir do relato da experiência de estudo coletivo
do Laboratório de História e Estudo das Religiões (LHiER-UFAL), levantar os
pontos de avanço e os desafios ainda existentes no uso do materialismo históricodialético como método e o marxismo como teoria social de base, para a produção de
conhecimento histórico sobre as religiões. A crítica da religião ou das religiões diz
respeito a uma crítica da realidade social e o papel da religião nessa realidade concreta.
Historicamente observa-se que as diferentes religiões, por vezes, cumprem papeis
ambivalentes, de subversão e/ou de legitimação de dada ordem social (econômica e
política). Fazer uma história das religiões a partir de pressupostos marxistas significa
partir do pressuposto que as religiões são fenômenos sócio-históricos. Tais
observações metodológicas são um ponto de partida importante para as
possibilidades de pesquisa que temos e para problematizações em temporalidades e
contextos específicos, das diversas experiências religiosas existentes. Marxistas no
século XX procuraram avançar e enxergar nas religiões não somente uma “máscara”
ou “reflexo” das lutas de classe, mas construções humanas que, na sua ambivalência
histórica, expressariam “anseios” (para uns utopias, para outros antecipações da
sociedade comunista futura) de uma vida humana de solidariedade, partilha e
equidade
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ST 18 - NARRATIVAS DISSIDENTES: gênero, sexualidade
interdisciplinaridade e interseccionalidade
Coord.: Elias Ferreira Veras (UFAL); Ana Cláudia Aymoré Martins (UFAL)
Não sem resistências de setores e grupos ultraconservadores dentro e fora da
academia, e à contrapelo da ascensão de discursos de extrema-direita no Brasil, país
já tão marcado por exclusões, preconceitos e violências, o gênero tem sido, cada vez
mais, incorporado como teoria/categoria fundamental de análise histórica. Este
Simpósio Temático pretende levar à discussão pesquisas que articulem a perspectiva
de gênero com abordagens interdisciplinares e interseccionais. Nesse sentido, serão
bem-vindas contribuições oriundas de diferentes contextos histórico-temporais e
campos do saber (história, antropologia, artes, psicologia, filosofia, literatura e
outros), que abordem a construção das masculinidades e feminilidades, experiências
LGBTQIA+, corpos abjetos, queer, em seus aspectos plurais, dinâmicos e
multifacetados, promovendo uma visibilidade cada mais ampla das subjetividades e
narrativas dissidentes da cisheteronormativa.
Sessão I (04/09/23)
1. MULHERES MARGINALIZADAS E HISTÓRIAS SILENCIADAS: as
mães solo na cidade de Palmeira dos Índios na contemporaneidade.
Vitória Soares de Araújo (vitoriaaraujo@alunos.uneal.edu.br)
Cristiano Cezar Gomes da Silva (cristianocezar@uneal.edu.br)
Este estudo traz uma abordagem sobre as vivências de mães solo no município de
Palmeira dos Índios. A relevância da pesquisa está na discussão acerca das
dificuldades e lutas que permeiam a vida dessas mulheres. O objetivo foi analisar as
experiências de algumas mães solo, trazendo à baila parte de suas vivências,
enfatizando historicamente patriarcado e relações de gênero. Metodologicamente, foi
utilizada a história oral, através de entrevistas, e a coleta de dados do IBGE. Como
arcabouço teórico, traz autores como Burke (1992), Foucault (2006), Perrot (2007),
Saffioti (1996) e Scott (1990).
2. HISTÓRIA, CINEMA E GÊNERO: a Mulher Maravilha, a perpetuação
dos estereótipos sexistas ou o triunfo sobre eles?
Silmara Pereira da Silva (silmara.silva@alunos.uneal.edu.br)
Cristiano Cezar Gomes da Silva (cristianocezar@uneal.edu.br)
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Esta pesquisa traz uma análise comparativa entre o filme e o seriado Mulher
Maravilha, lançados em 1975 e 2017, respectivamente. Tem por objetivo refletir
sobre o modelo patriarcal presente em ambas as adaptações, além de compreender
como os valores sexistas são representados, considerando as diferentes
temporalidades das obras. O arcabouço teórico e metodológico está pautado na
perspectiva da História Cultural, perpassando história, cinema, gênero e cultura. Para
isso, foram estudados autores como Beauvoir (2014), Benedict (2013), Hall (2016),
Kornis (2008), Mead (2019) e Pesavento (2012).
3. HISTÓRIA, FEMINISMO E RELAÇÕES DE GÊNERO NO MUNDO
CONTEMPORÂNEO: o caso de Mari Ferrer.
Gleycyelle da Silva Oliveira (gleycyelle.oliveira@gmail.com)
Cristiano Cezar Gomes da Silva (cristianocezar@uneal.edu.br)
Esta pesquisa aborda o papel do feminismo na sociedade contemporânea, tendo
como objeto de estudo o crime de estupro sofrido por Mari Ferrer, em 2018. A
escolha do tema se dá pela importância dos estudos de História e gênero com ênfase
no feminismo como construção de uma sociedade justa e igualitária, no combate à
“cultura do estupro”. O estudo utiliza conceitos e correntes do feminismo
contemporâneo, com uma revisão da literatura sobre o tema e análise de contexto
histórico. Como referencial teórico, traz autores como: Araújo (2020), Davis (2016),
Paula (2023), Pinto (2010) e Sousa (2017).
Sessão II (05/09/23)
1. LGBTQIA+ NA IMPRENSA DE ALAGOAS: experiências de pesquisa.
Isaac Freitas da Silva Filho (isaac.filho@ichca.ufal.br)
Este trabalho pretende discutir a presença/ausência dos/as/es sujeitos/as/es
LGBTQIA+ na imprensa de Alagoas, durante os anos de 1990. Assim, compartilho
experiências adquiridas nas consultas aos jornais O Diário de Alagoas, Jornal de Hoje
e Jornal de Alagoas, durante a pesquisa "LGBTQIA+ na imprensa de Alagoas (19701980)"/Projeto Fapeal. Neste sentido, o trabalho também propõe apresentar um
diálogo acerca das produções historiográficas que, atualmente, abordam a utilização
dos jornais como fonte histórica para a historiografia LGBTQIA+ e salienta a
importância de se construir uma historiografia interseccional sobre a temática em
Alagoas.
111
2. HOMOFOBIA NA IMPRENSA DE ALAGOAS: uma análise da cobertura
do Jornal de Alagoas do assassinato de Renildo José dos Santos.
Elias Ferreira Veras (elias.veras@ichca.ufal.br)
Renildo José dos Santos, vereador da cidade de Coqueiro Seco (AL), localizada a
12km de Maceió, foi sequestrado de dentro de sua residência, enquanto dormia, no
dia 10 de março de 1993. Dias depois, seu corpo foi encontrado decapitado e
carbonizado em Água Preta, enquanto sua cabeça foi localizada em Xexéu, ambos,
municípios de Pernambuco. Na cobertura realizada ao logo do ano de 1993 pela
imprensa de Alagoas (Gazeta de Alagoas, Jornal de Alagoas, O Diário Alagoas), a
motivação do crime foi constantemente lembrada e destacada: a homossexualidade
do vereador. Esta comunicação de pesquisa analisa esse acontecimento da História
recente de Alagoas, sendo uma apresentação parcial da pesquisa LGBTQIA + na
imprensa de Alagoas (1970-1980)/Fapeal-Edital Humanidades.
3. O DISCURSO DE NÉSTOR PERLONGHER SOBRE A AIDS E
[RE]EXISTÊNCIAS SEXUAIS.
Baby Rodrigues dos Santos (1uc45anonimo@gmail.com)
Nestor Perlongher, em sua obra “O Que É Aids” (1987), perverte o debáte sobre
sexualidade e as imaculadas ciências médicas, e o faz com inovação. Em meio as
reflexões, o autor adentra em prazerosos porões da sexualidade e dos desejos
desagradáveis. As reflexões desnudam perspectivas sobre escolha e controle.
Perlongher pensa percorrendo o gozo e o neoliberalismo. O autor questiona até
mesmo a morte e o desespero e a forma como o discurso a posiciona pirraça as
sexualidades dissidentes da masculinidade patriarcal. Pretendo através dos textos de
Paulo Souto Maior, Samantha Quadrat e Fernando Domingos de Aguiar Junior,
presentes no livro [Re]Existências LGBTQIA + (2023), compreender o contexto em
que obra foi elaborada, através da análise do discurso (Foucault, 1969).
4. ODETE DE ALBUQUERQUE PACHECO.
Thamyres Jully Ana Ramos Martirio (thamyres_jully@hotmail.com)
Odete de Albuquerque Pacheco foi uma locutora, radialista e também fundadora
pioneira da Rádio Difusora de Alagoas, atual Instituto Zumbi dos Palmares. Nasceu
na cidade de Passo de Camaragibe (AL) no dia 21 de março de 1926, filha de
Amâncio de Albuquerque e Lucila Pacheco de Albuquerque. Apesar de ter concluído
o curso de Magistério no antigo Instituto de Educação em Maceió apaixonou-se
rapidamente pela arte. Uma figura para além de controversa e emblemática, como é
destacada no ABC das Alagoas: dicionário bibliográfico, histórico e geográfico das
Alagoas, mais também uma mulher negra, gorda, que vivia sua vida livre e sem
fronteiras. Permanece viva como uma estrela que nunca apagou, um mito alagoano
112
e símbolo da sua época, como afirma Floracy Cavalcante radialista contemporânea
de Odete Pacheco em depoimento na Homenagem gravada no dia 24 de abril de
1980 oito ano depois de sua morte, na série de palestras ‘Nossas figuras pouco
lembradas’ idealizada pelo diretor-presidente da Fundação Teatro Deodoro
(FUNTED) Dr. Bráulio Leite Junior. Apesar de não ser esquecida Odete Pacheco é
deixada em silêncio na História, o intuito dessa pesquisa é resgatar sua memória e
escancarar sua personalidade para além de figuras pouco lembradas.
5. PERFORMANCES DE GÊNERO E PERFORMATIVIDADE
DURANTE FESTIVIDADES CÍVICAS DE EMANCIPAÇÃO POLÍTICA
EM BELÉM – AL.
Silas Pita Pereira (silaspita244@gmail.com)
Marcelo Góes Tavares (marcelo.tavares@uneal.edu.br)
Proponho com este trabalho analisar as festividades da emancipação política do
município de Belém, no agreste alagoano. Estas ocorrem no dia 24 de agosto.
Abordarei as festas dos anos de 2018, 2019 e 2022. As festividades oportunizam
momentos de rememoração do passado no município, sendo estas ritualizadas por
diferenciadas práticas culturais, em especial desfiles cívicos com bandas marciais e de
fanfarra. Observamos nestes ritos, os baluartes discursivos, simbólicos e imagéticos
da emancipação, destacando-se também sentimentos de ordem e moral durante a
demonstração cívica. Entre os personagens dessa festividade, nos deteremos na
análise dos balistas das bandas de fanfarra. São meninos que dançam durante a
execução de músicas e desfiles, e negociam em suas performances, o vestuário,
gestos, posições e a própria dança. Materializam a fechação e saem as ruas
polarizando as identidades masculinas e femininas construídas socialmente como
aceitáveis e passáveis. A fechação é sinônimo de ser visto, do apoteótico, e do notado.
As suas vestimentas são compostas por plumárias, caídos e pedrarias, entre outros
acessórios que compõem e (re)fabricam a identidade fechativa. Sair fechativamente
nas bandas de fanfarra não tornam esses meninos isentos de violência física ou
simbólica, mas as bandas e a rua se mostram acolhedores a esses corpos e identidades
não normativas. Nesse estudo recorremos a pesquisa de campo feita na Banda de
Fanfarra Prof.ª Ethelda Amorim entrevistando balistas e analisando imagens. Do
ponto de vista teórico nos baseamos em Arruda (2017), Butler (2019), Hobsbawm e
Ranger (2021) e Louro (2018) e Silva (2014).
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6. O SERTÃO CONTEMPORÂNEO E AS HISTÓRIAS NÃO CONTADAS.
Keline Pereira Freire (kelinepereira1@gmail.com)
Ana Ângela Farias Gomes (anaangelaufs@gmail.com)
O presente trabalho contempla a análise dos filmes: O grão (2010), Mãe e filha
(2012), A história da eternidade (2015), Boi neon (2016), Por trás do céu (2017),
Entre irmãs (2017), e A cidade do futuro (2018). O objetivo é demostrar, através da
abordagem comparada destes filmes com outras realizações, e de textos como Os
Sertões (1902), de Euclides da Cunha e os estudos de Albuquerque (2003), como
essas obras apresentam representações que contrapõem a ideia de isolamento social,
dominação masculina e sexualidade formatada, comumente vistas nas imagens e
textos produzidos sobre o sertão.
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