Enecom: Democratização da Comunicação é tema de painel

Palestrantes ainda abordaram temas como democratização da comunicação e aprovação do Marco Civil da Internet

22/07/2014 13h10 - Atualizado em 05/10/2020 às 12h56

por João Paulo Macena

Estudante de Jornalismo

 

Nesta segunda-feira (21), o Encontro Nacional dos Estudantes de Comunicação Social (Enecom) chegou ao seu terceiro dia trazendo o painel A Comunicação que queremos. A atividade ocorreu durante a manhã, na tenda cultural da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Contou com a participação de Ivan Moraes Filho, Jhonatas Monteiro e Bia Barbosa que debateram temas como a democratização da comunicação, o tratamento da mídia  em relação a aspectos sociais e a recente aprovação da lei do Marco Civil da internet.

O primeiro palestrante, Ivan Moraes Filho jornalista, escritor e militante de Direitos Humanos da Casa de Cultura Luiz Freire, falou sobre a legislação brasileira e a comunicação enquanto um direito humano. Também abordou discussões sobre direito à liberdade e a geração de direitos. “Dizem que somente a educação resolveria diversos problemas sociais do país. Mas esquecem que um direito depende do outro. A educação depende da saúde e a saúde depende da segurança” pontuou.

Na sequência, o historiador e militante do Movimento Negro na Bahia, Jhonatas Monteiro abordou a temática das opressões e mídia, e como este assunto é tratado por estudantes durante a formação. Ele também destacou temas como a maneira como são representadas algumas classes na mídia, ridicularização da figura do pobre na televisão, a criminalização dos movimentos organizados nos veículos de comunicação e a diversidade cultural. “A comunicação é um problema de todos e todas. Esse assunto não deve ser discutido somente por estudantes e profissionais da comunicação, mas também outras áreas” afirma.

Por último, a jornalista e membro da coordenação do Coletivo Intervozes, Bia Barbosa tratou de assuntos como a democratização da comunicação, a aprovação do Marco Civil universalização da internet e banda larga no Brasil. Na sua avaliação, a discussão deste tema é fundamental na atual conjuntura tendo em vista ser um ano eleitoral. Acredita que a ampliação do debate pode levar as pessoas a exigirem dos candidatos propostas mais avançadas de políticas públicas para a comunicação digital. A jornalista ressaltou ainda, que metade da população brasileira, ou seja, cerca de 100 milhões de pessoas, ainda não têm acesso direto à internet. “Para 75% das pessoas que não têm acesso à internet, a maior barreira é econômica. Elas ainda não têm condições de pagar por um plano de internet” concluiu.

O estudante do COS e coordenador nacional da Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social (Enecos) Márcio Anastácio ressaltou a importância da discussão trazida pelo painel. “É necessário ter uma regulamentação da comunicação no Brasil. E esses palestrantes cumprem o papel de debater junto aos estudantes e à militância da Enecos essa necessidade que o país tem. A comunicação que a Enecos quer é uma comunicação democrática e referenciada nas demandas do povo, do trabalhador e da sociedade”.

Reuniões de brigadas

Ao final do painel foram realizadas as reuniões de brigadas, onde os estudantes interagiram com pessoas das delegações de outros estados, além de discutirem sobre os temas que foram apresentados pelos palestrantes. Ao final das reuniões, representantes de cada brigada falaram sobre o tema do painel.

Rafaela de Oliveira, estudante do 4º período do curso de Comunicação Social da Ufal e representante de uma das brigadas, falou sobre mídia alternativa e um dos temas do painel: a representatividade da periferia na mídia. “Muitas vezes a mídia rotula o pobre como criminoso, fazendo com que as pessoas fiquem com medo do lugar em que ele mora. O pobre não se sente representado na mídia hegemônica” pontuou a estudante.